sexta-feira, 27 de setembro de 2013

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Desenho e Música: Artes Interligadas!


Avatar do Professor Emerson L. Penerari

Às vezes fico imaginando como aconteceu quando os primeiros homens descobriram que uma batida de osso em um toco de árvore ou em uma pedra poderia se tornar um compasso rítmico e dançante. Desde os nossos antepassados, a música exerce uma forte influência nas pessoas, seja para a religião, para o lazer ou mesmo para a arte. Arqueólogos encontraram instrumentos musicais em diversas épocas e civilizações. Hoje em dia, podemos dizer que os seres humanos dependem de música para viver. Mesmo deficientes auditivos podem dançar acompanhando a vibração do ambiente quando tem alguma música tocando.

Sou um dependente da música. Nasci praticamente em frente a uma caixa acústica. Na infância conseguia ouvir de cinco a dez vezes seguidas o mesmo LP para prestar atenção em cada detalhe, cada mudança de andamento, cada vocal de apoio. Depois aprendi a tocar e cantar. Dos 16 aos 32 anos de idade fui músico de bandas de garagem, de bandas profissionais e contratado de estúdio. Gastei uma nota preta em discos, fitas, CD's, vídeos de shows e equipamentos. É como um alimento diário que não se pode deixar para trás. Mas é preciso equilíbrio. Quem já me viu na Ânima sabe que dificilmente trabalho em silêncio. Quando a minha sala de aula é mais tranquila, coloco música de fundo para que o silêncio não fique constrangedor. Em turmas mais agitadas, preciso manter o foco nos alunos e nem sempre deixo música rolando para que a cacofonia não fique insuportável e o cérebro exausto demais. O silêncio revigora.

Falando em silêncio, sim, ele é necessário. Um jejum sonoro renova o cérebro, descansa a mente e te deixa mais atento. Muitas vezes deixei para trabalhar em uma arte durante a madrugada para que o barulho da avenida, das crianças, dos cães e das caminhonetes de funkeiros não me tirassem a atenção. Se o sono chegar, é fácil espantar: basta ligar uma música mais agitada no fone de ouvido.


Mas voltando a falar da música, ela tem muito a ver com as artes visuais. Muitos desenhistas e ilustradores são admiradores de música e literatura, sabem por quê? Porque aquela máxima "nunca julgue um livro pela capa" nem sempre se aplica aos olhos críticos dos interessados pela arte. Para quem já se interessa por desenho, pintura e escultura desde a infância, é praticamente impossível não se maravilhar com uma bela capa de LP. Nos primórdios da música comercial as capas de discos não eram interessantes, às vezes apenas uma foto ou o nome do artista em letras garrafais eram suficientes, pois as vendas dos pequenos compactos de sete polegadas interessavam mais. Hoje, com o MP3 e o rápido acesso às músicas, nem todos os músicos apostam em soluções gráficas inovadoras, mas no início da década de 60 até o início dos anos 90, fomos agraciados com verdadeiras obras de arte envelopando as bolachas.

Falando de maneira mais pessoal, me impressionei quando criança por capas de discos como The Man-Machine (Kraftwerk), Relayer (Yes), Brain Salad Surgery (Emerson, Lake & Palmer), Bat Out Of Hell (Meat Loaf). O ritual de sentar-se ao lado do aparelho e ficar esmiuçando capas e encartes de discos enquanto ouvia o conteúdo sonoro era um prazer que hoje o tempo e o formato não me permite mais. Já passaram por isso? Gostaria que escrevessem nos comentários uma capa de disco que deixou você, fã de artes, impressionado.

ELP: Brain Salad Surgery (Artista: H. R. Giger). Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/0/0d/ELP_-_Brain_Salad_Surgery.jpg

Vários artistas consagrados ilustraram para bandas. Andy Warhol, Boris Vallejo, Sebastian Krüger foram contratados porque já desfrutavam de certa fama, ao passo que artistas como Derek Riggs, Ed Reppka, Andreas Marschall e o fotógrafo Storm Thorgerson ficaram famosos após seus trabalhos embelezarem algumas capas de bandas relevantes.

