quinta-feira, 17 de julho de 2014

RPG: Mark Rein Hagen no Brasil pela Terceira Vez!

Hail galera! Bom, nesse final de semana e no próxmo tem Anime Friends em São Paulo e, como na versão de 2011, o EIRPG (Encontro Internacional de RPG), meu evento favorito de todos os tempos criado pela Editora Devir em parceria com outras empresas terá sua 17a edição junto aos cosplayers.

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Entre as diversas atrações nacionais e internacionais, o Brasil recebe pela terceira vez o grande Mark Rein-Hagen. Não sabe quem é o cara? Bom, vamos a uma breve biografia para te situar, então.


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Em 1990, os Role-Playing Games (Jogos de Interpretação de Personagens) eram bem centrados nos cenários medievais inspirados na segunda edição de Dungeons & Dragons (ou AD&D; falarei dele e dos seus 40 anos de história em breve), com algum apelo à ficção científica vindo do sistema GURPS e de jogos independentes de temática Cyberpunk. E Mark, que iniciou sua carreira como Game-designer em 1987 com o RPG medieval Ars Magica, criou uma nova empresa de desenvolvimento de jogos, a White Wolf, para sua nova linha de livros: os jogos de terror. Foi uma revolução na arte dos jogos de interpretação.


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Claro, antes dos livros da White Wolf tínhamos alguns poucos RPGs que abordavam o tema, inclusive o cenário Ravenloft do AD&D, onde os personagens dos mundos medievais eram levados por uma bruma em um mundo onde o terror e o mal imperava.


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Mas todos os jogos de terror seguiam essa premissa de "combate ao mal". O que Mark Rein-Hagen fez de diferente foi transformar os personagens dos jogadores nos monstros. Seu primeiro livro pela White Wolf, o jogo para adultos Vampire: The Masquerade (Vampiro: A Máscara),  fez com que os jogadores interpretassem os próprios vampiros, não lutando contra eles, mas manipulando os mortais, escondendo-se de Lobisomens, fazendo alianças com outros seres das trevas. Resumindo: a juventude dos anos 90 amou (lembre-se: no início dos anos 90 a moda era ser anti-herói, como Justiceiro, Wolverine, Spawn, Exterminador do Futuro...)! Com regras simples, mais voltadas à interpretação do que a longos combates com dados, o sistema de jogo, batizado de Storytelling (Narrativa), abocanhou jogadores que queriam algo mais teatral, ao passo que causou repulsa nos jogadores que gostavam de estratégias mais técnicas. Mark desenvolveu o sistema de jogo e até adaptou-o para o Live-Action (o jogo onde o pessoal interpreta fantasiado, e em pé, sem a necessidade de uma mesa cheia de livros, planilhas e dados).

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Vampiro: A Máscara foi um marco! Descaradamente inspirado nas Crônicas Vampíricas da escritora Anne Rice (Já leu? Não? Tá fazendo o que aí na frente da tela? Corre pra livraria!), Mark criou um Mundo das Trevas onde Vampiros, Lobisomens, Múmias e Fadas se dividiam em seitas e clãs, escondidos entre os humanos, mantendo uma política e vida social à parte, tentando sobreviver em um mundo incrédulo às criaturas fantásticas, explorando a perda a humanidade, a valorização da vida e o controle da besta interior. A Cultura Punk e Gótica também serviu de inspiração e depois usou o cenário como referência, num belo intercâmbio cultural. Além dos diversos livros da própria White Wolf e das diversas cópias que permearam os anos 90 até meados doa década de 2000, vou acrescentar alguns outros motivos pelo qual Vampiro: A Máscara é imperdível para quem gosta de um bom jogo de narrativa:

- Lançou para o mercado das artes os excelentes ilustradores Tim Bradstreet (que depois ficou famoso como capista de Hellblazer e Justiceiro), Rebecca Guay, Joshua Gabriel Timbrook, Cristopher Shy, e contou com a colaboração de artistas consagrados como Clyde Caldwell, Kent Williams e Vince Locke.





- Trouxe um grande público feminino para o hobby do RPG, que até então era considerado um jogo para nerds que gostavam de interpretar guerreiros medievais.


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- Sua ambientação inspirou quadrinhos, séries de TV (como Kindred: The Embraced), filmes (como Underworld) e vídeogames.


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- Fez com que o mercado de jogos ganhasse um novo fôlego nos anos 90. Suas centenas de livros e suplementos aceleraram o lançamento e desenvolvimento de diversos jogos das editoras concorrentes, mantendo o hobby aceso durante um bom tempo.

Infelizmente, a criação do Sistema D20 pela Wizards of The Coast, a internet com seus downloads ilegais e suas redes sociais, e talvez até a mudança de comportamento das pessoas fez com que o RPG como um todo ficasse de lado. Uma sobrevida (já sem Mark Rein Hagen na empresa) foi gerada com o sistema World Of Darkness revitalizando os jogos com novas regras, mas sem o charme clássico dos originais . Em anos recentes, devido ao saudosismo do pessoal mais velho (que agora tem grana para comprar mais jogos), o surgimento dos hipsters (esses chatos  que querem viver uma época que não lhes pertence e acabam se sentindo em lugar nenhum), o surgimento dos sites de financiamento coletivo, que permitem um alcance mais prático do público interessado e pela falta de criatividade de muitos jogos eletrônicos, os Jogos de Tabuleiro voltaram com tudo e talvez tenhamos um novo "revival" dos jogos de interpretação, como o que ocorreu entre 1992 e 1999.


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Em 2011, comemorando 20 anos de seu lançamento, uma nova edição de Vampire: The Masquerade foi lançada com um grande resumo das regras principais, novas e estonteantes artes dos principais ilustradores, capa e papel especial que vale muito cada centavo.


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Mark Rein-Hagen esteve pela primeira vez no Brasil em 1994, no II Encontro Internacional de RPG. Para divulgação, a Editora Devir lançou às pressas uma versão traduzida da segunda edição de Vampiro, com uma série de falhas na tradução. Em menos de um ano, uma nova versão corrigida foi lançada, bem como alguns suplementos e outros livros do sistema Storytelling.

Em 2013 ele voltou para divulgar seu novo jogo, I Am Zombie, um Card Game sobre zumbis que promete fazer muito sucesso (afinal, estamos na era dos Zumbis, não é mesmo? Até os jogadores da seleção Brasileira pareciam figurantes de The Walking Dead nesta última Copa do Mundo...); e agora em 2013 teremos sua terceira visita.


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Aproveito o espaço para agradecer a Mark Rein-Hagen pelo seu excelente trabalho e a todos que já jogaram alguns de seus livros comigo. Quem quiser bater um papo, saber um pouco mais sobre RPG ou até combinar alguma partida, me procure na Ânima ou no twitter @EmersonPenerari. E, se tiver uma oportunidade de dar uma passada no Campo de Marte esse final de semana, dê uma procurada no mestre. A programação com os horários de Hagen no evento está aqui: http://www.animefriends.com.br/ei_mark.shtml#conteudo











Prof. Emerson Leandro Penerari (à direita, na foto, mestrando um Live Action no EIRPG de 1997)


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