quinta-feira, 29 de maio de 2014

Artur, O (Argh!)tista X Artistas Zumbis!


O Lápis

Sim, o lápis nosso de cada dia, ele mesmo, o pretinho básico de todo desenhista. Ele está presente na vida de 9 em cada dez artistas (tem um povo que aderiu totalmente à mídia digital) e muita pouca gente sabe das suas origens.

Afinal, de onde veio o lápis, como ele foi criado e qual foi a sua evolução?

Fonte: http://imguol.com/
Vamos dar um pulinho de volta no tempo em alguns séculos, quando um mineral chamado grafite despertou a curiosidade das pessoas por sua capacidade de fazer marcas em certos tipos de superfície.

Desde os primórdios da História o homem procurava por elementos que pudesse usar pra escrever/desenhar. Inicialmente eles usavam placas de argila, mas elas eram muito difíceis de usar por causa das marcas que eram difíceis de apagar e se você cometesse algum erro deveria começar o trabalho todo de novo.

A origem oficial do lápis é muito difícil de determinar: em algum ponto entre 1500 e 1565 um enorme depósito de puro e sólido grafite foi descoberto nas proximidades de Borrowdale, na Inglaterra. A substância foi chamada de plumbago, palavra em Latim pra "chumbo".  O material podia ser facilmente dividido em pedaços longos e os fazendeiros locais acharam o material excelente pra marcar ovelhas.

Fonte: http://www.macauhub.com.mo/
Este depósito foi o único grande depósito de grafite encontrado na forma sólida e até o fim do século XVIII este foi a única fonte de grafite para fazer lápis, permitindo que a Inglaterra tivesse monopólio da fabricação de lápis grafite até mais ou menos 1860.

Fonte: http://2.bp.blogspot.com/
Mas há ainda outros aspectos da história do lápis que são meio incertos e obscuros: diz-se que Simonio e Lindiana Bernacotti foram os primeiros a inventar o lápis como conhecemos hoje, com corpo de madeira - eles teriam feito um vão no meio de um graveto de junípero.

Mesmo assim, não existe um acordo sobre quem inventou o lápis. Alguns dizem que foi o francês  Jacques Conté, que fez alguns lápis usando grafite, madeira e argila. Outros dizem que foi o alemão Kaspar Faber que obteve um lápis mais firme e próximo do que temos hoje. E ainda há os que afirmam que o inventor do lápis é o austríaco Joseph Hardmuth, que conseguiu fazer com que os lápis durassem por mais tempo. Hoje todos esses senhores se tornaram marcas de materiais de arte, muito boas e de qualidade comprovada.

Curiosidades de informações:
  • Alguns lápis são mais macios que outros porque eles tem maior quantidade de grafite na sua composição.
  • Atualmente os lápis são feitos industrialmente usando uma mistura de pós de grafite, argila e água em uma massa grossa. Quando essa massa é cozida em altas temperaturas para eliminar a água, ela é moldada como um cilindro e então enrolada na madeira para fazer o lápis.
  • Tradicionalmente, os lápis eram pintados de amarelo do lado de fora, o que era sinônimo de qualidade. 
  • A primeira imagem de Marte, feita em 1965, foi feita com lápis.
  • Em 2002, a Faber Castell fez o maior lápis do mundo, com 19.75m de altura!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Palestra MERCADO AMERICANO DE QUADRINHOS

Dois grandes desenhistas da região, que atuam no mercado internacional de histórias em quadrinhos vão contar suas experiências e ajudar quem quer atuar nesse nicho tão concorrido e sedutor. Felipe Massafera e Marcelo Ferreira, hoje referências nacionais, vão desmitificar as especulações de como ingressar no mundo do quadrinho internacional, o que apresentar para as editoras e para quem mostrar o seu trabalho.

Além das informações passadas na palestra, o participante ainda irá poder conferir uma demonstração de técnicas de pintura com Felipe Massafera e ter seus portfólios analisados pelos profissionais. Fora isso, irão concorrer a obras originais dos dois artistas.