Bom, se você chegou até aqui e ainda não ligou seu aparelho sonoro, que tal aproveitar e desenhar algo ao som de uma música que goste? Neste caso, vou dar algumas dicas que funcionam comigo:

- Não costumo ouvir músicas muito complexas quando estou arte finalizando. Músicos como Mozart, Mahler, Vivaldi acabam fazendo com que minha mão acompanhe a batuta de um maestro e preciso de mais concentração para detalhes. Também evito músicas extremamente rápidas nesses momentos. Quando estou pintando aquarelas, gosto de colocar trilhas instrumentais de filmes, como The Last Of The Mohicans, Braveheart, E.T., Conan (do Basil Poledouris), Blade Runner.


- Nas aulas, gosto de colocar música Pop boa, Folk e Classic Rock. Geralmente, os alunos assimilam a melodia facilmente, mesmo que não conheçam a música. O clima fica calmo e descontraído e não é preciso prestar atenção demasiada ao que está tocando.

Uau, esse assunto rendeu um texto e tanto, hein? Acredito que ele serviu até como uma auto-apresentação e vocês, leitores, ficaram sabendo um pouco mais sobre mim e minha paixão por música. Sintam-se à vontade para comentar (aqui no Blog ou mesmo diretamente comigo na Ânima) o que acharam, o que gostam de ouvir, e até mais dicas e experiências sobre o assunto. Futuramente falarei a respeito de Arte de Fantasia (Fantasy Art), comparações da Arte Antiga com a Moderna, sobre a Arte e a sua ligação com Religião e mesmo sobre alguns gostos bem pessoais, como RPG, Conan, Sandman...

Até a próxima!

PS: quer saber o que eu estava ouvindo ao escrever esse texto? Experimente: http://www.youtube.com/watch?v=nV0Cj9VG2Vk

Emerson "musicando"

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Exposição "Mestres do Renascimento" - Obras-primas Italianas


Exposição "Mestres do Renascimento"

A Ânima levou seus alunos no último dia 15 para a exposição “Mestres do Renascimento” em São Paulo, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Placa em frente à exposição

Galera aguardando na fila

Para você que perdeu esta oportunidade, a gente coloca aqui um pouco do que foi visto em Sampa.

Giorgione
"Madonna col bambino tran San Giovanni Battista e uma Santa"

O Renascimento

As principais características desse movimento artístico que começou no final do séc. XIV e foi até o início do século XVI são:

Humanismo: o homem é a figura principal das telas, por isso nesta época tiveram vários estudos sobre anatomia e proporção humana (notou-se que alguns dos quadros parecem fotos - os renascentistas perceberam que o corpo fala e estudavam gestos e expressões com muito cuidado);
A burguesia, a aristocracia e Igreja são patronos dos artistas. São eles que encomendam as obras de arte;
Igreja: poderosa e rica, paga os artistas para contarem histórias religiosas;
Ênfase na perspectiva e na arquitetura dentro dos quadros;
Três principais cidades do Renascimento: Veneza, Roma e Florença.

Giovanni Bellini
"Annunciazione"

É importante lembrar que neste período a Itália era composta por Cidades-Estado, independentes tanto política quanto financeiramente (a unificação da Itália como o país atual só ocorreu em 1870).

Por isso, cada cidade teve um desenvolvimento muito particular no que se refere ao modo de pintar.

 Tiziano
"Madonna col bambino e La Maddalena"

A curadora da exposição no CCBB, Cristina Acidini, decidiu dividir a exposição da seguinte maneira:

No segundo andar ficaram as cidades influenciadas pela “escola de Veneza”: Ferrara, Veneza, Urbino e Milão; no terceiro andar as obras dos artistas que trabalharam em Roma; no quarto andar, as obras de destaque na cidade de Florença.

Rafael
"Testa di Madonna"

Vale destacar que a mostra não reúne trabalhos muito famosos ou de grande destaque, mas sim, trabalhos dos artistas mais influentes do período. Eles estão TODOS lá: Da Vinci, Michelângelo, Rafael, Ghrilandaio, Tiziano, Tintoretto, Bellini, Veronese, Pinturrichio, Fra Angelico, Perugino, Botticelli, Verrocchio, Donatello...

Leonardo Da Vinci
"Leda e Il Cigno"

Os estilos em cada cidade mudam, e mudam de artista para artista também, mas podemos destacar algumas características comuns:

Veneza:

Busca pela antiguidade romana;
Relaciona-se com a arte dos Países Baixos: em relação à luz e ao modo gráfico do planejamento das vestes;
As obras têm refinamento, riqueza de detalhes;
A luz e a cor são valores marcantes.

