segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Criando uma História em Quadrinhos - Parte 2

Oi, pessoal, como prometido aqui vai a segunda parte do texto "Criando uma História em Quadrinhos". Pra ver a parte um, clique aqui: Parte 1


"Conhecendo o chão em que se pisa"

#2: Familiarizando-se com gêneros e os públicos-alvos

Ou alternativamente, passo #1: Vadiando por um pântano em botas enlameadas

Vamos iniciar num território que muitos de vocês podem considerar absolutamente trabalhoso.

“Não quero pensar em tantas coisas inúteis! É muita informação de uma vez! Não podemos pular logo pra parte legal?”

Então, você está olhando para o termo “categorização” e dizendo para você mesmo, eu já sei isso. Eu sei o que eu quero.

...sabe mesmo?

“Como os gêneros podem me ajudar? Isso não é pura invenção de editoras e livrarias? Mas eu quero escrever ficção para todo mundo! Quero que meu quadrinho seja amado por crianças, jovens e adultos! Não deveria haver limites!”

O GRANDE “AI”: “O triste fato é que se você mira em todo mundo, acaba não acertando ninguém.”

Um sucesso entre vários tipos de público é uma ocorrência feliz em qualquer campo do entretenimento, mas, ironicamente, os GRANDES sucessos são extremamente focados em públicos específicos. Enredos apertadamente amarrados com precisão mortal. È útil pelo menos considerar as teorias comuns de marketing, especialmente nos quadrinhos, que é uma mídia tão visual. Como nos filmes, o público para o qual você direciona afeta o design gráfico da publicação, o enfoque nos temas, a execução dos personagens, e a complexidade da trama.

O público-alvo é um campo do mercado-alvo na propaganda. Você o verá sendo prontamente discutido, no que se aplica a produtos, vendas, e tráfego na web. È um ponto de partida comum. Você se lembra das suas aulas de Português no ensino médio, ou mesmo no ensino fundamental? Uma das primeiras coisas que lhe dizem para fazer quando está escrevendo qualquer tipo de trabalho é considerar a sua voz narrativa no que diz respeito a com quem você fala! Você tem de começar por aqui? Não. Eu geralmente gosto de pensar em alguns conceitos e fazer um brainstorm antes, mas o ponto é – é uma boa coisa considerar para quem você está escrevendo. Isso pode ajudar a determinar sua abordagem e focar seus esforços.

Goste você ou não, há alguma verdade em estatísticas e generalizações, e enquanto você não as tome como regras absolutas, elas podem ser uma parte útil do quebra-cabeça. Por exemplo: você não encontrará normalmente uma garota pré-adolescente folheando avidamente exemplares de Batman: Pretérito Futuro ou Blade: A Lâmina do Imortal. Da mesma maneira, você normalmente não encontrará um homem de 40 anos tirando ansiosamente um fichário Lisa Frank da prateleira ou apertando um volume de Vampire Knight contra o peito (e caso você encontrasse, eu aposto que provavelmente ficaria encarando. A não ser que o homem de diga algo do tipo “Finalmente encontrei! Minha filha ficará tão feliz!”, aí tudo bem).

Há, com certeza, várias vantagens em abordar mentalmente o seu quadrinho dessa perspectiva do “marketing”, mas não é necessário se prender a ela. Você não deve se sentir restringido ou sufocado quando considerar todas as diferentes maneiras de contar e vender sua história. Antes, olhar todos os gêneros e considerar o público alvo deve ajudar a abrir um pouco a sua mente. Se você tem uma história, você deve considerar a melhor maneira de contá-la. Qual estilo de história melhor se aplica ao material? Em que tipo de ambiente o seu personagem em particular se desenvolveria? Em que era ele está vivendo, e como isso molda as circunstâncias à sua volta? Qual seu sistema de crenças? Muitas das coisas que determinam o gênero são os aspectos Quem, O Quê, Quando e Onde da sua história.

Gêneros, ou categorias, são uma sacola de surpresas. À medida que o tempo avança, surgem vários tipos de novas combinações. Nada fica muito claro e definido quando colidimos e esmagamos gêneros ou os colocamos em um liquidificador e apertamos o botão de fazer “Purê”.

Nos bons tempos do século XX, a ficção estava dividida bastante distintamente nos gêneros histórico, policial, romântica, geral e literária. Agora, tudo está ramificado em todo tipo de sub-gêneros e, em alguns casos, em gêneros totalmente novos!

Gêneros são como uma caixa de giz de cera. Sua introdução a eles pode ter sido uma caixa de brinde da Pizza Hut apenas com as cores primárias – vermelho, azul e amarelo. Você os usou e misturou e se divertiu bastante com eles antes de entrar na primeira série com uma melhorada caixa de 12 cores de Crayolas.