Sobre Marcelo Ferreira
O campineiro Marcelo Ferreira é professor de artes desde 1998. Atualmente, trabalha com as editoras IDW (EUA), com os títulos como as Tartarugas Ninja, o herói lutador de Kong Fu, Black Dynamite. Ele também integra a equipe da conceituada Revista Medikidz, do Reino Unido, que aborda temas médicos em forma de quadrinhos voltada para o público infantil. Até 2013 trabalhou com a editora Ape Entertainment (EUA), com os quadrinhos Riquinho, Madagascar 3, A Origem dos Guardiões, Kung Fu Panda e Fruit Ninja. Há mais de 15 anos é ilustrador para os mercados editorial e de propaganda nacionais. Neste ano Marcelo foi convidado, pela segunda vez, a participar do evento Comic-Con International, em Nova York, USA.

Links do Artista:
https://www.facebook.com/pages/Marcelo-Ferreira-Art/125667034128297?ref=ts&fref=ts
http://marcferreira.deviantart.com/

Página do HQ Black Dynamite

Capa da HQ Teenage Mutant Ninja Turtles

Página da HQ Fruit Ninja

Sobre Felipe Massafera
Felipe Massafera, natural de Mogi Mirim, trabalha com quadrinhos para o mercado norte-americano e já participou de projetos envolvendo grandes nomes dos quadrinhos, como Warren Ellis e Alan Moore. Atualmente, trabalha para as grandes editoras americanas: DC Comics e Dark Horse, com títulos como Super Man, Laterna Verde e Star Wars. Com sua cada vez mais rara arte de fazer tudo à mão com tintas e pincéis, suas maiores influências são os grandes ilustradores do passado como N.C. Wyeth, Norman Rockwell e Rien Poortvliet, além dos quadrinistas Alex Ross, Barry W. Smith, Simon Bisley e John Romita Jr.

Links do Artista:
https://www.facebook.com/felipe.massafera
http://felipemassafera.deviantart.com/

Commission de Sketchcover da Marvel

Capa da HQ Star Wars

Trabalho para DC Comics

SERVIÇO
Dia 31 de Maio de 2014, às 13h30.
Local: Oficina do Estudante - Av. Brasil, 601 - Campinas/SP
Valor: R$30,00 
Inscrições: até 24 de maio na Ânima  – Rua Coelho Neto, nº 190
Informações: 19 3342-2992 ou atendimento@anima.art.br.
Vagas limitadas.

LINK DO EVENTO


segunda-feira, 19 de maio de 2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

H. R. Giger - Mais Um Grande Gênio Nos Deixa


Fonte: http://media.moddb.com/images/groups/1/2/1223/hrGiger.maske.jpg
Saudações, galera! Bom, na postagem dessa semana eu até procurei um outro tema para discorrer (geralmente oscilo entre falar de artistas, materiais ou meu ponto de vista sobre a arte atual e prometi escrever sobre Arte e Religião, Capas de Discos e Sandman), mas ontem uma notícia me abalou bastante: o falecimento de H. R. Giger, um mestre da Arte Surrealista e Realismo Fantástico que influenciou artistas, ilustradores, escultores, designers, cineastas, músicos e muitos outros da área. Ele morreu nesta segunda-feira dia 12 de maio aos 74 anos vítima de complicações ocorridas de uma queda recente em sua casa.