Florença:

É a cidade onde o Renascimento teve origem;
Influência e apoio da corte dos Médici.
Importantes obras de artistas de toda Itália estão aqui. Hoje os principais museus deste período estão nesta cidade.

Roma

A Igreja acolhe e patrocina os artistas;
Capela Sistina: reúne trabalhos de artistas importantes do período em um só lugar;
A arquitetura é monumental.

Michelangelo
"Studio di Portale"

Atenção! "Mestres do Renascimento" é a primeira exposição a ser prorrogada no CCBB! Ela fica até domingo, 29/09/2013! Corra!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Curso De Roteiro de Cinema, TV e Animação – Novo Curso! (Com o Professor Guilherme de Lucca*)


Começa no próximo dia 25/09, às 19h30, o novo curso da Ânima: Roteiro de Cinema, TV & Animação.

O curso é pra todo mundo que quer aprender mais sobre o roteiro audiovisual, proporcionando conhecimento dessa área ao apresentar noções de dramaturgia e roteiro aos alunos.

As aulas têm como foco ensinar o aluno a entender e treinar conceitos e técnicas presentes no desenvolvimento de roteiros para cinema, TV e animação. Alguns dos assuntos abordados ao longo do curso:
- teoria,
- análise de peças consagradas, comparando-as com o filme pronto,
- treinamento para escrita do próprio material.

E já lançamos promoções pra começar esse curso novo no gás! Funciona assim:
- venha à aula no dia 25/09, faça sua matrícula pro resto do curso, e ganhe bolsa fixa de 10% no ato, para todo o curso;
- acesse nosso Facebook, www.facebook.com/anima.academia , e compartilhe o post do lançamento do curso. Aí você concorre à matrícula grátis, além de garantir a bolsa de 10%. Claro, lembrando: tem que vir à aula do dia 25/09 pra garantir tudo isso, OK?

Esperamos você aqui!

* Guilherme De Lucca é roteirista, diretor e professor.
Formado em História pela UNESP/Franca e Cinema pela New York Film Academy, Universal Studios em Hollywood - Los Angeles/EUA, Guilherme fundou e foi por 4 anos Diretor de Criação da produtora Kairos Filmes, sendo responsável pelo roteiro e direção de dezenas de filmes publicitários para TV como os vídeos da cadeia de restaurante Applebee's, videoclipes premiados pela MTV, filmes institucionais e videos para a internet. Gravou na Universal Studios de Los Angeles e fez outras produções no mercado norte americano.
Atualmente na produtora Sealab INC., Guilherme trabalha na produção executiva e criação de séries e animações para televisão e internet.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Por que a Ânima Existe

Avatar da Professora Gisela Pizzatto

Esses dias atrás uns problemas aconteceram e me fizeram o seguinte desafio: "você tem que pensar bem e saber porquê quis abrir a escola".

Antes de mais nada, para quem não sabe, a Ânima nasceu de uma LONGA discussão na minha antiga casa, onde estávamos eu, Marcelo Ferreira, Maurilio DNA, Emerson Penerari e a Raquel, mulher do Emerson. Foi ali naquela hora e local que decidimos que o melhor a fazer era abrir uma escola. Mas por quê?

Tem sempre aquela respostinha clichê, né? "Porque estávamos descontentes com o andamento das coisas na escola antiga, porque não era justo" e todo aquele blábláblá que todo mundo já sabe. Não deixa de ser verdade, mas não é disso que eu quero falar aqui, agora.

Não tenho como responder pelos outros sócios da escola, mas posso falar de mim, do que eu sempre quis e do que me levou a abrir uma escola de Arte.

Pra começar, abrir escola de Arte no Brasil é coisa de gente doida, né? Arte é a última coisa pra que se dá valor nesse país e o primeiro "supérfluo" que as pessoas cortam quando o conto aperta é a aula de desenho. Nunca a aula de inglês.

Ensinar, pra mim, sempre foi uma coisa natural. Apesar de eu ser uma pessoa super tímida, quietinha (às vezes - muitas - passo por sem educação!), a sala de aula é onde eu me sinto mais à vontade e simplesmente adoro a interação aluno-professor. Passar o que a gente sabe e ver a coisa acontecer ali, alunos se desenvolvendo e tantos que nos superam... É uma coisa sem igual.

