segunda-feira, 25 de março de 2013

Técnicas de Arte Fantástica - por Boris Vallejo

Abaixo um pouco da história do ilustrador Boris Vallejo, e como ele iniciou seus trabalhos artísticos.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c4/BorisVallejo.jpg/220px-BorisVallejo.jpg
Boris Vallejo (1941 - ) é um peruano radicado nos EUA. Frequentemente trabalha com sua esposa, a modelo e ilustradora Julie Bell. Ele trabalha quase que exclusivamente com os gêneros fantasia e erotismo. Suas pinturas hiper-realistas já embelezaram dúzias de capas de livros de ficção científica e calendários. Muitas de suas pinturas englobam deuses da espada e feitiçaria, monstros e bárbaros e guerreiros musculosos envolvidos em batalhas. O Próprio Boris e sua esposa são usados como referências para algumas pinturas, visto ambos serem fisiculturistas.


Sobre seu início na Arte:

"Eu sempre tive facilidade para desenhar. Não consigo me lembrar de uma época em minha vida em que não estivesse desenhando ou pintando. Neste sentido, a arte sempre foi uma parte natural da minha existência. Quando decidi deixar a escola de Medicina e tive que escolher uma carreira, foi esta. Alguém me ofereceu um trabalho envolvendo trabalhos artísticos, e eu aceitei.

"Estive trabalhando profissionalmente por vários anos quando comecei a direcionar meus esforços para a Arte Fantástica (Fantasy Art). Eu tentei ilustrar livros infantis, de mistério, revistas masculinas e afins. Mas algo me cativou quando  tomei conhecimento da ilustração de fantasia. Estava envolvido em fisiculturismo por alguns anos e a arte fantástica me deu a chance de pintar homens musculosos e mulheres voluptuosas com a máxima nudez possível. Era o veículo perfeito para mim: sempre amei trabalhar com figuras humanas e animais. Isso me deu a oportunidade de fazer algo que gosto.


"Sobre a questão de como meu trabalho se relaciona ou reflete minha vida, eu respondo que isso não carrega um significado maior que este: eu amo corpos; eu quero pinta-los o mais belamente possível. Estou interessado no que posso fazer com uma figura, e quão bom posso fazê-lo, quão próximo da perfeição posso chegar. E, por 'perfeição', não quero dizer quão próximo da vida real ela é, mas, além disso, quão real para uma visualização mental pessoal. Eu me esforço não para apenas copiar a vida real,  mas em certo sentido, para ampliar isso. Alguém pode questionar a forma ou propoção de uma figura ou a fluidez de seus movimentos em uma pintura. Mas outro pode também, como um artista, curtir completamente uma figura em seus próprios termos, mesmo se imperfeita para os padrões contemporâneos.

"Alguns artistas autodidatas discutem o valor do estudo formal. Por um lado eu concordo que a experiência de pintar por si próprio é o professor mais efetivo. É possível aprender por disciplinar a si mesmo, cometendo seus próprios erros, e fazendo suas pinturas como se estivesse em um deserto, como um eremita. Por outro lado, nada pode substituir a sensação de fazer parte de uma comunidade de aprendizado com seus parceiros. Nada substitui a constante exposição ao trabalho de outros - tanto os melhores (dando a você um alvo para suas práticas) quanto os que não são bons (dando a você a sensação de que está em uma hierarquia, o quão longe você já foi e quanto precisa prosseguir).


"Bons professores podem apontar o caminho mais diretamente e partilhar suas experiências contigo. O que funciona para alguns, não necessariamente dá certo com outros.  O que eu ensino em livros e palestras funcionaram para mim. Tenho uma forte impressão de que as regras não são invioláveis. As regras existentes nada mais são do que ajudas para atingir fins pessoais. Com a experiência vêm as chances de enxergar novos caminhos, implementar novos significados e descobrir o que funciona melhor para você.

"Eu frequentei a escola de arte. Me tornei mais apto para estabelecer métodos e regras. Estudei e copiei as pinturas dos Velhos Mestres. Baseado nesse campo de trabalho inicial, o que me proveu uma enorme instrução foi observar pinturas originais de outros ilustradores. É de muita ajuda ver as pinceladas, o jeito que as cores são aplicadas, algo que a impressão gráfica da mesma obra não mostra.
http://www.faberartis.com/fantasy/1981/Boris%20Vallejo%20-%201981%20-%20The%20Triton%20and%20the%20Mermaid.jpg
"Vez ou outra as pessoas comentam sobre os meus originais: 'Oh, isso parece muito bom; parece até uma impressão'. Isso sempre me diverte porque sinto que, com raras excessões, o trabalho original contém muito mais que qualquer impressão. A sutileza da cor é praticamente perdida na impressão. Nuances e contrastes se perdem."

(Boris Vallejo: Fantasy Art Techniques - Simon & Schuster Inc. - 1985 - Tradução: Emerson Penerari
Site da galeria do autor: http://vallejo.ural.net/

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