sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Arte X Tempo


Este é um pedaço da autobiografia de Hokusai, escrito em 1835, com a idade de 75 anos.

Para quem não sabe, Hokusai foi um famoso gravurista japonês e este pedaço de sua biografia mostra que ele também estava bem consciente da magia do tempo...



"A partir de 6 anos de idade eu tinha o hábito de desenhar todos os tipos de coisas. E embora eu tivesse produzido inúmeros desenhos por volta do meu 50º aniversário, nenhum dos meus trabalhos feitos antes dos meus 70 anos realmente vale a pena. Aos 73 eu vim a compreender a forma dos animais, a verdade dos insetos e peixes e da natureza de plantas e árvores. Conseqüentemente, com a idade de 86 eu vou ter feito progresso mais e mais, e aos 90 eu terei chego mais perto da essência da arte. Aos 110 anos de idade cada ponto e cada linha estarão vivos."

A essência da Arte vem com muito estudo e dedicação, mas a observação da essência das coisas também é um ponto crucial para que o artista atinja um nível de excelência e diferenciação em seu trabalho.

A maturidade é algo que ajuda na observação desta essência, porque ao envelhecermos, ficamos mais pacientes, temos uma vivência maior do mundo e das coisas que nos rodeiam. Como artistas, fomos ensinados e levados a prestar mais atenção nas coisas a nossa volta, e esse tipo de atitude se intensifica com o tempo.


É claro que encontramos artistas brilhantes e muito jovens. Mas então imagine do que eles serão capazes mais para frente em suas vidas. Picasso é um excelente exemplo, quando adolescente ele já era um fenômeno e atração em sua cidade natal. Com os anos, ajudou a desenvolver um movimento artístico inteiro e marcou seu tempo e toda a História da Arte.

É preciso ter consciência de que faremos coisas lindas no decorrer de nossa vida artística, mas o principal é saber que, com estudo e dedicação, a experiência fará com que você produza coisas ainda mais únicas e especiais. Negar os trabalhos antigos é uma coisa muito comum entre os artistas: sentimos vergonha e detestamos o que fizemos num passado às vezes nem tão distante. Mas, uma dica, guarde esses trabalhos: você vai se surpreender em pouco tempo ao olhar para eles e comparar com o seu trabalho atual. Tanta coisa mudou! É possível observar a evolução, tanto técnica quanto intelectual, e perceber o quyanto ainda é possível evoluir. Afinal, a Arte não pára.

Por isso, quando perguntam a um artista "qual o seu melhor trabalho", a resposta mais correta e acertada seria "o próximo"!



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