quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

2014: Retrospectiva no campo das Artes

E aí, pessoal, beleza? Esse ano que passou foi bem corrido (e conturbado!) para o pessoal aqui na Ânima, mas já estamos acostumados, a tendência é acelerar. Esse ano do cavalo foi galopante e tivemos até algumas surpresas no campo das Artes. Vou tentar falar algumas coisas legais que rolaram, principalmente em nosso país, na região e algumas notícias não tão boas.


Fonte: http://www.improvides.com/wp-content/uploads/2014/01/2014-new-year-of-the-horse.jpg

Logo em janeiro tive o prazer de presenciar no MIS uma exposição maravilhosa sobre o cineasta Stanley Kubrick, que deixou um legado de filmes inesquecíveis, como Dr. Fantastico, 2001: Uma Odisséia no Espaço, O Iluminado, entre outros. Fenomenal ver alguns de seus objetos pessoais e peças originais dos filmes!























Em seguida uma exposição musical sobre David Bowie tomou conta do MIS. O músico influenciou as artes visuais, a moda e estava sempre antenado com as tendências musicais, ganhando o apelido de "O Camaleão do Rock" por suas constantes mudanças.


Fonte: http://www.culture-se.com/arquivos/News/images/david%20bowie%20expo%203.jpg

O mesmo museu também abrigou a exposição em homenagem ao programa televisivo Castelo Rá-Tim-Bum. O programa contava com cenários fantásticos, figurinos impressionantes e histórias educativas, que faziam a alegria de crianças, jovens e adultos. Seu sucesso permanece até hoje, mesmo se gravações inéditas.


Fonte: http://f.i.uol.com.br/fotografia/2014/07/16/419286-970x600-1.jpeg

Tivemos ainda a "Ocupação Laerte" com originais e reproduções do talentoso cartunista que atualmente chama mais atenção pelo seu visual que pela sua belíssima arte, infelizmente.


Fonte: http://f.i.uol.com.br/fotografia/2014/09/19/439053-970x600-1.jpeg

Ainda falando de exposições, temos mais alguns dias para visitar a fantástica exposição do Salvador Dalí e do escultor Ron Mueck em São Paulo. Corram!




Fonte: https://catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2014/11/mask_ii_-_ron_mueck.jpg

Este ano também tivemos a segunda edição da convenção Brasil Comic Con, que dessa vez mostrou bem mais profissionalismo e capacidade de se manter sem se ater a outro evento. E a primeira edição da Comic Con Experience foi um sucesso agora em dezembro, os organizadores estão de parabéns!


Fonte: http://www.universohq.com/wp-content/uploads/2014/11/BCC2014_BemVindos-1024x767.jpg



Em Campinas ainda estamos caminhando vagarosamente, mas tivemos uma mini-exposição de MC Escher, com obras interativas, além de várias exposições de arte urbana nas galerias de arte, mais uma vez a exposição "O Legado de Da Vinci" com réplicas de alguns de seus projetos. A Exposição da Ânima, "Máquina do Tempo" reuniu mais de 100 trabalhos e ficou em cartaz de 25 de Outubro até 4 de Dezembro.



Tivemos também esculturas dos grandes animais da Pré-História da Era do Gelo expostos em shoppings. Na parte musical, a Sinfônica da cidade se apresentou com mais divulgação em vários locais, desde o Teatro de Arena, passando pela Praça Arautos da Paz e, agora no final do ano, um especial natalino na Concha Acústica.



Infelizmente, também perdemos artistas significativos esse ano. Por isso quero deixar aqui minhas condolências em homenagem àqueles que, de alguma forma, me influenciaram e nos deixaram esse ano. São eles:

Moacy Cirne: Poeta, artista visual e professor (li muita coisa dele graças à minha esposa)
Maximilian Schell: Ator
Philip Seymour Hoffman: Ator (sua atuação em Capote é inesquecível!)
Paco de Lucia: Músico (por causa dele optei pelo piano e não pelo violão, rs)
Shirley Temple: Atriz e diplomata
Paulo Goulart: Ator
Paulo Schroeber: Músico (toquei com sua primeira banda Burning in Hell, e no Almah ele brilhava!)
José Wilker: Ator
H. R. Giger: Ilustrador e artista gráfico (já fiz uma matéria apenas sobre ele aqui no Blog)
Jair Rodrigues: Cantor
João Filgueiras: Arquiteto
Tommy Ramone: Produtor musical e baterista (último membro fundador dos Ramones a nos deixar)
Johnny Winter: Cantor e guitarrista de blues
João Ubaldo Ribeiro: Escritor
Rubem Alves: Escritor
Ariano Suassuna: Escritor
Robin Williams: Ator
Jay Adams: Skatista (O cara transformou o skate de brinquedo a esporte profissional!)
Jack Bruce: Músico (Cream foi um dos maiores power-trios de todos os tempos)
Qayyum Chowdhury: Pintor (suas aquarelas transmitem uma serenidade latente!)
Roberto Gomez Bolaños: Ator e comediante (não acompanhei o personagem Chaves, mas reconheço a importância)

Bom, é isso aí. Este é o meu último texto do ano no Blog. Espero que tenham gostado das dicas e opiniões que passei no ano, e fique conosco no ano que vem. Muita arte para vocês em 2015!

