quinta-feira, 3 de julho de 2014

Releituras, Adaptações e Continuações: por que precisamos disso?

Saudações, seguidores do Blog da Ânima! Entrem, sentem-se e sintam-se à vontade!

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Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/img/plano-de-aula/ensino-medio/releitura-3.jpg

"A repetição é a base da retenção" já dizia meu velho e sábio tio. A base do aprendizado é a repetição. Aprendi muito com isso, em vários aspectos da vida. Às vezes é preciso errar uma vez. Algumas vezes erramos na segunda, terceira tentativa. Mas sempre sobra uma lição a ser aprendida.

Com a arte e a criatividade é a mesma coisa. Por vezes algo que fazemos não nos agrada, então sentimos a necessidade de mudar, de transformar, de adaptar. Existe também a vontade de refazer uma obra existente pela simples homenagem, uma forma de se lembrar de algo que já foi muito bem feito. E existem aqueles momentos em que algo criado por outrem não nos agrada, então achamos que deveria ser melhorado, repetido.

Na cultura pop (principal influência de 95% dos artistas da atualidade) sofremos avalanches dessas repetições nas últimas décadas. Seja na literatura, no cinema, na música, nos quadrinhos, no teatro, nos jogos, animações e em qualquer mídia, não é difícil encontrarmos releituras, adaptações (de uma mídia para outra, principalmente) e continuações. Para quem é fã de determinado segmento, isso é ótimo, afinal, quanto mais informações a respeito do que se gosta, melhor. Mas seriam essas insistentes citações a uma obra prima algo bom, uma tentativa de melhorar o que já foi feito, ou simplesmente pura falta de criatividade de desenvolver algo novo? Parece complicado? Vou explicar melhor.

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Fonte: http://petapixel.com/assets/uploads/2011/10/remake2_mini.jpg

Desde que o ser humano criou a primeira arte utilitária, um outro foi lá e copiou, adaptando para a sua necessidade. Foi assim com a roupa, com a colher e por aí vai. Mas na atualidade é praticamente impossível nos depararmos com algo totalmente inédito, livre de influências.  Boa parte das ilustrações são releituras de outra ilustração ou de alguma história. Livros e quadrinhos viram filmes praticamente todo os meses. Artistas regravam suas próprias músicas ou de outros artistas.

Algumas releituras foram ótimas para a sociedade, como as que os pintores da Renascença faziam de cenas bíblicas e mitológicas. Dessa forma, mais pessoas tiveram acesso às obras de arte e mesmo às histórias retratadas nessas obras. Nem é preciso estipular quem veio primeiro, quem é mais importante ou qual artista é melhor, apenas admirar os lindos trabalhos. Abaixo a ceia mais famosa do mundo pelas mãos de Leonardo e de Tintoretto:

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Fonte: http://4.bp.blogspot.com/-FeLQ2I6sSPw/TeVxhU1BAoI/AAAAAAAAGCs/z1Ke8jW6spA/s1600/Tintoretto+%25C3%259Altima+Ceia.jpg

O Teatro também se aproveitou de histórias mitológicas para ganhar atenção do público culto. Já na era moderna, adaptar a vida de pessoas famosas ou inserir um personagem em um acontecimento conhecido fica mais fácil do que ter que criar tudo do zero.

Mas o que me fez escrever sobre isso é a limitação que essas releituras e adaptações vêm trazendo. No começo parecia muito legal quando víamos um trailer de um "remake" de algum filme clássico cuja história merecia uma atualização. Ou uma adaptação de um livro para uma história em quadrinhos de qualidade. Ou quando algumas bandas resolviam comemorar vários anos de carreira regravando seu disco mais relevante.

