quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A Banalização da palavra "Arte" Parte I


O que é Arte para você? Qual o significado da Arte, para que ela serve? Existem inúmeros livros, blogs, críticos, programas de TV que tentam explicar estas perguntas. Se você é um apreciador da Arte provavelmente já viu alguma dessas explicações em algum momento de sua vida. Aqui na Ânima (que é uma Academia de Arte por excelência), nós vemos diariamente várias formas de se entender e produzir arte, desde a instintiva e lúdica até a conceitual e comercial.

No decorrer dos séculos e com a chegada da imprensa, muitos artistas foram enaltecidos enquanto outros foram vaiados, criticados, desconsiderados e alguns, pouco tempo depois, foram enaltecidos como gênios.




Este texto fala disso. Tal qual a crítica que desceu a lenha em rococós, impressionistas, cubistas e modernistas da semana de 22, espero estar enganado em algumas considerações sobre o que foi produzido nesta era moderna e erroneamente, a meu ver, foi taxado de arte. E muitas pessoas que sequer tinham alguma inspiração foram taxados de "artistas". Mas, de uma forma bem pessoal, existem "obras de arte" e "artistas" que não consigo engolir. O futuro dirá quem está com a razão.

Não, não falo de artistas que se inspiram nas cores vivas e desenhos infantis, que vivem bem e felizes fazendo aquilo que gostam e tem gente que gosta e consome. Falo por exemplo de artistas e movimentos artísticos que pouco acrescentaram à história da arte. Talvez em seu surgimento, Instalações e Performances, para citar apenas duas manifestações artísticas recentes, tenham tido sua real importância, como o lance de chocar, de fazer refletir. Mas hoje, chamar um fusca pendurado em um guindaste na Bienal de Artes ou um homem (nu) carregando uma mulher (nua, claro) em um carrinho de mão em frente a um museu de "Arte" chega a ser ofensa ao substantivo.




Artistas Performáticos e Instalações

Pois é, desde que a Terra era jovem os primeiros humanos faziam arte. Até mesmo armas e conchas podem ser considerados obras de arte, pois foram criados para suprir uma necessidade. Gosto da apresentação deste site abaixo com respeito ao significado da arte:

http://www.historiadaarte.com.br/Historia_da_Arte/Introducao_a_Arte.html

Uma rápida pesquisa e podemos encontrar informações valiosas sobre o início de manifestações artísticas mais modernas como Instalações e Performances. Ambas saídas diretamente da arquitetura e teatro, respectivamente, e se tornaram uma tremenda palhaçada graças ao envolvimento de apedeutas que se julgaram mais do que realmente eram. Abaixo imagens de duas instalações e duas performances. Comentem depois quais delas vocês mais gostaram. Pode ser aqui no Blog ou falando comigo, na Ânima.




Com a onda de passeatas ao redor do mundo, a Performance saiu dos palcos e foi parar nas ruas. Isso não quer dizer que verdadeiros artistas de rua estejam exercendo a sua profissão. Um vídeo que achei muito divertido e mostra como alguns artistas performáticos se superestimam é a interpretação do humorista Murilo Couto durante uma passeata em protesto ao atropelamento de um ciclista:

http://agoraetarde.band.uol.com.br/videos/murilo-em-acao/13180736/o-ativista-fora-comum.html

Sobre a Instalação, os humoristas do grupo Porta dos Fundos também souberam mostrar como alguns ratos de Bienal se comportam na atualidade. O vídeo abaixo foi indicação da Gisela Pizzatto:

http://www.youtube.com/watch?v=0Dt8ZFihbno

É engraçado, mas é a realidade. Na falta de um conceito real, os pseudo-artistas inventam teorias chulas para suas obras nada inspiradas. É ou não é uma banalização para uma palavra tão importante?


Os Quinze Minutos




Em 1968 Andy Warhol predisse que, no futuro, todas as pessoas seriam mundialmente famosas por 15 minutos. Em 2013, a busca por esses minutos é impressionante. Ouçam essa música no vídeo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=erppLok5PnQ

A Música "Andy Warhol Was Right", da banda Warrant, escrita em 1992, atesta o fato de que algumas pessoas podem chegar ao limite extremo de tirar uma vida apenas para chamar atenção (a letra está no texto abaixo do vídeo, em inglês: "Se eu tirar a sua vida, não é nada pessoal - só um garoto e sua arma de brinquedo implorando por atenção", diz o refrão). Talvez alguém se lembre da HQ "Mate Seu Namorado", de Grant Morrison e Phillip Bond.

E na Arte não é diferente. Nessa era de redes sociais, supervalorização do ego, chocar mais do que produzir, é comum nos depararmos mais com fotos de artistas nas redes sociais do que da Arte em si. Pensei ser um estigma regional e descobri o pior - o país estava tomado por essa atitude. Fui mais a fundo e descobri a fatalidade - o mundo está dominado por pseudo-artistas egocêntricos!

Seja na música, nas artes plásticas, no teatro, no cinema, na arquitetura, para alguns pseudo-artistas tudo se resume ao excesso e ao ego. O talento já não importa, desde que o intitulado "artista" cause alguma reação no espectador.

Quem acompanha as tiras do personagem "Dédi, o Desenhista" nas Newsletters da Ânima (e em breve em um post especial nesse blog com todas as tiras publicadas até agora), percebeu que nos últimos meses o protagonista, um jovem desenhista que está iniciando no ramo da ilustração com todas as dúvidas e anseios pertinentes à profissão, vem sendo azucrinado por um artista de vanguarda. Quando criei o personagem "Artur, o (Argh)tista Performático", foi justamente uma forma de levar para um lado bem humorado essa questão da Arte como se encontra banalizada hoje. No início ele é apenas um artista disposto a dar cor ao mundo cinzento do desenhista Dédi. Com o passar das tiras, ele se torna chato, intrometido e, finalmente se transforma em um pincel. Essa parte da história eu fiz justamente pra criticar esse culto ao ego e à imagem do artista atual, que parece ser mais importante do que a obra em si.

Parece implicância?  Eu vejo gente que se diz "artista" só porque tatuou o corpo todo, pintou o cabelo de verde, colocou alargadores enormes, tatuou o globo ocular, porque querem dizer para o mundo: "sou diferente,sou um artista". Nada contra quem muda o visual, mas isso não faz um artista. Onde esperam chegar daqui a 10, 20 anos? Mostrando sua verdadeira arte, vivendo de uma forma honesta,ou postando fotos pessoais na net enquanto os coitados dos pais sustentam o dito "artista"?

Pensem nisso, artistas e aspirantes. Continuem produzindo, ilustrando, compondo, fotografando, atuando, construindo. Mas sempre preocupem-se mais com sua obra do que com a sua imagem. Auto análise é sempre essencial. Conteste, avalie, pratique. Sua obra ficará para as futuras gerações. Seu corpo e suas fotos no espelho, não.



                                                       Prof. Emerson Penerari, da Ânima.

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