segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Entrando no mundo dos Quadrinhos - parte 4

O texto a seguir foi escrito pelo artista Dan Panosian em seu diário no site DeviantArt, e você pode ler o original em inglês aqui: http://urban-barbarian.deviantart.com/journal/Breaking-Into-Comics-Part-Four-222995756
O texto foca mais nos quadrinhos americanos, mas com certeza tem várias dicas interessantes para desenhistas de mangá e artistas em geral.

Veja as outras partes do texto aqui: 
Parte 1

Entrando no mundo dos Quadrinhos

PARTE QUATRO: Publicação independente e trabalho em “spec”

Uma maneira de ser notado por editoras maiores é publicar sua própria revista em quadrinhos. Obviamente, isso requer uma grande quantidade de trabalho. Uma história precisa ser escrita, desenhada, arte-finalizada (opcional), colorida (opcional) e letreirada. Você também precisa de algum capital para pagar os custos de impressão e algum tipo de plano para distribuição. Mas o maior fator é o tempo que é necessário para a criação de material para uma história de tamanho publicável. Se você já terminou seus estudos, provavelmente está trabalhando em algum emprego para pagar suas contas. Administrar seu tempo de maneira apropriada para colocar uma revista nas ruas requer disciplina e paixão. Obviamente não é impossível, pessoas fazem isso o tempo todo com variados níveis de sucesso. A experiência ganha com essa empreitada é provavelmente equivalente a um ano de estudos.

Mas se você decidiu pular a etapa de avaliação de portfolio para conseguir trabalho numa das grandes editoras de quadrinhos, você deve estar pronto para aceitar os prós e contras dessa experiência. Por essa ser a sua primeira incursão no mundo da arte seqüencial, as chances de aclamação da crítica são baixas. Provavelmente seja uma boa idéia entrar nessa sabendo que essa empreitada é uma grande experiência de aprendizado. Certamente é. E, é claro, sempre existe a chance de que sua publicação independente dê certo e se torne, de fato, um sucesso. Entretanto, na maioria dos casos, a experiência o ajudará a criar amostras que um editor possa avaliar. Como mencionei, quanto mais páginas desenhar, mais você melhorará suas habilidades. Publicar uma história em quadrinhos forçará você a desenhar coisas que talvez nunca tenha desenhado (mesmo que você mesmo escreva a história).

O lado ruim de publicar uma revista em quadrinhos, sem experiência prévia de trabalho, é o tempo e a energia extras que serão necessários. Para ser sincero, você provavelmente não cobrirá seus gastos. Dito isso, talvez você decida trabalhar com especulação (spec). Também, deve-se perceber que um artista profissional que decida se auto-publicar tem uma chance bem maior de sucesso, tanto monetariamente quanto em termos de carreira. Estamos falando aqui dos prós e contras para o artista amador ou iniciante.

Trabalhar em spec significa trabalhar com a especulação de que (nesse caso) a revista em quadrinhos que você desenhou de graça dê lucro e a editora possa eventualmente te pagar. Entenda que trabalhar com especulação, em 99 de cada 100 vezes, quer dizer trabalhar de graça. Depois de mais de 20 anos no negócio de arte eu só fui pago em projetos de especulação uma vez. Já fiz tantos projetos em especulação (como muitos artistas) que eu geralmente tenho uma regra de NUNCA fazer esse tipo de trabalho. E se você é um artista profissional, eu sugiro fortemente que também nunca faça. Como um cabeleireiro não cortaria seu cabelo de graça, você não deve desenhar de graça para alguém. Seu talento tem valor.

O começo da sua carreira, no entanto, pode ser uma boa época para fazer esse tipo de trabalho, desde que você entenda que, mesmo com a promessa de pagamento posterior, você quase nunca será pago. A razão para aceitar esse tipo de trabalho é simples: a experiência de ter trabalho publicado. Simples assim. Como com a publicação independente, a experiência que você ganhará desenhando uma revista em quadrinhos de verdade não tem preço. Ao fim do processo, você já não será mais o mesmo artista. Poderá ter aprendido que nunca vai querer desenhar outra história em quadrinhos. Mas mais provavelmente aprenderá o que é que você precisa para melhorar. Aprenderá o que você faz bem. Aprenderá como resolve um obstáculo artístico com o qual não tinha se deparado antes.

Se você está considerando alguma dessas opções, eu pessoalmente tomaria o rumo da especulação (entendendo que isso significa trabalho de graça). Em ambos os casos você ganhará uma tremenda experiência de trabalho e amostras boas para mostrar para editores. A vantagem desse tipo de trabalho é que você não gastará nada do seu dinheiro para cobrir gastos de publicação. Desenhar uma revista em quadrinhos de graça já é difícil, pagar uma gráfica para imprimi-la é um custo que eu tentaria evitar de qualquer maneira possível.

A outra opção é trabalhar mais duro em cima de suas amostras. DeviantArt, seu próprio blog ou seu próprio site podem ser usados para promover seus esforços e aumentar seu reconhecimento. Há muitas ferramentas à sua disposição hoje em dia, a maioria delas gratuitamente. Faça total proveito delas e controle o seu sucesso artístico. Talvez você queira escolher um desses locais na internet para publicar uma página de história por semana. Ao final de 22 semanas, você terá o conteúdo de uma edição completa e um bom número de amostras viáveis de serem mostradas a um editor. Também estará construindo sua presença na Web. O bom disso é que seria quase como se auto-publicar, mas sem os custos de impressão. É algo para se pensar.

Por fim, a idéia é que você não será contratável até que seu trabalho melhore, e ele não melhorará a não ser que você desenhe mais páginas seqüenciais. O ditado popularizado no filme “O Campo dos Sonhos” tem poder de verdade: “Se você construir, eles virão”. O truque é construir algo para o qual valha a pena vir.

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