quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Osamu Tezuka: O Criador do Mangá Moderno - Parte I

Olá, leitores! Esta semana falaremos um pouco sobre um dos grandes mestres do Mangá e sua importância para toda a cultura Pop que vem sendo produzida hoje no Japão. Com vocês, Osamu Tezuka!


“Uma explicação para a popularidade dos quadrinhos no Japão... é que o Japão tinha Osamu Tezuka, enquanto outras nações não tinham. Sem o sr. Tezuka, a explosão dos quadrinhos no Japão do pós-guerra teria sido inconcebível.” Esta síntese póstuma, publicada pelo respeitável jornal japonês Asahi, certamente não exagera a influência de Osamu Tezuka (1928-1989).

Tezuka em seu estúdio (fonte: animationmagazine.net).

Muita gente que gosta de mangá hoje não faz idéia da importância de Tezuka para o que o mangá é hoje e para que sua difusão tenha sido o que foi.

Sua carreira de mais de 40 anos é um símbolo da luta para elevar o mangá de entretenimento principalmente para crianças a narrativas de todos os tipos para leitores de todas as idades. Tezuka escreveu e desenhou um recorde de 150 mil páginas de quadrinhos, distribuídas entre 600 títulos de manga e 60 trabalhos de animação. Além de sua formidável energia, Tezuka era movido pela crença de que o mangá e o animê deveriam ser reconhecidos como parte integrante da cultura japonesa. Ele foi o principal agente de transformação da imagem do mangá, graças a abrangência de gêneros e temas que abordou, às nuances de suas caracterizações, aos seus planos ricos em movimento e, acima de tudo, à sua ênfase na necessidade de uma história envolvente, sem medo de confrontar as questões humanas mais básicas: identidade, perda, morte e injustiça.

Alguns dos personagens principais criados pelo mestre. Consegue identificar quantos?


Como Tezuka chegou a essa nova forma de fazer quadrinhos? Parte da resposta pode estar no fato de ele ter crescido num ambiente atípico, liberal e moderno. Desde cedo lia quadrinhos importados e japoneses, pois seus pais eram também fãs desta arte. Ia muito ao teatro e a chegada do cinema em sua vida foi um marco muito importante, pois foi a principal influência narrativa de Tezuka. Mais tarde ele revelaria que havia visto um filme por dia em sua vida adulta. O hábito começou na infância, onde após descobrir a magia da animação nos flip-books, o jovem Tezuka enchia cadernos inteiros com desenhos numa tentativa de criar a ilusão de movimento.

 
Astro Boy, talvez a criação mais famosa de Osamu Tezuka.

Com a Segunda Guerra Mundial os filmes americanos e europeus foram banidos do Japão e os cinemas só exibiam filmes com propaganda a favor dos japoneses. Mas com o fim da guerra a situação mudou: os produtores japoneses se esforçavam para voltar a produzir filmes comerciais enquanto o controle americano permitia que o Japão fosse inundado por uma onda gigantesca de filmes ocidentais que tornaram-se uma febre nacional, mesmo porque eram muito acessíveis à população, apresentando preços bastante baratos numa época em que a televisão ainda não existia.“Por que os filmes americanos são tão diferentes dos japoneses? Como eu posso desenhar quadrinhos que façam as pessoas rir, chorar e se emocionar como aquele filme?” Foram esses saltos de imaginação que permitiram a Tezuka transformar os quadrinhos japoneses. Continua... 

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Metropolis: adaptação do filme expressionista alemão homônimo - influência do cinema ocidental.

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