Fonte: http://www.hrgiger.com/bar/bar5.jpg
Hans "Ruedi" Giger nasceu em 1940 em Chur (Suiça), mudou-se em 1962 para Zurique, onde se formou em arquitetura e desenho industrial. Desenvolveu uma técnica muito peculiar utilizando nanquim, tinta acrílica, aerógrafo, elém de esboços com pena, pastel, caneta esferográfica e suas maravilhosas esculturas em resina e sucata. Revolucionou o visual da ficção científica quando criou o monstro Alien para o filme de mesmo nome dirigido por Ridley Scott em 1979, e em 1980 ganhou o Oscar de Efeitos Especiais pelo filme, mas já tinha trabalhando com experimentações biomecanóides (mistura de elementos biológicos e mecânicos) em sua arte há algum tempo. Inclusive na música, quando produziu a arte para o LP Brain Salad Surgery, do trio de Rock Progressivo Emerson, Lake & Palmer (falei da importância dessa capa em minha formação artística aqui: http://blogdaanima.blogspot.com.br/2013/09/desenho-e-musica-artes-interligadas.html), e depois para Koo Koo, disco de Debbie Harry, e To Mega Therion, clássico da banda de Death Metal Celtic Frost em meados dos anos 1980. Em 1995, resolveu experimentar a computação gráfica e criou versões 3D de suas obras (aquelas ilusões de ótica onde você fica observando uma sequência de imagens até senti-la 'saltar' do papel). Isso sem contar os bares/museus que foram abertos em sua homenagem.












Sua fama nos anos 80 e 90 cresceu de uma forma absurda, sendo cultuado tanto pela galera mais Heavy Metal quanto fãs de Ficção Científica, tanto que ainda trabalhou com outros filmes e videogames do gênero, incluindo Duna (que foi rejeitado), A Experiência (Species), Darkseed, entre outros. Muitos tentaram imitá-lo tanto na franquia do Alien como em filmes menores como Galaxina, Força Sinistra (Lifeforce - esse filme de 1985, de Tobe Hooper é fenomenal!), Invasores de Marte (também de Hooper), Saturn 3, The Intruder Within e Scared to Death, mas nenhum conseguiu colocar a classe dark de Giger em suas obras.

Falar do meu sentimento pessoal é até difícil, já que Giger é um dos pilares da minha formação artística. Em 1986  vi o trailer de Aliens de James Cameron e pedi encarecidamente para ver esse filme no cinema. Mas tinha 10 anos de idade e a censura era de 16 anos. Uma de minhas tias teve a ideia de me levar vestido com roupas mais "adultas" e, como eu era um tanto alto me passei por seu namorado. Assistir esse filme me deixou empolgadíssimo! Já era fã de Sci Fi, mas o horror espacial claustrofóbico que eu conhecia se resumia a 2001 e algumas cenas impactantes da série Star Trek original. Aqueles monstros gigantes, gosmentos, negros em colmeias, servindo uma rainha cruel, mudou minha ótica do espaço, que antes era romanceada com base no filme E.T., que é o meu extraterrestre favorito de todos os tempos.


Meses depois consegui assistir a obra prima de Ridley Scott, onde a mão de Giger trabalhou de forma crua e totalmente original, e eu pirei com os cenários. Lendo a legenda no VHS finalmente associei o nome à pessoa: era o mesmo cara que tinha pintado a capa de discos que eu tinha em casa! Aí comecei a correr atrás de tudo que encontrava desse artista. Sua conotação perturbadora, seus símbolos fálicos, formas sexuais que desafiam os bons costumes e religiosidade não são fáceis de serem apreciadas, por isso muitas vezes eu não mostrava para as pessoas as imagens que ia adquirindo. Após me tornar professor passei a indicar para alguns alunos as obras do mestre, para mostrar como a arte pode incomodar, pode ser criativa e fria, pode servir como um cenário ou como um elemento crucial.


A genialidade de Giger vai fazer muita falta em uma época como a nossa, onde pessoas prendem animais, penduram carros, desfilam nus, pintam estampas com cores chocantes e são classificados de "artistas". A temática cinzenta, mortuária, carregada de tubos e ossos é uma celebração à vida, à fragilidade em que vivemos e para onde o nosso coração negro pode nos levar. Após o suicídio de sua mulher, Li (que muitos sugerem que foi por causa das imagens que Giger pintava dela, uma delas ficou famosíssima como capa do game Darkseed nos anos 90) em 1975, ele pareceu transbordar vivacidade e movimento sem perder suas maiores características. A prova de que sua arte era um monumento em homenagem à vida humana.