Mas não pare por aí! Eventualmente, você passa para a terceira série e lá está, a caixa de 64 cores de Crayolas! Eu não acho que a Crayola havia imaginado rosa-festança como uma cor quando começaram a produzir seus gizes, ou mesmo macarrão, mas hoje as cores estão lá para que você use de novas e interessantes maneiras. E, é claro, você pode sempre combinar cores incomuns e até rabiscá-las juntas, torcendo para que saia algo legal e contemporâneo e não uma horrenda sujeira marrom-esverdeada. Quando estiver experimentando com gêneros, você dá sorte algumas vezes. E algumas vezes, a excitação do experimento já vale o risco. Senão, sempre há as caixas de 600 cores no futuro, se você ousar criar a sua.

“Bem, e que tipos de gêneros existem por aí hoje em dia?”

Bem, você sempre pode abrir vários livros para saber quais são os gêneros que estão por aí. (Aposto que você já conhece vários deles inerentemente.) Comece a visitar a sua biblioteca local se você é como eu e gosta de chegar aos livros do jeito normal. Caso contrário, a maioria dos sistemas de busca lhe mostrará enormes listas de gêneros e dos mais viajantes subgêneros.

Você pode procurar por ficção de gêneros e gêneros de filmes, até gêneros de mangá e de histórias em quadrinhos. Existe, como você deve imaginar, muita sobreposição e hibridização dos gêneros e subgêneros.

Tirei do livro de Nancy Lamb, The Art and Craft of Storytelling, uma lista de algumas das categorias atuais da ficção de gêneros:

- Ficção em geral = nome abrangente para histórias bem contadas que não se encaixam bem nos outros gêneros.
Literatura para garotas, drama doméstico, Esportes, Lliteratura sobre Vampiros, LGBT, Humor, Histórias de Guerra, Melange

- Ficção histórica = ênfase carregada na pesquisa histórica, imbuída de uma textura fiel à época da história.
Romance, Thriller de Detetive, Aventura, Saga Familiar, Drama, Saga Histórica em vários volumes

- Romance = foco no relacionamento; leitores querem ler sobre amor.
Criaturas da noite, Romance histórico, Romance regencial, Romance paranormal, Romance LGBT, Romance de inspiração, Romance contemporâneo

- Mistérios e Thrillers = devem prender a atenção do leitor; o escritor deve prover “pistas” para soluções.
Detetives, Mistérios em cidades pequenas, Cristão, Noir, Investigação forense, Policial, Tribunal/Advogados, Mistério LGBT, Histórico, Thriller, Histórias de fantasmas, Terror, Espionagem

- Ficção Científica = normalmente imaginada em um cenário de alta tecnologia, e/ou com conhecidos elementos da ciência.
Apocalíptica e pós-apocalíptica, Cyberpunk, FC feminista, FC Cômica, Primeiro contato, Colonização, FC Militar, Viagem no tempo, Steampunk

- Fantasia = glorificação do espírito humano, dramatizada por meio de um conflito; comumente com criaturas mitológicas e de contos de fadas.
Fantasia heróica, Lendas Arturianas, Fantasia sombria, Fantasia urbana, Fantasia alternativa, RPGs, Fantasia científica, Mundos imaginários

- Autobiografia e Memórias = histórias de luta e triunfo de pessoas reais.
Superação, Política, Familiar, Celebridade, Viagem, Sobrevivência, Vidas extraordinárias, Confissão e conversão, Memórias espirituais, Memórias de escritores

- Novo jornalismo = termo “guarda-chuva”, que abrange trabalhos que usam pontos de vista pessoais para reportar eventos.

- Ficção literária = presta atenção especial ao estilo da prosa, ao tom e ao uso lingüístico enquanto trata de um assunto sério ou épico; controverso no sentido de que alguns o consideram intelectualmente superior, mas é na verdade um termo global que renega a categorização, sendo aplicado para quaisquer tipos de trabalhos extraordinariamente escritos.

Você pode encontrar várias listas desse tipo se tentar procurar. O que mais importa, no fim, é colocar seus intensos, conflituosos e emocionais personagens num mundo onde você possa criar uma história para fazer o seu público se interessar por e simpatizar com eles. Você quer o seu público emocionalmente envolvido, mas primeiro você tem que conquistá-lo.

“Quais são as minhas características mais fortes (na história) e como posso usá-los para meu melhor proveito?”.

Eu com certeza encorajaria todos a mergulharem nos gêneros de filmes e literários, já que existem livros inteiros dedicados a gêneros específicos. Uma vez que você escolha a abordagem do seu quadrinho, poderá focar profundamente nos detalhes e no design. Porquê? Quem se importa? Nas palavras de Jamie Scott Bell, “Conheça as convenções dos seus gêneros, e sempre adicione algo novo.” Estar familiarizado te dará o poder para empunhar suas ferramentas, para torcer e inverter as convenções e, o mais importante, para sentir confiança na sua abordagem ao contar a sua história.

