quinta-feira, 27 de março de 2014

Materiais de Pintura Japoneses

Bom, pessoal, novamente é minha vez de escrever pra vocês! Desta vez vou incorporar aqui no blog uma aula que os alunos de sábado pediram pra eu dar: materiais de pintura japonesa.
Fonte: http://mlb-s1-p.mlstatic.com/7612-MLB5258044040_102013-O.jpg
Tudo começou com uma conversa sobre lulas - nas minhas aulas sempre tem comida envolvida - e acabamos chegando à tinta nanquim.

Muito dos materiais de arte que usamos hoje são os mesmos desenvolvidos há séculos. A terra propicia, por exemplo, vários tipos de pigmento, como o ocre e o terra de Siena. E tirava-se da natureza os pigmentos necessários para se fazer tintas de todas as cores. Quanto mais difícil de se encontrar o material, mais caro o pigmento.

No oriente a coisa funcionava da mesma maneira.

A tinta nanquim (ou tinta da china) é um desses materiais que a gente usa muito hoje, mas que pouca gente sabe de onde veio. Como o próprio nome já diz, ela foi criada na China, na região da cidade de Nanquim (ou Nanjing) e era preparada com negro-de-fumo (pó-de-sapato) coloidal para ser empregada em desenhos, aquarelas e até na escrita. Esse negro-de-fumo é praticamente carvão dissolvido em água.
Para que o carvão não se depositasse no fundo do frasco, os chineses adicionavam goma arábica para estabilizar a tinta nanquim. Também faziam tinta através da extração dos sacos de tintas de polvos e lulas e essa tinta é usada até hoje para tingir massa de macarrão - cada miligrama custa super caro! Hoje a tinta nanquim que a gente usa é totalmente sintética.

Arte da Prof.ª Gisela Pizzatto
A tinta nanquim deu origem à tinta japonesa SUMI, usada nas pinturas sumi-e e também para a arte da escrita, o shodo. O sumi nem sempre aparece como uma tinta líquida, ela tem também uma forma sólida bastante característica, que é usada juntamente com uma espécie de godet de pedra, o suzuri. O sumi é feito de fuligem, colas especiais (goma arábica), água e especiarias. A cor obtida é chamada de Lamp Black, porque o pigmento preto deriva da combustão imperfeita de pinho ou óleo de lâmpadas de barro.
Fonte: http://www.koralle.com.br/
Essas pedras de tinta são ainda aromatizadas com musk, cânfora ou água de rosas. O pó de fuligem é peneirado, incorporado a uma cola feita com espinho de peixes e o resultado é uma massa que é moldada em bolas. Essas bolas  são aquecidas e colocadas em moldes em forma de bastão para depois serem batidas e ficarem bem compactas.

O perfume é então incorporado e o material vai para moldes de madeira, depois são deixados para secar, são limpos e daí polidos. No caso das melhores tintas, o processo de secagem pode levar até dez anos. As cores resultantes variam do azul e violeta quase pretos até o preto puro, marrom e um preto amarelado.

No Japão, as melhores pedras de sumi são feitas na região de Nara e de Suzuka, onde a arte de se fazer o sumi é passada de geração para geração, num processo totalmente artesanal. Além disso, os artesãos usam intuição e experiência, só confeccionando o sumi quando a temperatura e a umidade estão em equilíbrio. Isso acontece do Outono até o início da Primavera, quando o ar é frio e seco, e a temperatura, ideal.

Os pincéis japoneses também são diferentes. São chamados de Fude e são feitos com pelos de diversos animais, dependendo o tipo de pincel que se que obter, e cabo de bambu. Tem pincel feito de pelo de veado, bode, coelho e até de lobo. O fude é sempre redondo e o diferencial deste tipo de pincel é que eles sempre sempre sempre tem uma ponta muito fina, permitindo grande variação de espessura do traço na hora da pincelada.
Fonte: http://www.asimagens.com/i/LTyGdnb9c.jpg
Uma exceção ao pincel redondo é o hake, que é um pincel quadrado, de pelo macio e base de madeira, que seve para aplicar água nos trabalhos ou tirar excesso de carvão ou grafite.
Fonte: http://www.restaurarconservar.com/
Os bons pincéis (japoneses ou não) são sempre aqueles em que no processo de fabricação as cerdas são costuradas e não coladas. Fuja desses últimos, porque depois de um certo tempo a cola resseca ou amolece por causa da água e o pincel começa a ficar sem forma.
Fonte: http://fc02.deviantart.net/
Ainda aqui neste post vocês tem alguns exemplos do tipo de trabalho que esse material ajuda o artista a produzir. Espero que gostem! Até a próxima.

Prof.ª Gisela Pizzatto.

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