Rosto de Li, por H. R. Giger, capa do jogo Darkseed

Para entender com mais detalhes a mente deste gênio, minha sugestão é ler o livro HR GIGER ARh+, publicado pela editora Taschen. Também uma versão com mais imagens é o livro www.giger666.com da mesma editora e o raro Giger's Necronomicon. Algumas das informações que incluí neste texto estão na revista de cinema Cinefantastique de maio de 1988, do Giger's Tarot (com versões para os 22 Arcanos Maiores), da agenda HR Giger ARh+ de 1998 (que inclui vários sketches inéditos) e do Giger 3D Calendar de 1998, ambos da editora Evergreen.

Professor Emerson Penerari (abaixo, com algumas das obras citadas nesse texto)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

“O Matrimônio da Virgem”, de Rafael, e a Questão do Espaço

O "Casamento da Virgem" (Sposalizio della Virgine: óleo sobre tela, 170 x 117), de Rafael Sanzio, um quadro de 1504, é um belíssimo exemplo de como, a partir do século XV, o espaço aparece representado com o auxílio da perspectiva. No século XV, o espaço passa a ser a própria representação da pintura: o ponto de partida das obras é o espaço.

"Casamento da Virgem", Raffaello.
Fonte:
 http://www.christianrosenkreuz.org/raffaello_spozalizio.jpg
No quadro a perspectiva é evidente. A obra foi claramente inspirada na "Consignação da Chave a São Pedro" e também no "Casamento da Virgem", dois quadros de  Perugino, onde se percebe  que a arquitetura é um elemento principal e definidor do espaço. Rafael foi discípulo de Perugino até o ponto de seus quadros se tornarem muito parecidos com os de seu mestre, porém, todos os antecedentes artísticos de Rafael, e não só sua aprendizagem com Perugino, se situam dentro da poderosa tradição do classicismo do século XV.
"Casamento da Virgem", Perugino.
Fonte: https://peregrinacultural.files.wordpress.com/2012/06/pietro_perugino1448-1523-o-casamento-da-virgem-1503-c3b3leo-sobre-madeira-234-c397-185-cm-museu-de-belas-artes-de-caen-franc3a7a.jpg
Segundo o historiador Bernardo Berenson, a distribuição geral do quadro de Rafael é uma variante do afresco de Perugino, com mesmo princípios e elementos, mas o espírito mudou muito: há um refinamento maior é encontrado no trabalho de Rafael.

Rafael, embora tenha utilizado menor área que Perugino para pintar seu templo, faz com que o edifício pareça maior que o do quadro do mestre. Ele distancia as figuras do prédio e o coloca em um terreno mais elevado, sobre uma escadaria com mais degraus que a de Perugino. Em Rafael, os personagens estão postados como uma frisa na parte da frente da obra, representados simetricamente, tendo ao fundo o templo, de onde vem o ponto de fuga, dando a sensação do espaço. O ponto de fusão da cena é a aproximação das mãos dos noivos (José vai colocar a aliança no dedo da Virgem), sobre o fundo vermelho da roupa do sacerdote, valorizando a figura humana no quadro. O templo, é o elemento dominante da obra, parece assumir em si, um senso esférico e centralizado, toda a imensidão do espaço que o circunda.

No quadro de Rafael, a perspectiva une o mundo sacro ao mundo natural, que é a paisagem. Ao colocar o espaço como elemento fundamental de sua obra, Rafael procura constituir dois mundos que interagem: as figuras estão organizadas por uma linha, aparecem no mesmo plano, e esta linha de frente aparece perpendicular à linha que sai do ponto de fuga, passa pela porta do templo e cruza toda a parte posterior do quadro, dando-lhe uma sensação de equilíbrio.

Os elementos, em o "Casamento da Virgem", são células independentes que se relacionam; assim como as figuras, o espaço é analítico. Assim, Rafael consegue, mesmo tendo sido exageradamente inspirado por Perugino, uma nova maneira de representar o espaço. O espaço torna-se elemento fundamental, delineado pela perspectiva, um espaço analítico e profundamente complexo.

Prof.ª Gisela Pizzatto.

segunda-feira, 5 de maio de 2014