quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Desenho e Música: Artes Interligadas!


Avatar do Professor Emerson L. Penerari

Às vezes fico imaginando como aconteceu quando os primeiros homens descobriram que uma batida de osso em um toco de árvore ou em uma pedra poderia se tornar um compasso rítmico e dançante. Desde os nossos antepassados, a música exerce uma forte influência nas pessoas, seja para a religião, para o lazer ou mesmo para a arte. Arqueólogos encontraram instrumentos musicais em diversas épocas e civilizações. Hoje em dia, podemos dizer que os seres humanos dependem de música para viver. Mesmo deficientes auditivos podem dançar acompanhando a vibração do ambiente quando tem alguma música tocando.

Sou um dependente da música. Nasci praticamente em frente a uma caixa acústica. Na infância conseguia ouvir de cinco a dez vezes seguidas o mesmo LP para prestar atenção em cada detalhe, cada mudança de andamento, cada vocal de apoio. Depois aprendi a tocar e cantar. Dos 16 aos 32 anos de idade fui músico de bandas de garagem, de bandas profissionais e contratado de estúdio. Gastei uma nota preta em discos, fitas, CD's, vídeos de shows e equipamentos. É como um alimento diário que não se pode deixar para trás. Mas é preciso equilíbrio. Quem já me viu na Ânima sabe que dificilmente trabalho em silêncio. Quando a minha sala de aula é mais tranquila, coloco música de fundo para que o silêncio não fique constrangedor. Em turmas mais agitadas, preciso manter o foco nos alunos e nem sempre deixo música rolando para que a cacofonia não fique insuportável e o cérebro exausto demais. O silêncio revigora.

Falando em silêncio, sim, ele é necessário. Um jejum sonoro renova o cérebro, descansa a mente e te deixa mais atento. Muitas vezes deixei para trabalhar em uma arte durante a madrugada para que o barulho da avenida, das crianças, dos cães e das caminhonetes de funkeiros não me tirassem a atenção. Se o sono chegar, é fácil espantar: basta ligar uma música mais agitada no fone de ouvido.


Mas voltando a falar da música, ela tem muito a ver com as artes visuais. Muitos desenhistas e ilustradores são admiradores de música e literatura, sabem por quê? Porque aquela máxima "nunca julgue um livro pela capa" nem sempre se aplica aos olhos críticos dos interessados pela arte. Para quem já se interessa por desenho, pintura e escultura desde a infância, é praticamente impossível não se maravilhar com uma bela capa de LP. Nos primórdios da música comercial as capas de discos não eram interessantes, às vezes apenas uma foto ou o nome do artista em letras garrafais eram suficientes, pois as vendas dos pequenos compactos de sete polegadas interessavam mais. Hoje, com o MP3 e o rápido acesso às músicas, nem todos os músicos apostam em soluções gráficas inovadoras, mas no início da década de 60 até o início dos anos 90, fomos agraciados com verdadeiras obras de arte envelopando as bolachas.

Falando de maneira mais pessoal, me impressionei quando criança por capas de discos como The Man-Machine (Kraftwerk), Relayer (Yes), Brain Salad Surgery (Emerson, Lake & Palmer), Bat Out Of Hell (Meat Loaf). O ritual de sentar-se ao lado do aparelho e ficar esmiuçando capas e encartes de discos enquanto ouvia o conteúdo sonoro era um prazer que hoje o tempo e o formato não me permite mais. Já passaram por isso? Gostaria que escrevessem nos comentários uma capa de disco que deixou você, fã de artes, impressionado.

ELP: Brain Salad Surgery (Artista: H. R. Giger). Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/0/0d/ELP_-_Brain_Salad_Surgery.jpg

Vários artistas consagrados ilustraram para bandas. Andy Warhol, Boris Vallejo, Sebastian Krüger foram contratados porque já desfrutavam de certa fama, ao passo que artistas como Derek Riggs, Ed Reppka, Andreas Marschall e o fotógrafo Storm Thorgerson ficaram famosos após seus trabalhos embelezarem algumas capas de bandas relevantes.

Bom, se você chegou até aqui e ainda não ligou seu aparelho sonoro, que tal aproveitar e desenhar algo ao som de uma música que goste? Neste caso, vou dar algumas dicas que funcionam comigo:

- Não costumo ouvir músicas muito complexas quando estou arte finalizando. Músicos como Mozart, Mahler, Vivaldi acabam fazendo com que minha mão acompanhe a batuta de um maestro e preciso de mais concentração para detalhes. Também evito músicas extremamente rápidas nesses momentos. Quando estou pintando aquarelas, gosto de colocar trilhas instrumentais de filmes, como The Last Of The Mohicans, Braveheart, E.T., Conan (do Basil Poledouris), Blade Runner.


- Nas aulas, gosto de colocar música Pop boa, Folk e Classic Rock. Geralmente, os alunos assimilam a melodia facilmente, mesmo que não conheçam a música. O clima fica calmo e descontraído e não é preciso prestar atenção demasiada ao que está tocando.

Uau, esse assunto rendeu um texto e tanto, hein? Acredito que ele serviu até como uma auto-apresentação e vocês, leitores, ficaram sabendo um pouco mais sobre mim e minha paixão por música. Sintam-se à vontade para comentar (aqui no Blog ou mesmo diretamente comigo na Ânima) o que acharam, o que gostam de ouvir, e até mais dicas e experiências sobre o assunto. Futuramente falarei a respeito de Arte de Fantasia (Fantasy Art), comparações da Arte Antiga com a Moderna, sobre a Arte e a sua ligação com Religião e mesmo sobre alguns gostos bem pessoais, como RPG, Conan, Sandman...

Até a próxima!

PS: quer saber o que eu estava ouvindo ao escrever esse texto? Experimente: http://www.youtube.com/watch?v=nV0Cj9VG2Vk

Emerson "musicando"

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