segunda-feira, 16 de abril de 2012

Entrevista com o prof. Israel Maia


O professor Israel com sua obra na parede da Ânima
Você já parou pra prestar atenção no incrível graffiti pintado na parede do estacionamento da Ânima? Pois é, não tem como não notar, certo?
Mas mesmo que você já tenha gasto uns minutinhos apreciando essa obra de arte, talvez não saiba muita coisa sobre o artista que a pintou, o nosso professor de Arte Urbana, Israel Maia, ou sobre o fato de ela ter sido vista no mundo todo depois de ter sido postada na internet.
Então, na entrevista abaixo o Israel fala um pouco sobre o seu trabalho e sobre a repercussão que teve esse desenho em particular, e você pode ver mais de seus trabalhos clicando nas imagens para ampliá-las.

O desenho que deu origem ao graffiti
Entrevista com Israel Maia

1 – Fale-nos um pouco sobre você: quem é, onde mora, sua idade, e o que mais quiser a
seu respeito.

Olá. Meu nome é Israel Maia de Barros Vitor Junior, tenho 25 anos e moro em Campinas-SP. Sou professor de arte, ilustrador e Artista Urbano. 

2 – Conte-nos um pouco sobre como se interessou pelo graffiti e como veio a trabalhar nessa área.

A primeira vez em que eu me lembro de ter reparado em um graffiti eu tinha por volta de 4 ou 5 anos, eu voltava do centro de Campinas de ônibus com minha mãe, e no caminho nós passávamos em frente a escola Orozimbo Maia na Av. Andrade Neves. No muro da escola havia um imenso polvo laranja graffitado com tentáculos todos retorcidos. Aquilo sempre me chamava a atenção, então sempre que eu passava por ali eu procurava ver o polvo laranja e ficava imaginando quem o pintou ali e por quê. Lembro-me que quando colaram cartazes naquele muro eu fiquei muito triste. Mas naquela época eu ainda nem sabia o que era graffiti, só fui descobrir essa forma de arte por volta no final dos anos 1990 quando houve um “boom”do graffiti em Campinas, de repente as ruas de meu bairro estavam abarrotadas de letras coloridas e desenhos. Na mesma época saiu pela editora Escala uma revista chamada Documento Graffiti, editada por graffiteiros, entre eles Binho Ribeiro, da marca 3º Mundo. Quando uma amiga que era envolvida com o movimento hip hop me apresentou a revista, eu fiquei extasiado, achei incrível o que aquelas pessoas faziam e um mundo novo de possibilidades artísticas se abriu diante de mim. Na época, era pouca gente que tinha acesso à internet e aquela revista foi minha principal formação, e após pesquisar um pouco resolvi que também queria fazer aquilo, pois a idéia de expor minha arte para quem passasse na rua, livre da aprovação de críticos de arte, me agradava muito. Então com 14 anos, junto com alguns amigos, fiz meu primeiro graffiti.  

3 – Você freqüentou cursos de arte? Comente sobre a sua formação artística.

Sim, eu fiz curso de Mangá e uma faculdade de Artes Visuais. Sabe, mesmo tendo iniciado minha produção artística antes de minha formação, eu não estava totalmente satisfeito com meu desenho e com alguns aspectos de minha técnica, não me sentia completo. O mangá me deu habilidades com o traço e com a proporção e a faculdade me trouxe uma bagagem cultural, me ajudou no raciocínio artístico e abriu meu entendimento para outras modalidades e movimentos artísticos.     

4 – Fale-nos um pouco sobre seu estilo e sobre suas influências.

Meu estilo é algo como Neo psy pop-art (acabei de inventar). Meu trabalho recebe muita influência da cultura pop, música, mangá e desenhos animados, sou um cara muito ligado no universo infantil e gosto de brincar com essa temática.

5 – Descreva para nós o processo do seu trabalho na criação de um graffiti.

Sempre procuro pensar no suporte que irá receber minha arte. Depois penso em uma temática para o trabalho, pesquiso algumas referências e parto para fazer um desenho já pensando nas proporções no suporte definitivo (geralmente um muro). Em seguida entram as cores: vejo quais cores de sprays tenho disponíveis e então pinto meu desenho com uma paleta de cores aproximada. Pinto em aquarela, nanquim ou computador. Depois parto para o suporte definitivo.

6 – Fale sobre como foi a repercussão do seu graffiti na parede da Ânima: onde e como ele apareceu, quais foram os convites da mídia, se ele já lhe rendeu outros trabalhos, etc.

O graffiti na Ânima teve uma repercussão incrível! Quando finalizei o trabalho postei uma foto dele em minha galeria no site DeviantArt (link), como sempre faço, e no dia seguinte quando fui conferir a arte já havia alcançado 7 mil favoritos. Na mesma semana, o repórter da revista britânica Rebel Imprint (link) entrou em contato comigo para uma entrevista e eu já havia recebido propostas para outros trabalhos de ilustração. Foi uma experiência incrível! Espero poder repetir novamente.

7 – Como você explicaria a diferença entre o graffiti e a pichação? Ainda existe preconceito por causa da comparação entre os dois?

Este é um assunto bem polêmico.
É um pouco confusa essa separação entre graffiti e pichação, pois ela só existe no Brasil! Sim, pois aqui entendemos por pichação as letras de traços únicos e rebuscados, geralmente inteligíveis, feitas com tinta spray ou látex e rolinho; e o graffiti como letras rebuscadas, na maioria das vezes também inteligíveis, mas mais trabalhadas, preenchidas com cores diversas e alguns desenhos acompanhando.
Percebe que esteticamente falando os dois são bem parecidos?
O que acontece que é que os dois surgiram juntos e possuíam motivações similares. Deixe-me explicar em detalhes:
O graffiti moderno surgiu na década de 70 nos guetos de Nova York, como inscrições que marcavam territórios de gangues (algo um pouco mais próximo da nossa pichação). Com o tempo, alguns membros começaram a competir entre si para ver quem fazia as letras mais trabalhadas e em lugares mais inusitados, e foi assim que foi surgindo o graffiti como conhecemos, pois apareceu uma preocupação de aprimoramento estético e artístico em algo que era tido como puro vandalismo.
Mas lá fora não existe o termo pichação, lá é tudo chamado de graffiti, o que muda é a atitude, se é ilegal ou legalizado.
O tipo de letra que chamamos de pichação surgiu no estado de São Paulo e se espalhou pelo país.     
Quando ao preconceito, está bem menor, mas há ainda algumas pessoas que te olham como um vagabundo desocupado, sem conhecimento ou cultura.

8 – Como é, no Brasil, o mercado para o tipo de arte que você faz?

Acredito que o Brasil é um mercado que ainda está se abrindo, não só para meu tipo de arte como para todos os outros tipos, mas ainda não compreendeu o real valor da arte. O mercado ainda anda muito interessado em uma arte decorativa. Ele precisa abrir mais os olhos para a Arte como manifestação cultural de um indivíduo.


***


E aí, se interessou? Venha conhecer o Israel e o curso de Arte Urbana da Ânima Academia de Arte!

2 comentários:

Elba Mara Mendonça disse...

nusssssssss nunca vi coisa mais perfeita! parece que foi imprimido na parede , seria muito bom se mais lugares tivesse os trabalhos de Israel que é super lindo, cheio de cores !!! *o* amei!

Teca Pizzatto do Prado disse...

Esse é o MEU PROFESSOR.
Preciso dizer mais alguma coisa?
Parabéns, vc merece isso e muito mais.
Teca.