segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Entrando no mundo dos quadrinhos - Parte 2


O texto a seguir foi escrito pelo artista Dan Panosian em seu diário no site DeviantArt, e você pode ler o original em inglês aqui: http://urban-barbarian.deviantart.com/journal/Breaking-Into-Comics-Part-Two-223463754
O texto foca mais nos quadrinhos americanos, mas com certeza tem várias dicas interessantes para desenhistas de mangá e artistas em geral.


Veja as outras partes do texto aqui: 
Parte 1
Parte 3
Parte 4
Parte 5

Entrando no mundo dos Quadrinhos

Parte Dois: Passos de Bebê

Vamos te conseguir um trabalho. Digamos que você não tem oportunidade de ir até Nova Iorque (ou onde quer que seja que a editora de revistas ou livros em quadrinhos está localizada) – como você pode ser contratado? Amostras. Você precisa de ótimas amostras para ser notado.

Todo editor de quadrinhos tem uma boa gama de talento ao seu dispor. Se um artista não consegue cumprir seus prazos e eles precisam achar um substituto, ou se uma nova revista está precisando de um desenhista, eles têm uma agenda de telefones cheia de números para chamar. Idealmente, você quer estar nessa lista. Como fazer isso? Você tem de impressioná-los. Tem de impressioná-los a ponto de eles quererem ligar para você ao invés de outro artista em atividade. O problema é: você não tem a experiência que esses caras têm. Isso deixa as coisas um tanto difíceis...

Então vamos rebobinar um pouco. Talvez começar com a Marvel, DC, Dark Horse ou Image não seja a primeira coisa a se fazer. Você precisa de amostras e as suas amostras só melhoram a medida que você cria mais e mais delas. Todos nós temos pelo menos umas cem páginas “ruins” dentro de nós. Pois é, elas estão lá e só há um jeito de fazê-las sair. E não é desenhando mais pin-ups da Poderosa. Você precisa fazer páginas de quadrinhos. Elas forçam você a desenhar coisas com as quais não está acostumado. Elas te ajudam a ver as coisas através de uma perspectiva diferente e a explorar e expandir seu talento de formas que desenhar uma “gostosona” ou “Wolverine flexionando seus músculos e mostrando suas garras” não ajudará. Desenhar uma página com um quartel general secreto ultra-tecnológico num quadrinho e Alfred, o mordomo, numa cozinha normal no painel seguinte... As primeiras parecerão OK num primeiro olhar, mas as maiores chances são de que elas estarão “ruins”. Não se desespere. A prática de fato faz a perfeição. Você precisa começar de baixo e ir construindo. Talvez você tenha de começar bem de baixo. Mas não importa quão pequeno o serviço – você estará dando um passo na direção certa. Esse é o elemento central em questão. Passos de bebê, um levando ao outro, um serviço pequeno depois do outro.

Só o seu trabalho o levará para um próximo nível. Se ele não o levar adiante ou não lhe conseguir um serviço melhor, isso significa que você deve se esforçar mais. Aqui vai o meu conselho para você: quando você está começando, pegue esse serviço terrível, não importa o quanto ele pague. Se ele te paga 5 dólares, trate-o como se pagasse 5000! Porque, no final desse trabalho, você pode usá-lo para conseguir um que pague melhor. Você terá em suas mãos amostras que, esperamos, poderão impressionar um editor de uma companhia maior. Você terá experiência de trabalho. Você saberá o quanto demora para terminar uma página. Você aprenderá tantas lições com esse trabalho ruim, que você poderia ter pago por elas.

Dependendo da suas curva de aprendizado, talvez você precise de vários desses trabalhos. Talvez tenha de desenhar, arte-finalizar ou colorir várias edições antes de conseguir mudar para uma companhia maior. Mas aqui está o segredo, quando você estiver pronto, estará PRONTO. Se suas amostras não estiverem à altura, você saberá, porque não será contratado. Por isso é que eu disse: sempre faça seu melhor trabalho, em todas as chances que você tiver.

Fazer apenas o suficiente para terminar o trabalho não te ajudará em longo prazo. Forçar a si mesmo a trabalhar mais duro faz você crescer e melhorar. Eu conheci um artista que NUNCA fazia seu melhor trabalho. Ele estava sempre esperando alguém pagar a ele o quanto ele achava que merecia. Até hoje, ele ainda não fez seu melhor trabalho. Está dentro dele, em algum lugar, esperando... Mas aqui está a graça disso: que editor pagará a você uma quantia astronômica de dinheiro por algo de que eles nunca viram evidência? Onde está esse seu “melhor trabalho”? Não existe, porque você nunca foi pago o suficiente para desenhá-lo... Mas um editor não pode adivinhar do que você é capaz e assim pagá-lo de acordo com isso. Eles têm que ver alguns dos seus melhores trabalhos. Se seu trabalho for excelente, seu pagamento refletirá isso. Mas até você entregar trabalhos excelentes, você será pago com base no que está entregando no momento. Aquele velho ditado “você é tão bom quanto seu último trabalho” é bastante verdadeiro. E também é muito importante que, a cada trabalho que realizar, você mostra melhora.

Então, sempre desenhe usando o melhor das suas habilidades.  Da próxima vez que desenhar algo, terá essa experiência ao seu lado. Será mais fácil. E, é claro, você terá ótimas amostras para mostrar por aí, o que levará a coisas cada vez maiores e melhores!

Então, como você entra nas Grandes Três (ou Quatro)? Terá de beijar vários sapos no caminho. E esses beijos deverão estar transbordando de amor! Não poderá fingir. Ou então, não espere nenhuma mágica.

No próximo post, discutirei como apresentar suas amostras e em que quantidade. Até lá!

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