Professor Emerson L. Penerari


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Salvador Dalí e o Surrealismo

No dia 20 de novembro, a Ânima visitou a Exposição "Salvador Dalí" em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake. A mostra reúne obras bem interessantes do artista e, inspirada por essa onda surreal, resolvi escrever um pouco sobre o movimentos Surrealista e sobre o próprio Dalí.


O Surrealismo é um movimento artístico do final do século XIX e primeira metade do XX, tendo como principal característica a criação de imagens fantásticas, como se fossem sonhos.
O primeiro artista a criar algo nessa linha foi Giorgio de Chirico (1888-1978) e seus trabalhos repercutiram largamente, inclusive tocando profundamente o belga René Magritte (1898-1964), que seguiu nessa linha surreal, pintando com meticulosidade e praticamente iniciando o movimento surrealista.

Magritte segue uma linha de pensamento diferente do que se fazia na época, quando acreditava-se que o artista devia pintar o que via, mas Magritte percebe que pintar o que se vê não é uma verdade, mas sim a criação de uma nova realidade, como acontece dentro dos sonhos. E é isso que marca o conceito do Surrealismo.


A expressão "Surrealismo" nasceu em 1924, quando um grupo de artistas se auto-denominou "surrealista", porque queriam criar algo mais real que a realidade em si.

Um dos principais nomes do movimento (se não o principal) foi Salvador Dali, que é famoso por sua pintura detalhada e realista. Dali mescla objetos do mundo real que aparentemente não tem relação entre si, criando assim a atmosfera de sonho e delírio.

Dali nasceu em 1904 em Girona (Espanha) era filho de escrivão, mas já novo demonstrava grande aptidão para as artes: sua primeira pintura a óleo foi feita aos 06 anos!


Assim o pai de Dali decidiu incentivar o menino e o matriculou na academia local de Artes. Dali então não parou mais: passou pelo movimento impressionista, foi estudar pintura em Madri, teve contato e influências do Cubismo e da pintura de Giorgio de Chirico.

Em 1925 faz sua primeira exposição individual e em 1929, em Paris, conhece os surrealistas. Aí podemos dizer que Dali encontrou mesmo sua vocação dentro da pintura. A atmosfera de sonho proposta pelos surrealistas fez com que ele criasse sem parar. O ápice de suas criações aconteceram após ele conhecer sua musa e depois esposa, Gala Eluard, que aparece em várias pinturas de Dali.
Nos últimos anos de sua vida Dali trabalhou não só com pintura, mas mostrou toda sua face comercial, fazendo vidros de perfume, mobília, cenário e muitas outras coisas.


Então, fica a dica da Ânima para quem gosta desse movimento e, principalmente, do Dalí: Exposição "Salvador Dalí" no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. A mostra fica em exibição no instituto até o dia 11 de Janeiro. Vale a pena conferir!

Veja mais fotos da nossa excursão no link: http://goo.gl/5ymYPh

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sandman: 25 anos no Brasil!

Hail galera! No ano passado, prometi que faria um texto sobre Sandman. Provavelmente me demorei por ver muitas notícias sobre o personagem e principalmente seu criador, Neil Gaiman, após lançar o aclamado romance "O Oceano No Fim do Caminho". Já leu? Não? Não sabe o que está perdendo. Aproveite para conhecer mais obras recentes do mestre nessa matéria:
http://blogdaanima.blogspot.com.br/2013/04/neil-gaiman-e-suas-muitas-faces.html


Fonte: http://boelbermann.se/wp-content/uploads/2014/05/Neil-Gaiman-2.jpg

Bom, voltando ao Mestre dos Sonhos, nada melhor do que falar sobre ele em Novembro de 2014, já que nesse mês completam-se 25 anos do lançamento da edição número 1 de Prelúdios e Noturnos, pela Editora Globo (Na época, chamado aqui e lá fora apenas de Sandman: O Mestre dos Sonhos). Em menos de um ano após seu lançamento nos EUA (Janeiro de 1989) os editores Leandro Luigi Del Manto e Hélcio Pinna conseguiram trazer para o nosso país uma das mais aclamadas séries de todos os tempos! Vou falar um pouco sobre Sandman e sua época como testemunha ocular, mas tentarei ser breve, pois o assunto rende vários livros.