Tudo que estou dizendo é que se você explorar gêneros e públicos com afinco, você tenderá a ter um ponto de vista mais focado nos tipos de história e até uma visão mais clara de como você quer contar a sua história, especificamente. Não quero dizer que gêneros o prendem; mas eles têm potencial para dar foco aos processos do seu pensamento. NENHUMA história tem apelo com todo mundo. De acordo com a maioria das fontes, tentar atingir a todos é uma “falha de amador”. “Mire em todo mundo e não acertará ninguém” é um ditado comum na indústria.
Todos os escritores devem ler. Todos os bons escritores são leitores dedicados. Já que os quadrinhos são um híbrido tão interessante de storytelling visual/cinemático E escrita, isso de certa forma compele o aspirante a quadrinista a mergulhar em mares de livros, borrifando seu tempo livre com contos e histórias curtas, absorvendo seqüencias visuais de filmes e peças de teatro, e explorando os mais variados tipos de quadrinhos.

*Nunca esqueça que o público-alvo influencia a natureza visual e o design gráfico dos quadrinhos. É uma idéia-chave, e um pouco diferente dos livros e contos. Pessoalmente, eu sempre considero toda a composição do que entra nos quadrinhos (inclusive o design) mais em sintonia com o cinema e o teatro, então vale muito a pena se aprofundar também nos gêneros cinematográficos.
Obrigado por ler, e lembre-se: é apenas alimento para o pensamento. Existem diferentes abordagens para tudo. Mesmo que não seja o seu método favorito, qualquer coisa pode servir como exercício mental.

Este texto foi originalmente publicado aqui: Parte #0 e Parte #1 , em inglês.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Exposição do filme "Lanterna Verde"



Não percam a exposição temática do filme "Lanterna Verde" que a Ânima montou no saguão de entrada do cinema do Shopping Valinhos, com trabalhos de alunos e professores retratando cenas, personagens e situações do filme baseado nos quadrinhos da DC Comics!

A partir de terça-feira, dia 16 de agosto de 2011, na semana de preparação para a estréia do filme!

Endereço do Shopping Valinhos: Rua Paiquerê, nº 200 - Valinhos/SP
http://www.shoppingvalinhos.com.br/

O horário de funcionamento é das 10h00 às 22h00. Confiram!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Criando uma História em Quadrinhos - Parte 1

Este texto foi originalmente publicado aqui: Parte #0 e Parte #1 , em inglês. Como é um texto muito longo, decidimos publicar aqui no blog em duas partes. Em breve a continuação! Fique de olho!

CRIANDO UMA HISTÓRIA EM QUADRINHOS

#0: Por onde eu começo?

Você gosta de histórias. Você quer contá-las.
Mas é mais do que isso, não é?
Você quer construí-las.
Quer que outros sintam e vivam sua história.
Contamos histórias todo dia em conversas, mas como podemos transformá-las em arte seqüencial?

"Por onde eu começo?"

Palavras, palavras e mais palavras!

Em muitos sentidos, os quadrinhos, ou seja, arte seqüencial, lembram a arte de fazer filmes. Toda história em quadrinhos tem seu próprio design e seu próprio estilo de “direção”, até no modo como os personagens pensam e agem. A arte dos quadrinhos tem sido sempre ligada a domínios como o do storyboarding ou do design gráfico. Apesar de a linguagem comumente usada incluir o termo “romance” (como em graphic novel, ou “romance gráfico”), o típico estilo de escrita de romances deve ser adaptado aos quadrinhos do mesmo modo que é remodelado para um roteiro de cinema ou TV. Quadrinhos não envolvem apenas os pensamentos e sentimentos de seus personagens, mas também incluem ações específicas para mostrar suas emoções. Mesmo se você está mostrando um personagem introvertido que fala (e pensa) consigo mesmo, você deve criar uma fluência lógica para tal solilóquio ocorrer e adicionar recheio ao enredo.

Quadrinhos são parentes de livros e romances, mas ao mesmo tempo não são exatamente livros e romances. Eles são adaptações dessa mídia intimamente relacionada a eles. Você pode escrever seus quadrinhos primeiro em forma de prosa? Claro que pode! Mas você deve estar equipado com o conhecimento de que as duas mídias podem ter também suas diferenças drásticas. O que pode funcionar num romance talvez não seja o melhor e mais prudente modo de se mostrar numa HQ.

Deixando de lado as questões de storyboard e fluência de painéis por enquanto, focaremos nossa atenção em todo o intimidador processo de criação de uma HQ – contar uma história com palavras e imagens. Onde começamos a procurar por uma boa história para contar? Você simplesmente mistura suas preferências numa maçaroca ficcional? Adiciona uma auto-inserção espertalhona e torce pelo melhor, afinal, quem não se identificaria com você? Ou simplesmente corre para comprar todos os livros que você conseguir encontrar sobre escrita?

