quinta-feira, 26 de junho de 2014

A História da Aquarela

Podemos dizer que a história da pintura começa com aquarela, porque ela é o meio mais antigo de pintura. Esta, por sua vez, se funde com a história do papel. Vamos dar uma olhadinha rápida no que aconteceu!

Aquarela da artista Agnes-Cecile (agnes-cecile.deviantart.com/).
Os egípcios usavam tintas à base de água para decorar suas tumbas e templos, essa tinta era feita com a polpa da planta papiro, e este foi um dos primeiros povos a adotar o que podemos chamar de aquarela sobre papel.

Os chineses têm uma tradição de longa data com a aquarela, que remonta a 4000 aC! Foram os seus desenvolvimentos na técnica de fazer papel, que virou uma produção forte por volta de 100 dC, que provocou um avanço marcante na técnica e na quantidade dos trabalhos produzidos. 


Aquarela de Takmaj (www.facebook.com/takmaj.majawronska).
Apenas mil anos depois que a fabricação de papel em forma de massa foi para a Europa levada pelos árabes. Eles aprenderam o básico da fabricação de papel com as melhorias feitas pelos chineses e fizeram a sua própria, espalharam o produto novo para o Ocidente, mais precisamente para Espanha, Itália e França.

 Mesmo assim, pelos 100 anos seguintes a aquarela usada no Ocidente foi usada apenas em ornamentos de livros religiosos (como o Book of Kells) e em afrescos, já que eram feitas de pigmentos a base de água e podiam ser aplicadas em gesso molhado (o teto da Capela Sistina, de Michelangelo).

Book of Kells
Durante o cinquecento surgiu um artista alemão, Albrecht Dürer, que desenvolveu novas técnicas de pintura com a aquarela que destacaram as propriedades luminosas de transparência desta tinta sobre o papel. Apesar dos avanços de Dürer, os 300 anos seguintes a aquarela foi principalmente usada como auxiliar em sketches preparatórios para pinturas a óleo, ou como técnica para pintura de ilustrações botânica e de animais e pintura de mapas.

Albrecht Dürer | Aquarela e Guache sobre Pergaminho
Após o século XVIII surgiram papéis produzidos especialmente para aquarela e a técnica se tornou mais popular e apreciada. Durante os séculos XIX e XX aconteceu a revolução da aquarela, com muitos mestres e pintores conhecidos usando esta técnica.

Agora, durante o século XXI, essa "era de ouro" continua, com muitos artistas novos fazendo uso dessa técnica. Aqui estão alguns deles pra você conferir! Aproveitamos o post pra deixar um recadinho: o curso de Aquarela aqui na Ânima começa no segundo semestre. Fiquem de olho.

Trabalho do artista Conrad Roset (http://www.conradroset.com/).

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Palestras e Workshops - Programação de Julho


Televisão: inspiração ou prisão?

Fonte: http://pichost.me/1466383/
Saudações, leitores e artistas!

Bom, acredito que muitos estão pensando que falarei sobre o campeonato futebolístico que invadiu o país essa semana, mas não! Se quiserem saber o que temos a dizer sobre essa festa da Fifa, leiam o texto que a Gisela fez no início do ano aqui: http://blogdaanima.blogspot.com.br/2014/01/o-artista-e-patria.html

Mas buscando alguns assuntos na minha lista de temas a discorrer no Blog (falei de alguns artistas que admiro, da banalização da palavra "Arte", expliquei materiais...) vi que muitos desses assuntos terão de ser divididos em partes. Isso me fez lembrar de histórias que admiro muito como seriados, animações e até de filmes que geram várias sequências, o que me trouxe a memória esse tema: a Televisão pode ser usada para o bem dos artistas!

Fonte: http://obviousmag.org/archives/uploads/2006/060802_televisao.jpg
Confesso que nunca fui muito fã de assistir televisão. Nasci em uma época onde todas as crianças sabiam de cor a programação dos canais (pois eram muito poucos e tinha muito material infantil), numa época onde várias famílias se sentavam juntas no sofá para ver notícias e novelas durante a semana, e Os Trapalhões e Sílvio Santos aos domingos. Assuntos televisivos eram motivo de discussões acaloradas no ambiente de trabalho, nos bares, entre os amigos. Depois vieram os Videogames e Videocassetes, que deixavam a família cada vez mais enraizada na sala de casa... Mas vivi meio fora dessa realidade e nem sei se consigo explicar o motivo. Eu era o moleque que ficava no canto com um kit do Playmobil. Talvez lendo quadrinhos da Turma da Mônica ou desenhando. Tá certo, tive a oportunidade de acompanhar muita coisa legal surgir na TV, mas às vezes nas conversas com outros da minha idade me sinto um alienígena (só para situar você, leitor, só descobri que a Turma do Chaves foi a Acapulco há cerca de 4 anos! Todo mundo com mais de 30 anos sabe disso há décadas!). Não acompanhei a febre que era o desenho dos X-Men e dos Cavaleiros do Zodíaco nos anos 90, muito menos Dragon Ball e Pokémon (esses principalmente porque eu passava o dia trabalhando e estudando).