Gaiman nos anos 80. Fonte: http://www.writerswrite.com/journal/mar99/neil2.jpg

 
Sandman desenhado por Sam Kieth. Fonte: http://www.toonopedia.com/sandman3.jpg

O final dos anos 80 foi muito propício para as séries de luxo e os chamados "quadrinhos adultos", inclusive no Brasil. Em menos de 5 anos histórias seminais tanto em roteiro quanto arte foram lançadas em nosso país, mostrando que a censura já não era tão severa em relação aos quadrinhos e a invasão britânica nos EUA merecia uma abrangência mundial maior. Os super heróis já não eram tão mocinhos, a vida real, a crise econômica, as mortes de entes queridos, entre outros assuntos, passaram a ser a sinopse para muitos roteiros. Os quadrinhos como um todo já não focavam apenas em semideuses vestidos em colantes coloridos. Mesclados aos personagens oriundos da contracultura, dos fanzines e do erotismo e ficção científica europeus, o país da Turma da Mônica recebeu uma avalanche de quadrinhos luxuosos, minisséries, edições especiais que agradaram adolescentes (como eu), universitários, professores e estudiosos do ramo.



Capa da primeira edição de Sandman, por Dave McKean. Fonte: http://mlb-s1-p.mlstatic.com/sandman-da-editora-globo-completo-8798-MLB20007501807_112013-O.jpg

Batman: O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, Elektra: Assassina, Love And Rockets, Ronin, Moonshadow, Wolverine & Destrutor: Fusão, entre outras surgiram nas bancas saciando a vontade de roteiros mais elaborados. Em 1989, eu era um adolescente de 13 anos cujo quadrinho favorito era "A Espada Selvagem de Conan" , um magazine em preto e branco com capas pintadas bem realistas que traziam histórias um tanto carregadas para a minha idade. Ao ver essas revistas que citei, juntei o máximo de dinheiro que consegui na época para comprá-las (algumas só consegui 2 ou 3 anos depois em sebos). Aí certo dia em São Paulo passo em uma banca no centro velho e me deparo com Sandman n° 1. Havia visto a propaganda de divulgação nas páginas de crédito de alguma outra revista e ficado curioso, sem entender nada. Amei a capa (uma fotografia de uma composição tridimensional de Dave McKean) e achava que o interior seria todo nesse formato. Não consegui ver porque a revista estava plastificada. Não comprei. Mas fiquei pensando nesse quadrinho por dias e dias. Até que não mais o encontrei. Passei em uma banca na zona sul e vi a segunda edição. Dessa vez pude comprar. Estranhei a arte em seu interior, mas a história parecia muito interessante. Semanas depois encontrei a primeira edição em Campinas (não sei se chegava atrasada em outras cidades nessa época, a chamada "distribuição setorizada"). Precisava saber como foi que o Mestre do Sonhar havia perdido seus objetos de poder. Já estava encantado com a história. Dei um jeito nas economias, deixei de comprar a "Superaventuras Marvel" (que trazia histórias do Demolidor e do Justiceiro) para comprar Sandman 1.


A época produtiva dos quadrinhos mais sérios no Brasil.

Comecei a me acostumar com a arte de Sam Kieth. Seus quadros arredondados, expressões caricatas e certos exageros bem interessantes me fizeram admirar seu estilo até em sua história narrando a origem do vilão Pinguim no Almanaque Origens Secretas da DC lançado 2 meses depois.

 
Arte de Sam Kieth, que depois saiu da série alegando que se sentia "como Jimi Hendrix tocando nos Beatles".  Fonte: http://a5.mzstatic.com/us/r30/Publication2/v4/77/fc/94/77fc943e-9f86-a17b-d055-0012391a3710/PAGE_005.480x480-75.jpg

E foram cerca de 10 anos correndo atrás das 75 edições dessa revista. A Editora Globo passou os direitos para a Devir perto da edição 50, e, entre atrasos, ameaças de cancelamento e preços abusivos, a saga foi publicada na íntegra no Brasil. Por volta de 1996, quando a série acabou nos EUA, comprei algumas edições importadas para aliviar a ansiedade. De 2000 para cá tivemos algumas reedições que iniciaram e pararam e duas versões encadernadas completas de muito luxo, tanto da Editora Conrad quanto da Panini. Talvez essa seja a única série que tenho diversas edições diferentes, tanto pelo carinho pessoal quanto para comparar impressões, traduções, etc.



















Edição especial de "Os Caçadores de Sonhos" autografada

Para não tomar muito o tempo de quem quer saber mais sobre do que se trata a história, vou deixar o link da Wikipedia, com um resumo bem básico de cada série. Cuidado que contém alguns spoilers:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sandman_(revista_em_quadrinhos)

É isso aí. Espero que gostem. Depois nos falamos mais. Bons sonhos.

Professor Emerson Penerari


Emerson e Neil Gaiman em 2001