Existe uma imensidão de maneiras de se fazer isso, e sem dúvida existem várias diferentes camadas na escrita de uma história. Vá a apenas uma livraria e você se defrontará com paredes de livros com assuntos variando entre estrutura, caracterização, diálogo, e por aí vai. Talvez você jogue suas mãos para o alto e se arraste até a cafeteria para achar alguma revista interessante. Talvez você mande para baixo um café ou dois, irritado e perturbado com a idéia toda. Por onde você começa?

A verdade é que você pode começar por qualquer lugar – até mesmo seu próprio quintal! (Um tesouro escondido, talvez? O X marca o lugar!) Não precisa ficar bom logo no começo, desde que você comece! Alguns de vocês talvez se agarrem à antiga e famosa declaração “Eu escrevo para mim mesmo”. Essa é uma maravilhosa declaração, e eu não a critico nem um pouco. Todo mundo que pintou com os dedos já experimentou a imensa satisfação que vem do processo de simplesmente criar. Entretanto, esteja você escrevendo para si mesmo ou para algum público, eu acredito que ainda vale a pena pelo menos considerar a questão de escrever/contar histórias por diferentes perspectivas.

Então, foquemos nosso esforço aqui. Sobre o quê exatamente queremos falar? Podemos destilar essas várias complexas questões em um simples plano de princípios que podemos relacionar aqui e agora com fazer quadrinhos? Vamos tentar. Manteremos isso bem amplo e dividiremos em seções. Refletiremos sobre nossos próprios interesses e experiências. Daremos uma olhada em gêneros, demografia e públicos-alvo. Mais tarde, meditaremos sobre que tipos de técnicas de brainstorm temos por aí – conceituação, fluxogramas e esboços – e veremos qual deles funciona para você. Mais tarde ainda, falaremos sobre personagens, a ilusão de vida, e escrita com público definido. Consideraremos a idéia dos quadrinhos não apenas da perspectiva de um escritor, mas também do ponto de vista de um designer conceitual.

Vamos começar!

#1: Gênero e público-alvo

“É mais fácil acertar seu alvo quando você abre os olhos e mira.”
– anônimo

Deixe-me perguntar algo.

Quando você entra numa loja de roupas, tem uma idéia geral de qual é o tamanho que você usa? Bem, então. E quanto ao seu estilo? Você tem uma seleção relativamente definida no seu armário, talvez nada mais do que jeans desbotados e camisetas com bolsos? Ou possui uma chamativa diversidade de roupas de designers, variando de couro de alta qualidade a tweed a cetim? Você é do tipo que nunca usa vestidos? Talvez você sempre use azul. Você se define como: Gótico? Punk? Mauricinho? De negócios? Casual? Sexy? Peculiar? Excêntrico? Há um rótulo ou estereótipo pessoal que vem espontaneamente à sua mente?

Quem é você?

Seja você quem for, eu aposto que provavelmente tem pelo menos alguma idéia de qual é o seu estilo pessoal de roupas. Quando você entra naquela ousada loja de departamento ou naquela loja de roupas econômica mas especial, você geralmente usa seus olhos para determinar se o estilo, cor e corte de algum item combina com você. Depois de ter achado aquela camisa “bonitinha” ou aquela jaqueta “liiiinda”, a maioria de vocês se dirige aos provadores para testar de perto, porque mesmo que aquela peça fique boa no manequim, o espelho pode contar uma história bem diferente.

Agora, e quanto aos seus livros? Seus filmes? Sua música? Seus quadrinhos? Você se encontra gravitando em direção a um certo gênero ou categoria? Ou talvez simplesmente tenha noções pré-concebidas quando vê propagandas ou capas de livros. Você exclui de cara aquele “filme de machão”? Revira os olhos com aquele filminho água-com-açúcar para garotas? Ou tem vergonha de admitir que adora aquele livro super romântico? Quem é você como espectador ou leitor? Pode parar por um minuto e classificar a si mesmo, ou notar os padrões no seu próprio comportamento? Além disso, pode olhar em volta e determinar quais os tipos de pessoas que o rodeiam? E do que é que eles gostam?

Ok, então para onde vamos com tudo isso? Bem. Esse artigo não tem a intenção de ser um guia definitivo para tudo que está lá fora, nem é uma brincadeira de “amarelinha” com todos os passos certos definidos para se fazer quadrinhos. Ao invés disso, pegaremos alguns conceitos categóricos da escrita, dos filmes e do marketing, para misturarmos aos nossos pensamentos e, esperamos, darmos ignição à bateria que energiza nossas mentes criativas.

Leia aqui a segunda parte do texto: Parte 2