Fonte: http://spe.fotolog.com/photo/46/14/66/calistenia/1173626879_f.jpg
Mas sempre houve duas coisas que me prendiam àquela caixa no canto da sala: Os filmes e seriados! Ah, minha adolescência foi um período onde eu dormia muito pouco para poder ver e rever muitos filmes que passavam na TV de madrugada ("Versão Brasileira: Herbert Richards" - hoje em dia é "cool" reclamar de filmes dublados, ainda mais que tem muitos jovens que obrigatoriamente deveriam saber inglês que transformaram a TV a Cabo em um antro de filmes dublados pela pura preguiça de ler as legendas, mas para mutas crianças dos anos 80, legenda era só no cinema ou em VHS alugado, não existia tanta opção dublada nos cinemas e nas locadoras. Tinha uns seis anos quando assisti o E.T. do Spielberg legendado no cinema). Quando era criança acompanhei muitos Live Actions Japoneses e seriados com temas que me interessavam, como Super Máquina, V- A Batalha Final e Além da Imaginação. Entre os 13 e os 17 anos fiquei um tanto afastado dessas coisas, um pouco por causa do trabalho e dos estudos, e também porque resolvi ler muitos livros, o que me tomava muito tempo. Hoje em dia dou risada de mim mesmo ao imaginar o que os outros pensavam quando viam um moleque de 15 anos lendo Goethe e Hemingway no ônibus, mas que, na verdade, não entendia nada daquilo...

Fonte: http://4.bp.blogspot.com/-mFy_Au24QsM/TwcGfwac5eI/AAAAAAAAIyU/k7t3_sc1w-Y/s400/et6.jpg
Alguns programas bem criativos que assisti na TV foram "A Turma do lambe-Lambe", do desenhista Daniel Azulay, e "O Mundo de Beekman". Nos últimos anos, deixo como dicas os programas: Art Attack,  Mr. Maker, ArtZooka, a maioria mais voltada para o público infantil, o que é muito bom tendo em vista que a segunda metade dos anos 90 e começo dos anos 2000 foram muito fracos para programas desse gênero

Mas o que me fez voltar a gostar de assistir animações seriados foram, respectivamente, Simpsons e Arquivo X, nos anos 90. Mulder e Scully chegaram na hora certa, numa época de transição para a vida adulta onde eu acreditava que teria que deixar de lado minha paixão por Quadrinhos, Ficção Científica, RPG e Heavy Metal para cair na vida real. Acabei conhecendo muita gente que se manteve nesse maravilhoso mundo da Fantasia e Ficção, que me fez curtir ainda mais essas temáticas, e então percebi que isso poderia ser uma paixão ou uma inspiração.

Virou as duas coisas.

Hoje ainda vejo muito pouca TV, fico muito pouco tempo em casa. Mas muitas dessas paixões, como filmes, animações e seriados, estão disponíveis em outras mídias. Se eu voltasse no tempo e dissesse a mim mesmo 20 anos mais jovem que não seria necessário gravar toneladas de fitas VHS com meus filmes e seriados favoritos, pois isso seria facilmente visualizado no futuro, acho que minha versão jovem ficaria maluca! Mesmo assim, sinto um certo prazer quando consigo ver um episódio de Game of Thrones ou The Walking Dead diretamente na TV, um programa cultural interessantíssimo que achei sem querer trocando de canais ou mesmo um programa bem familiar com minha esposa, minha filha e nosso gatinho, uma ao lado do outro. Me traz a lembrança de sentar com meu pai (e o cheiro de querosene em suas mãos), minha mãe e minha irmã para ver um telejornal nos anos 80, provavelmente uma matéria sobre o sequestro do Menino Carlinhos ou o naufrágio do Bateau Mouche IV...

Fonte: http://www.jblog.com.br/media/149/20101230-naufragio.jpg
Após a popularização dos celulares e da internet, todo esse romantismo ritualístico familiar em volta de uma caixa no canto da sala infelizmente  desapareceu, pelo menos nas grandes cidades. O pai continua vendo o futebol (ou mesas redondas sobre) em frente a TV, a mãe vê a novela na TV do quarto enquanto comenta com as amigas nas redes sociais, e os filhos, cada um num canto, não desgrudam de seus Smartphones, Ipads, Tablets ou o que quer que seja. Tão afastados a ponto de eu, que não era presença frequente na sala de casa, achar estranho...

Fonte: http://1.bp.blogspot.com/-Hg-eNTn4pzM/T8ylQkmk-4I/AAAAAAAAAT0/8bhzjdiZ0qs/s1600/alonetogether.jpg
Vou ficando por aqui e deixo um som para vocês pensarem a respeito.

https://www.youtube.com/watch?v=ABc8uJq5gZg

Professor Emerson Leandro Penerari


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Palestra com Felipe Massafera e Marcelo Ferreira

Pra quem perdeu a palestra dos internacionais Marcelo Ferreira e Felipe Massafera, a gente dá uma palhinha aqui no blog do que rolou na tarde do sábado dia 31/05.

Realizada na Oficina do Estudante, a palestra durou quase quatro horas e os artistas falaram de suas carreiras, trabalhos atuais e passados, como ingressaram no mercado americano e deram dicas para quem foi assistir.

Felipe Massafera, atualmente trabalhando para a editora Dark Horse, mostrou um pouco da sua técnica de pintura, em que usa guache para colorir os trabalhos. Os participantes conferiram ao vivo o artista trabalhando e explicando a técnica.

Marcelo Ferreira. artista da IDW, falou sobre projetos novos, sobre como procurar os editores internacionais e também um pouco sobre a situação dos quadrinhos aqui no Brasil.

Aqui você tem algumas fotos de como foi o evento e em breve a gente vai disponibilizar um vídeo com os melhores momentos da palestra!