quinta-feira, 13 de março de 2014

Entrevista: Paulo Cheida

Paulo Cheida Sans é artista plástico, curador e Mestre em Filosofia da Educação pela PUC-Campinas.

Além de artista plástico, Paulo atua como professor de “Pintura”, de “Plástica” e de “Gravura” do Curso de Artes Visuais da PUC-Campinas. Fundou, juntamente com sua esposa também artista plástica, Celina Carvalho, o Museu de Arte Contemporânea “Olho Latino” de Campinas/SP e é autor dos Livros “A Criança e o Artista” e “Pedagogia do Desenho Infantil”.

Até então, participou de aproximadamente de 400 Exposições e recebeu mais de 36 Premiações no Brasil e 4 no Exterior.

Paulo Cheida ao lado de sua escultura revestida com gravura, cujo título é: “O gravador”. A obra, exposta na 3ª Bienal Internacional de Grabado realizada em Lima, Peru, em 2013, faz parte do acervo do Centro Cultural Brasil-Peru da Embaixada do Brasil em Lima.
A Ânima foi conhecer melhor o trabalho deste grande Mestre contemporâneo. Confira a entrevista:

Como o sr. se envolveu com o mundo das artes?

Paulo Cheida: Desde criança. Com 6 anos os meus desenhos já eram  publicados no Jornal Diário do Povo, na seção infantil, aos domingos. Recebi o prêmio desse jornal aos 10 anos. Também aos 10 anos recebi premiação de um concurso sobre personagens do Maurício de Sousa no jornal Correio Popular. O prêmio foi entregue pelo próprio Maurício de Sousa. Fui aluno de Artes no Conservatório Carlos Gomes aos 9 anos e do artista plástico Egas francisco aos 10 anos. A minha primeira participação em Salão de Arte foi no Salão da Juventude no MAC Campinas quando eu tinha 11 anos. Recebi prêmios em concursos estudantis, como nos Salões de Arte do Colégio Progresso aos 12 e 13 anos. Fui premiado em concurso do Estado de São Paulo, representando Campinas, aos 13 anos. Aos 15 anos já estava expondo em importantes mostras e salões, como no 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea, realizado no MASP, em São Paulo. De lá para cá participei em mais de 400 exposições, sendo cerca de 80 no exterior (Japão, Espanha, França, Finlândia, Polônia, Noruega, Egito, Chile, Peru, Alemanha e outros). Recebi mais de 40 prêmios, sendo 3 no exterior (Portugal, França e Estados Unidos).

Quais são as suas maiores influências como artista?

Paulo Cheida: No início, o meu trabalho foi se desenvolvendo de modo autodidata. Depois que cursei Artes Plásticas na PUC-Campinas, passei a refletir mais para criar.  Percebi melhor as relações do que criava com alguns artistas contemporâneos. Mas não a ponto de dizer que recebia influências diretas no sentido visual de meus trabalhos. Creio que a maior influência que recebi foi perceber obras e artistas. Era e sempre fui fascinado por visitar galerias e museus. Aos 11 anos vi uma xilogravura de Antonio Henrique Amaral e essa obra ficou marcada em minha memória. Pude revê-la numa mostra individual do artista no MAM em São Paulo em 2004. Conto essa lembrança com mais detalhes em minha tese de doutorado em Artes, realizado na Unicamp, em 2009. Creio que a maior influência que recebo é de meu cotidiano, aquilo que vejo e sinto. Nesse sentido, Campinas e o Brasil são fontes inesgotáveis de inspiração.

Como é o seu processo de produção? Quais são os materiais que trabalha com mais frequência?

Paulo Cheida: Penso, planejo e depois escolho o material para representar o que estou querendo transmitir. A minha produção maior até 1980 foi o desenho a nanquim, bico de pena. Na década de 90 foi a gravura, tanto em metal como a xilogravura e a gravura em linóleo. De 2000 para cá, a produção foi mais diversificada com instalações utilizando diferentes materiais. Minhas obras são em várias modalidades, como o desenho, a pintura, a gravura e a escultura. Mas, também fiz exposições com fotos, representei o Brasil com vídeo-arte no Festival da Áustria e também já fiz algumas performances.  Sou figurativo e o traço é importante para representar o que penso.

Fonte: http://www.olholatino.com.br/paulocheidasans/
Há quanto tempo o sr. dá aulas?

Paulo Cheida: No geral há 36 anos. Na PUC-Campinas estou há 34 anos.

Qual a melhor e a pior parte de dar aula de Arte?

Paulo Cheida: A melhor parte é estar em aula com os alunos e perceber que cada um tem o seu potencial expressivo. A pior parte é o serviço burocrático que envolve o trabalho do professor, como reuniões e afazeres fora da sala de aula.

Existe uma "fórmula" para continuar motivado a dar aulas?

Paulo Cheida: A “fórmula” vem do próprio aluno. Desde que exista aluno realmente interessado em aprender arte e a desenvolver o talento, eu também fico mais motivado. É muito bom ter alunos que falem sobre arte, artistas e o circuito artístico. Com alunos interessados na carreira artística fico entusiasmado e também mais motivado para as aulas e propostas que possam surgir de exposições com a classe.
Fonte: http://portuguesbienfacil.blogspot.com.br/2010/10/palestra-gravura-brasileira.html
Poderia deixar um conselho para os estudantes, professores e artistas que leram a entrevista?

Paulo Cheida: Não sei se seria um conselho. Mas, o artista para ser artista sempre precisa do outro. O outro como apreciador, como complemento da aceitação da obra de arte. Assim, o artista deve ser simples e modesto. Ele não é maior e nem melhor do que ninguém. É simplesmente um artista e isso já é muito. 

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