O texto a seguir foi escrito pelo artista Dan Panosian em seu diário no site DeviantArt, e você pode ler o original em inglês aqui: http://urban-barbarian.deviantart.com/journal/Breaking-Into-Comics-Part-One-223580180
O texto foca mais nos quadrinhos americanos, mas com certeza tem várias dicas interessantes para desenhistas de mangá e artistas em geral.
Veja as outras partes do texto aqui:
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Veja as outras partes do texto aqui:
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Entrando no Mundo dos
Quadrinhos
Como a maioria dos artistas de
quadrinhos (ou artistas profissionais de qualquer tipo), eu ouço várias
perguntas do tipo “Como consigo entrar nesse mundo?”. Não importa o quão
talentoso você é, as respostas são mais ou menos universais.
Vou escrever uma série de diários
que tratarão dessa questão passo a passo. Desde tomar a decisão crucial de
fazer disso uma carreira, até conseguir manter um ritmo constante de trabalho.
Parte Um: Desenvolvendo seu crítico interior
Você já desenha há algum tempo e
todos os seus amigos e família acreditam que você poderia “viver disso”. E
finalmente você decidiu que ganhar dinheiro desenhando vai te deixar feliz e
pagar suas contas. OK, e agora? Como você consegue seu primeiro trabalho e põe
fogo no mundo?
A primeira coisa que você deve
fazer é examinar criticamente seu próprio trabalho. Esse é o passo mais
importante. Sua arte está pronta para ser publicada ou você ainda precisa
trabalhá-la bastante antes disso? Bem, contrariamente ao seu impulso – que
seria conseguir a opinião de um profissional ou do seu melhor amigo/maior fã –
você deve olhar para o seu interior. Você na verdade sabe a resposta. Eu espero que saiba. Quer dizer,
você quer fazer disso uma carreira, certo? Então, idealmente, você praticou
desenho por horas a fio. Talvez tenha freqüentado uma escola de arte. Independente
de como você conseguiu suas habilidades no desenho, espero que você tenha algum
nível de bom gosto para arte.
O que você deve fazer: desenhe
CINCO páginas de quadrinhos. Se não conseguir um roteiro, use sua imaginação ou
redesenhe uma parte de alguma história antiga da qual você se lembre. Ninguém
irá contratá-lo baseado no quão bem você desenha uma capa ou pin-up. Você
precisa desenhar páginas de amostra. Talvez você não saiba quais ferramentas
usar? Oh-oh... Adivinhe? Você
precisa desenhar mais. Porque assim você descobrirá quais funcionam melhor para
você. Perguntar para seu artista favorito qual lápis ou caneta ele usa não é a
resposta. Porque não é o lápis, é a pessoa por trás dele que o faz funcionar.
Você precisa desenvolver seu próprio estilo e isso quer dizer que você precisa
crescer como artista e experimentar ferramentas até que seu desenho saia do
jeito com o qual você, pessoalmente, esteja satisfeito.
Já terminou? Òtimo. Agora, pegue uma revista em quadrinhos típica. Não uma desenhada pelo Alex Ross, Mike Mignola ou Sean Murphy. E nem uma que seja desenhada por alguém famoso por ser ruim. Não. Pegue uma mais normal, ou algumas delas. Títulos regulares da Marvel ou da DC que vendam decentemente. Aí está sua referência. Sua resposta está bem aí. Olhe para a revista na sua frente e se pergunte: “Eu consigo desenhar tão bem quanto esse artista?”. Você pode desenhar tudo que ele ou ela desenhou com a mesma competência? Não necessariamente no mesmo estilo, mas com o mesmo nível de profissionalismo? Essa é a solução. Você sabe desenhar carros direito? Pode desenhar um cachorro, um gato ou um elefante? E que tal um telefone? Porque os roteiros que você conseguir exigirão que você desenhe de tudo. Seu nível de desenho não é medido pela sua habilidade de fazer o Batman pendurado numa gárgula sobre Gotham City.
Então, agora você já se perguntou
a difícil questão. Se você respondeu “sim”, está pronto para avançar para a
Parte Dois. Se você respondeu “não” (o que requere bastante maturidade da sua
parte), terá que se perguntar: Por quê? Quais habilidades estão lhe faltando? É a narrativa? È anatomia? Talvez
você só tenha desenhado figures humanas e nunca um cenário. Talvez só faça
figuras humanas olhando para a frente.
Basicamente você deve atentar
para os seus pontos fracos. “Mas como?”, você pode perguntar. Boa notícia: há
um livro para você. É chamado “How to
Draw Comics the Marvel Way” (Como Desenhar Quadrinhos no Estilo Marvel).
“Ah nããããooo”, você talvez diga. “Esse livro parece ter sido feito há mais de trinta
anos, ninguém mais desenha assim! Eu quero desenhar como o Jim Lee ou o Jeffrey
Scott Campbell!”
Tudo o que você precisa saber
está dentro daquelas páginas. Tudo. Se você puder dominar aquele livro (e
poucos podem), você se tornará um artista excelente. Não se preocupe, você não
terminará desenhando como John Buscema. Você será influenciado por ele, mas
apenas de uma maneira boa. Seu estilo aparecerá (a não ser que você
conscientemente tente desenhar como ele). É como as pessoas que dizem que não
querer levantar peso porque não querem que seus braços fiquem muito grandes...
Ah, se fosse tão fácil. Não, estudar aquele livro te dará uma base muito forte
para se tornar um bom artista de quadrinhos. Goste você de mangá ou de arte e
narrativa abstratas do tipo do Ted McKeever, não importa. Você não precisa de
um livro chique de perspectiva ou de desenho de figura humana.
E também não machuca freqüentar
aulas de modelo vivo. Mesmo que o seu trabalho seja cartunizado, desenhar de
modelos vivos melhorará sua arte de um jeito que você nunca imaginou. Todos os
melhores cartunistas praticaram com modelos vivos. Não se engane pensando o
contrário. Aqui está o truque: não se preocupe se você for terrível no começo.
E não vá a essas aulas para ficar na sua zona de conforto. Tente seriamente
desenhar a figura humana usando tons de cinza. Usando sombras. Desenhar a
figura como um cartum não o ajudará a entender melhor a forma. Desenhar o que
você vê, realisticamente, ajudará. Então, pegue o que você aprender com isso e
aplique no seu estilo cartunizado depois. Você será surpreendido pelo
resultado. Aliás, já vi muitos “artistas profissionais” intimidados demais para
tentar isso. É uma vergonha.
Eles usam qualquer desculpa. É patético e eles ficam se perguntando por
que suas habilidades ficam estagnadas. Não seja covarde e se apóie em coisas
que já sabe. Se quiser melhorar, ouse errar. A cada vez que você tentar, os
resultados melhorarão. Eu ainda tenho muito o que melhorar como artista e
resisti aos modelos vivos por muito tempo. Finalmente, resolvi dar esse salto! E adivinhe – eu fui péssimo. Foi embaraçoso.
Mas a cada vez eu melhorei um pouco, e ainda estou melhorando. Nada
ajudou mais o meu desenho.
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Confira os próximos posts do blog para ver a continuação do texto!



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