quinta-feira, 15 de maio de 2014

H. R. Giger - Mais Um Grande Gênio Nos Deixa


Fonte: http://media.moddb.com/images/groups/1/2/1223/hrGiger.maske.jpg
Saudações, galera! Bom, na postagem dessa semana eu até procurei um outro tema para discorrer (geralmente oscilo entre falar de artistas, materiais ou meu ponto de vista sobre a arte atual e prometi escrever sobre Arte e Religião, Capas de Discos e Sandman), mas ontem uma notícia me abalou bastante: o falecimento de H. R. Giger, um mestre da Arte Surrealista e Realismo Fantástico que influenciou artistas, ilustradores, escultores, designers, cineastas, músicos e muitos outros da área. Ele morreu nesta segunda-feira dia 12 de maio aos 74 anos vítima de complicações ocorridas de uma queda recente em sua casa.


Fonte: http://www.hrgiger.com/bar/bar5.jpg
Hans "Ruedi" Giger nasceu em 1940 em Chur (Suiça), mudou-se em 1962 para Zurique, onde se formou em arquitetura e desenho industrial. Desenvolveu uma técnica muito peculiar utilizando nanquim, tinta acrílica, aerógrafo, elém de esboços com pena, pastel, caneta esferográfica e suas maravilhosas esculturas em resina e sucata. Revolucionou o visual da ficção científica quando criou o monstro Alien para o filme de mesmo nome dirigido por Ridley Scott em 1979, e em 1980 ganhou o Oscar de Efeitos Especiais pelo filme, mas já tinha trabalhando com experimentações biomecanóides (mistura de elementos biológicos e mecânicos) em sua arte há algum tempo. Inclusive na música, quando produziu a arte para o LP Brain Salad Surgery, do trio de Rock Progressivo Emerson, Lake & Palmer (falei da importância dessa capa em minha formação artística aqui: http://blogdaanima.blogspot.com.br/2013/09/desenho-e-musica-artes-interligadas.html), e depois para Koo Koo, disco de Debbie Harry, e To Mega Therion, clássico da banda de Death Metal Celtic Frost em meados dos anos 1980. Em 1995, resolveu experimentar a computação gráfica e criou versões 3D de suas obras (aquelas ilusões de ótica onde você fica observando uma sequência de imagens até senti-la 'saltar' do papel). Isso sem contar os bares/museus que foram abertos em sua homenagem.












Sua fama nos anos 80 e 90 cresceu de uma forma absurda, sendo cultuado tanto pela galera mais Heavy Metal quanto fãs de Ficção Científica, tanto que ainda trabalhou com outros filmes e videogames do gênero, incluindo Duna (que foi rejeitado), A Experiência (Species), Darkseed, entre outros. Muitos tentaram imitá-lo tanto na franquia do Alien como em filmes menores como Galaxina, Força Sinistra (Lifeforce - esse filme de 1985, de Tobe Hooper é fenomenal!), Invasores de Marte (também de Hooper), Saturn 3, The Intruder Within e Scared to Death, mas nenhum conseguiu colocar a classe dark de Giger em suas obras.

Falar do meu sentimento pessoal é até difícil, já que Giger é um dos pilares da minha formação artística. Em 1986  vi o trailer de Aliens de James Cameron e pedi encarecidamente para ver esse filme no cinema. Mas tinha 10 anos de idade e a censura era de 16 anos. Uma de minhas tias teve a ideia de me levar vestido com roupas mais "adultas" e, como eu era um tanto alto me passei por seu namorado. Assistir esse filme me deixou empolgadíssimo! Já era fã de Sci Fi, mas o horror espacial claustrofóbico que eu conhecia se resumia a 2001 e algumas cenas impactantes da série Star Trek original. Aqueles monstros gigantes, gosmentos, negros em colmeias, servindo uma rainha cruel, mudou minha ótica do espaço, que antes era romanceada com base no filme E.T., que é o meu extraterrestre favorito de todos os tempos.


Meses depois consegui assistir a obra prima de Ridley Scott, onde a mão de Giger trabalhou de forma crua e totalmente original, e eu pirei com os cenários. Lendo a legenda no VHS finalmente associei o nome à pessoa: era o mesmo cara que tinha pintado a capa de discos que eu tinha em casa! Aí comecei a correr atrás de tudo que encontrava desse artista. Sua conotação perturbadora, seus símbolos fálicos, formas sexuais que desafiam os bons costumes e religiosidade não são fáceis de serem apreciadas, por isso muitas vezes eu não mostrava para as pessoas as imagens que ia adquirindo. Após me tornar professor passei a indicar para alguns alunos as obras do mestre, para mostrar como a arte pode incomodar, pode ser criativa e fria, pode servir como um cenário ou como um elemento crucial.


A genialidade de Giger vai fazer muita falta em uma época como a nossa, onde pessoas prendem animais, penduram carros, desfilam nus, pintam estampas com cores chocantes e são classificados de "artistas". A temática cinzenta, mortuária, carregada de tubos e ossos é uma celebração à vida, à fragilidade em que vivemos e para onde o nosso coração negro pode nos levar. Após o suicídio de sua mulher, Li (que muitos sugerem que foi por causa das imagens que Giger pintava dela, uma delas ficou famosíssima como capa do game Darkseed nos anos 90) em 1975, ele pareceu transbordar vivacidade e movimento sem perder suas maiores características. A prova de que sua arte era um monumento em homenagem à vida humana.


Rosto de Li, por H. R. Giger, capa do jogo Darkseed

Para entender com mais detalhes a mente deste gênio, minha sugestão é ler o livro HR GIGER ARh+, publicado pela editora Taschen. Também uma versão com mais imagens é o livro www.giger666.com da mesma editora e o raro Giger's Necronomicon. Algumas das informações que incluí neste texto estão na revista de cinema Cinefantastique de maio de 1988, do Giger's Tarot (com versões para os 22 Arcanos Maiores), da agenda HR Giger ARh+ de 1998 (que inclui vários sketches inéditos) e do Giger 3D Calendar de 1998, ambos da editora Evergreen.

Professor Emerson Penerari (abaixo, com algumas das obras citadas nesse texto)

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