quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Osamu Tezuka: O Criador do Mangá Moderno - Parte II

Continuação da postagem: http://blogdaanima.blogspot.com.br/2013/11/osamu-tezuka-o-criador-do-manga-moderno.html


Tezuka em 1958 (fonte: http://tezukainenglish.com/bm/about/tezuka-life/osamu-tezukas-life-story-1958---1964.shtml)

É possível dizer que o nascimento do manga moderno não poderia ter acontecido sem as dificuldades fora do comum enfrentadas pelos quadrinhos japoneses do pós-guerra. A guerra havia sido tão dura que os quadrinhos tinham praticamente desaparecido; eles precisavam ser modernizados e construídos do zero, assim como o próprio país. Os quadrinhos japoneses desse período ainda apresentavam uma narrativa estática, com os personagens mostrados de corpo inteiro, sem ângulos diferentes (como close, por exemplo) ou movimento. A chegada das revistas importadas e do cinema tendiam a mudar tudo isso.

"Buda" que Osamu publicou de 1972 a 1983 (fonte: http://www.paulgravett.com/index.php/articles/article/osamu_tezuka1)

O trabalho de Tezuka foi ponto chave para essa mudança. Em 1947 ele conseguiu publicar sua história Shin-Takarajima (“A Nova Ilha do Tesouro”), onde a cada quadro Tezuka alterava constantemente o ponto de vista do leitor, imitando os movimentos de uma câmera para gerar a sensação de ação incansável e impulsionar os personagens ao longo da história. Linhas de movimento, distorções de velocidade, efeitos sonoros, gotas de suor, todo o arsenal de símbolos dos quadrinhos servia para incrementar a experiência. Tezuka chegou a até mesmo posicionar seus quadros mais largos, semelhantes a telas de cinema, em colunas verticais dentro da página, para que parecessem seqüências cortadas de um rolo de filme.


Seja lidando com temas sérios e trágicos, Tezuka se manteve fiel à arte fofinha, quase fora de moda, e ao aspecto irreal e arredondado de boneco de borracha da animação clássica e dos quadrinhos que ele adorava na infância. Mesmo em alguns de seus trabalhos mais dramáticos, ele permeava deliberadamente a ficção com humor, exageros ou piadas internas. Essa pode ter sido a maneira de Tezuka de evitar tornar-se sério demais e transmitir seu entusiasmo criativo. Ou talvez essas interrupções fossem para dizer ao público que por mais realista que seja, um mangá continua sendo apenas uma invenção.

Tezuka e Maurício de Souza nos anos 70, uma amizade que atravessou continentes (fonte: http://pipocaenanquim.com.br/quadrinhos/mauricio-de-sousa-e-osamu-tezuka-juntos-fomos-ao-evento-de-lancamento/)


Ter uma história que merecesse ser contada era de imensa importância para Tezuka. Ele disse certa vez que uma história, assim como uma árvore, precisava de raízes fortes para ser envolvente. Se as raízes fossem fracas, nenhuma quantidade de detalhes bonitos seria suficiente para mantê-la de pé. Assim, Tezuka passa mensagens importante dentro de suas histórias, como as conseqüências da intolerância e a importância do amor. Ele provou que “os quadrinhos são uma linguagem internacional que pode cruzar fronteiras e gerações. Eles são uma ponte entre todas as culturas”.

TopoAdolf
Tezuka encantou tanto com fatos históricos quanto com fantasia (imagem: http://www.88milhas.com.br/adolf-o-manga-brilhante-de-osamu-tezuka)

2 comentários:

Frodo disse...

Excelente artigo! muito bem detalhado e incrivelmente bem escrito!

Gostaria de agradecer por colocar os créditos de nosso site quando colocou a imagem, graças a sua honestidade encontramos este site, e acabaram de ganhar um grande fã!

Abraços,
Equipe 88 Milhas

Ânima disse...

Obrigado pessoal do 88 Milhas! Continuem com o excelente trabalho!