E chegamos ao momento da história da humanidade onde o que era para ser especial virou regra. Michael Bay parece se sustentar em clássicos dos anos 80 para produzir seus filmes. Boas bandas, como Twisted Sister e Roupa Nova regravam seus clássicos e não mudam seus shows há uma década. Para um livro ou um quadrinho vender mais e fazer sucesso, só se virar filme ou animação, porque parece que o grande público perdeu o interesse em ler. Momentos clássicos dos personagens dos quadrinhos são relançados anualmente, dando a impressão de que as novas histórias não precisam ser tão boas, já que temos sempre às mãos histórias seminais como V de Vingança, Sandman, X-Men de Chris Claremont, Batman - O Cavaleiro das Trevas, e por aí vai.

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Fonte: http://2.bp.blogspot.com/-SJbfuMM9KNs/Tfvcfo1jJXI/AAAAAAAAAVY/xt_9ZsEN3ek/s1600/Stay+Hungry.jpg
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Algumas histórias merecem mesmo uma relembrada, mesmo que atualizada. Onze Homens e um Segredo é um filme refeito que ficou superior ao original. Já o Cavaleiro Solitário poderia ter ficado sem aquele remake chatíssimo...

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Ou Seja, de forma resumida, essas repetições são saudáveis para que boas lembranças façam parte de nossa vida. Mas, se consumidas de forma exagerada, ficaremos fadados a sempre conhecermos as mesmas ideias, as mesmas histórias. Por isso, apreciem com moderação, e sempre busquem as influências originais, sejam elas pinturas, contos, livros, filmes ou músicas. Mesmo que a primeira versão não seja a melhor (afinal, nem sempre o objetivo é apenas homenagear, mas sim mostrar uma outra visão ou mesmo reparar alguns erros do passado), é sempre muito legal saber a origem de algo que gostamos tanto!

Para não dizer que sou um velho chato e que não gosto de remakes, releituras ou adaptações, deixo aqui três dicas de artes recentes que merecem uma conferida:

Arte: A série "História em Quadrões", da Maurício de Souza Produções, é uma galeria de arte contemporânea com releituras das pinturas e esculturas mais conhecidas da história da humanidade. Um trabalho que enriquece a influência artística, encanta os mais velhos e desenvolve nos mais novos a curiosidade de aprender sobre os originais que os inspiraram. Não deixe de conferir!

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Fonte: http://www.elsonador2.blogger.com.br/cebolinha.jpg

CD: Tuomas Holopainen: The Life and Times of Scrooge - Trata-se de um CD - homenagem bem criativo, que faz uma trilha sonora às HQs clássicas do Tio Patinhas ilustradas pelo grande Don Rosa. O tecladista compositor é mentor da banda finlandesa Nightwish. Ótimo para ouvir enquanto lê os gibis!

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Fonte: http://www.metalobsession.net/wp-content/uploads/2014/04/Tuomas-Holopainen-The-Life-And-Times-Of-Scrooge-Cover.jpg
Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=SHb3OnTUP5g&list=PL3_DzrADEdFR4tfRzhbrPDb9wiCM3J6CB

HQ: Piteco: Ingá. Utilizando o personagem clássico do Maurício de Souza, o artista Shiko desenvolve uma trama interessantíssima que mescla pré-história com raízes nordestinas, dando um olhar bem diferente das histórias bem-humoradas do homem das cavernas.

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Fonte: http://www.classenerd.com.br/wp-content/uploads/2013/11/Piteco_ing%C3%A1_F_1-660x330.jpg

Filme: Invasores (2007), de Oliver Hirschbiegel, com Nicole Kidman e Daniel Craig. O filme "Invasores de Corpos" de 1978, é um clássico e foi um remake de um filme de 1956 de mesmo nome, mas sua linguagem acabou ficando defasada, e pode parecer arrastado para os dias atuais. O diretor conseguiu manter o clima de suspense com ótimos diálogos e enquadramentos bem interessantes.

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Fonte: http://2.bp.blogspot.com/-avhf6XAq7d8/Tjd3qNBRZmI/AAAAAAAAB3o/lkSn-Psh4hc/s1600/OS+Invasores+de+Corpos.jpg
Se alguém lembrar de mais boas releituras e adaptações, ou quiser criticar alguma, o espaço é de vocês!

Professor Emerson L. Penerari

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