segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Entrevista com Maurílio DNA sobre a Ação Magazine





Nos moldes das antologias japonesas como a famosa Shonen Jump, essa iniciativa criada pelo quadrinista Alexandre Lancaster pretende publicar um mix de mangás e medir o sucesso de cada um junto ao público – que decidirá quais histórias continuam e quais devem sair. O primeiro número já está nas bancas e tem três novas séries produzidas no Brasil: Madenka, de Will Walber (lutas em um mundo repleto de criaturas do nosso folclore), Jairo, de Michele Lys, Renato Csar e Altair Messias, (um lutador de boxe em busca da medalha de ouro nas Olimpíadas de 2016), e Tunado, de Maurílio DNA e Victor Strang (história sobre rachas de carros, uma coisa tipo Velozes e Furiosos).


Os próximos números trarão a estréia de mais três séries: Rapsódia, de Fábio Satoshi Sakuda e Carlos Sneak (fantasia em que um bardo de um povo mitológico caça gigantes que atormentam seu mundo), Expresso, do próprio Lancaster (aventura steampunk sobre um inventor adolescente que enfrenta ameaças no Brasil do começo do século XX), e Arcabuz, de Márcio Gonçalves e Roberta Pares Massenssini, (aventura de capa e espada na era da União Ibérica).

A professora Gisela Pizzatto entrevistou alguns dos artistas da Ação Magazine sobre a produção de suas histórias. Nesse post, confira a conversa com Maurilio DNA, desenhista de Tunado e professor do curso de Mangá na Ânima Academia de Arte.



Como surgiu a oportunidade de fazer parte da revista?

DNA - Conheci o editor Alexandre Soares (Lancaster) na comunidade de artistas DeviantArt. Conversamos a respeito do projeto desde 2006, quando tive a idéia de fazer o Tunado (trabalho que está na Ação). Desde aquela época ele falava a respeito dos planos de fazer uma revita mix nos moldes das publicações japonesas, algo nunca feito no Brasil.

Você poderia falar um pouco do mangá que fez para a Ação Magazine? Foi um trabalho em conjunto com outros artistas, não é?

DNA - Tunado é uma história sobre rachas de rua. Daniel Kawasaki, o protagonista, é um garoto que adora carros. Ele tem como ídolo seu tio, um famoso ex-corredor de Stock Car cuja carreira foi encerrada devido a um acidente que o deixou paraplégico. Movido pelo desejo de suceder seu tio, o tímido Daniel começa a forjar sua carreira em rachas de rua, assim como seu ídolo havia feito antes dele. Junto comigo trabalha Victor Strang. A criação da história é minha, o desenvolvimento é um trabalho conjunto, mas ele é mais responsável pelo roteiro. Nós já fizemos algumas histórias juntos antes.

Qual a parte mais difícil do trabalho de mangaká?

DNA - Eu elegeria DUAS partes mais difíceis: criar uma história bacana, que seja interessante e agrade. A segunda é FAZER o mangá em si. Um desenho bem feito, caprichado e bem acabado da muito trabalho MESMO. Numa história como a nossa, não podemos relaxar em detalhes como nos carros e nos cenários. É realmente muito trabalhoso.

E a parte mais fácil?

DNA – Acho que posso dizer que, com o advento dos computadores e dos programas para criar mangás, algumas coisas como fazer requadros e aplicar retículas, tornaram-se muito mais fáceis de se fazer do que seriam se feitos à mão, no original de papel.

Ser mangaká é hobby ou profissão? Resumidamente, como você se tornou um mangaká?

DNA – Eu sempre amei desenhar e, diferente do que muitas pessoas fazem, não parei e fui fazer cursos. Dentre os desenhos que assistia na TV, eram os japoneses que me agradavam mais. Quando vi AKIRA nas bancas pela primeira vez, me arrebatou. Foi quando decidi ser desenhista de profissão, e quando o mangá se tornou parte de mim. A profissão veio, tomando o lugar do hobby, anos mais tarde quando passei a dar aulas e fazer ilustrações profissionalmente. A consolidação veio na publicação da revista "FRONT Especial 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil", onde eu publiquei uma história de mangá MESMO.


Quais suas principais influências artísticas?

DNA – Katsuhiro Otomo (AKIRA), foi e é minha grande influência. Depois dele, passei a gostar e procurar seguir artistas como Takehiko Inoue (Vagabound!), Takeshi Obata (Death Note), e Oh! Great (Tenjou Tenge), entre outros.

Você tem algum conselho/dica para quem está iniciando?

DNA – Do ponto de vista técnico, um bom mangaká tem que dominar muito anatomia, luz e sombra e perspectiva. Não pode ter preguiça de fazer cenários, nem se abater diante do enorme trabalho que dá fazer um mangá bem produzido e caprichado. Deve praticar sempre e não ficar "esperando ser bom" para arriscar fazer suas histórias. A produção de uma história é a melhor maneira de evoluir no trabalho, e as criticas que possa receber são fundamentais para a evolução do artista. É preciso ler muitos livros, revistas, outros estilos de histórias em quadrinhos, procurar ser criativo e sair do comum, para criar histórias interessantes e que sejam, a princípio, um pouco diferentes do que já é feito. E, por favor, parem de fazer histórias com personagens e nomes japoneses!!! A gente mora no Brasil! O protagonista, Daniel, é descendente de japoneses, mas ele tem nome brasileiro, pode até ser parecido com algum conhecido seu...

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Maurilio DNA nasceu em Campinas (SP) e atualmente reside em Holambra (SP), onde trabalha como ilustrador freelancer e ainda dá aulas de mangá na Ânima Academia de Arte, em Campinas.

Conheça mais sobre o seu trabalho: http://mauriliodna.deviantart.com/

Um comentário:

Elba Mara Mendonça disse...

Gostei da intrevista, principalmente a clássica pergunta, do que tem que fazer. É basicamente o que penso, mas não é facíl para o artista aceitar .