Eu nunca quis realmente dar aula, não estava nos meus planos. Simplesmente aconteceu. Eu comecei a fazer aula de desenho bem pequena, tinha 11 anos. Fiz vários cursos no antigo CLA, aqui em Campinas, com professores especialíssimos, que me ensinaram muito sobre tudo. Depois de 10 anos estudando, o dono da escola me perguntou se eu não achava legal dar aulas de desenho lá. Eu achei bom, já estava na faculdade, ia ser um dinheiro que ia me ajudar.

E então faça a conta aí (mesmo porque eu sou formada em História e contas não são meu forte): comecei a dar aula em 1998 e cá estou. É muito tempo, né?

Depois de tanto tempo dando aula eu já deveria saber que TER uma escola não é tão simples. O dobro de responsabilidades e preocupações. E é verdade mesmo. Ter um negócio hoje em dia não é fácil, as estatísticas estão aí pra mostrar. Nem eu nem os outros sócios tínhamos a menor noção de como administrar uma empresa, ninguém é dessa área. A gente é ARTISTA.

E então, mesmo assim, por quê? Bom, a verdade é que eu gosto que as coisas sejam feitas do meu jeito. Porque eu sei que eu faço as coisas direitinho, com capricho. Porque eu faço as coisas com paixão. Se você faz seu trabalho sem paixão, sem amor, ele não vai ser tão bom quanto poderia ser. Nunca vai. E acho que essa é a principal razão pra eu ter decidido abrir uma escola de arte com mais um punhado de amigos: pra fazer com paixão.

Saber que você dá o seu melhor todo dia é muito bom. Você vê resultado. Você se orgulha. Você recebe toda a dedicação de volta.

E foi por isso que a Ânima nasceu. Para levar Arte com muita paixão e dedicação a todos aqueles que se interessem minimamente por desenho, pintura, fotografia, design e qualquer outra coisa que englobe Arte. É difícil? Sem dúvidas. Tem muita coisa que você tem que enfrentar e estar preparado para. Mas depois desta análise e de pensar nos porquês, vou te contar uma coisa: vale a pena.

As próximas postagens do blog serão quase sempre escritas por nós, os sócios da escola. Por isso aproveite pra conhecer melhor a gente e a Ânima através do blog também, vai ter muita coisa interessante, muito assunto bacana por aqui. Pra você que está chegando agora, seja muito bem vindo! E para você que já é nosso velho camarada, obrigada pela amizade, continue com a gente!

O blog é outra das nossas janelas para o mundo aí fora, então aproveite também para mandar sugestões de pautas, assuntos que você quer que a gente opine, tudo o que quiser!

O nosso negócio é fazer a Arte criar vida!

Gisela Pizzatto.

Professora Gisela ensinando Mangá

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Aula Aberta Com o Professor Marcelo Ferreira Foi Um Sucesso!

Sala lotada no último sábado do mês de Agosto! Foi assim a aula aberta que o professor Marcelo Ferreira ministrou aqui em uma das salas de aula da Ânima, sobre mercado profissional de Ilustração.

Alunos na aula aberta com o professor Marcelo Ferreira

Os presentes – alunos e futuros aspirantes a artistas - aprenderam muito com o professor.
Vários assuntos foram abordados, tais como: 

quais cursos o aluno pode fazer (dentre cursos superiores e cursos livres) para se preparar para uma carreira profissional;
após o término dos cursos, qual o campo de trabalho em que ele pode atuar;
na prática, qual deve ser o aperfeiçoamento do artista;
como montar um portfólio apresentável – o que deve e o que não se deve fazer;
como lidar com clientes antes, durante e depois da produção da arte;
como trabalhar com produções para fora do país;
Entre outros assuntos.

Sala cheia, aprendizes interessados

Os alunos participaram bastante com várias perguntas, estudos de caso, exemplos dados por eles próprios e pelo professor. Foi uma tarde bem proveitosa, na qual os alunos puderam se aproximar do “artista/professor” e tirar todas as suas dúvidas sobre o universo das artes!

Prof. Marcelo analisando portfólio

O professor Marcelo, além de contar sua experiência, mostrou em slides o seu vasto trabalho, tanto no Brasil como no exterior. Isso é uma prova de que se aprimorando sempre, estudando e se atualizando, se chega longe!

Prof. Marcelo Ferreira falando sobre o mercado estrangeiro