sexta-feira, 29 de agosto de 2014

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Profissionais da Arte e Aspirantes: o que falta?

Hail galera! Hoje o papo será direcionado a quem já está avançado no desenho, ou que já trabalha profissionalmente com Ilustração, Design, Arquitetura, Música, Escultura e criatividade em geral (e tem opções, hein? Estilismo, Games, Teatro, Cinema, Criação e Produção Publicitária...). Não é um texto generalizando nada nem ninguém, apenas algumas considerações que andei ponderando essa semana.


Fonte: http://3.bp.blogspot.com/-LnEMxyqgBJU/UnkJTqagWFI/AAAAAAAAAzs/bMzo2NXgF40/s1600/IMG_7288.jpg

Conversando com amigos mais novatos da área artística, percebo que, em muitos casos, estão divididos em praticantes ininterruptos e eternos aprendizes. E ambos possuem seus defeitos e virtudes.

Praticantes: são aqueles que aproveitam seus trabalhos para continuarem exercitando e explorando o aprendizado das artes, sempre estão produzindo para sobreviver. O ponto negativo é que muitos desses não dispõem de tempo para se informar mais ou estudar novas técnicas em sua área.

Aprendizes: são aqueles que estudam, pesquisam, sabem toda a teoria da área em que pretendem trabalhar, e até arriscam muitos treinos em seus sketchbooks. Mas param por aí. Não finalizam trabalhos, não vendem, recusam encomendas por insegurança ou por não saberem na prática como fazer.


Fonte: https://lh4.googleusercontent.com/-9CFQlDi4B3k/TXVZ12_TN5I/AAAAAAAAAG4/uJ2wVQ9Iheg/s1600/2011-03-07+13.03.45.jpg

Já tive experiência pessoal em ambos os lados. Mas minha fase de "Aprendiz" deve ter durado poucos meses na adolescência, pois logo resolvi que iria viver de ilustração e ensino das artes, e para isso precisaria trabalhar muito no ramo.

Às vezes a atarefada vida de um profissional da criatividade toma tanto o seu tempo que ele deixa de lado fatores importantíssimos no desempenho, como o aprimoramento do que já sabe e o aprendizado de novos meios para produzir. Isso já se deu inclusive comigo no início. Tomo por hábito continuar estudando, aprendendo e praticando quando possível.

Para exemplificar: digamos que iniciei uma ilustração encomendada por uma empresa. Conheço diversas formas de fazê-la, mas não terei tempo de aprender uma técnica ou um material diferente dos quais me acostumei, e justamente nesse trabalho seria necessário um conhecimento mais amplo nessa técnica ou material. A solução é produzir com o que já sei usar e da melhor forma possível e, no próximo intervalo entre trabalhos, aprender e praticar para não passar novamente por isso.

Por isso que sempre incentivo o uso do Sketchbook, ou Caderno de Campo. Eu mesmo demorei algum tempo para me acostumar a carregar um desses para todo canto, mas já pratico isso há uns 7 anos. Para rabiscar ideias, esboços rápidos, treinos. Diga a verdade: você SEMPRE acerta uma ilustração de corpo humano (realista ou estilizada) no primeiro traço, mesmo se ficar um mês sem praticar? Não. Agora, exercitando esboços rápidos de corpo em movimento, modelo vivo, fotografias, sua chance de acertar as proporções no seu desenho se multiplicam, e muito. Tem um texto muito legal da Gisela sobre a importância do esboço (clique aqui!).


Fonte: http://www.criatives.com.br/wp-content/uploads/2013/10/Sketchbook-criativo-pezArtwork-6.jpg

Você pode ser um mestre em sua área, mas perderá campo se não se atualizar. No campo da música, cito dois exemplos: Os guitarristas do Judas Priest, após quinze anos de carreira, tocando semanalmente, resolveram voltar às aulas de guitarra no começo dos anos 1990 para evoluírem seu estilo. O guitarrista Zakk Wylde (Ozzy Osbourne, Black Label Society) disse em entrevista recente que pratica guitarra 6 horas por dia, mesmo tocando ao vivo e gravando CDs regularmente, e é considerado um dos melhores guitarristas da atualidade. No ramo dos quadrinhos, lembro-me de ter lido há cerca de 10 anos uma entrevista com o saudoso mestre Joe Kubert, e ele, já idoso e sem precisar provar nada a ninguém, com uma universidade voltada para quadrinhos com o seu nome, dois filhos artistas consagrados, disse que ficou sem desenhar por no máximo dois dias seguidos em uma ocasião em que se encontrava muito doente. Então, artista, por que pensar que você já atingiu seu ápice e não precisa aprender mais nada?


Zakk Wylde. Fonte: http://wac.450f.edgecastcdn.net/80450F/loudwire.com/files/2014/01/Zakk-Wylde-Performance-4.jpg


Joe Kubert. Fonte: https://studiomadeinpb.files.wordpress.com/2012/08/joe-kubert-02.jpg

E você, eterno aprendiz, que sabe toda a teoria dos mais diversos materiais, se autointitula profissional, mas ainda fica cheio de dúvidas na hora que alguém te pede um trabalho ("Será que o cliente vai gostar? Quanto eu cobro? E se ele pedir pra abaixar o preço? Será que vai demorar? E se o cliente desaparecer e não me pagar? Ah, quer saber? Acho que vou passar o trabalho para um amigo profissional"): bom, a vida não vai te estender um tapete vermelho. Sua mãe, parentes e amigos, sim. Aproveite os elogios desse pessoal e diga que você está iniciando e gostaria de vender algumas de suas obras ou criações para eles. Veja as reações, avalie, peça conselhos a outros profissionais.

Há alguns anos vi nas redes sociais grandes oportunidades para ilustradores. Infelizmente muitos artistas acabaram usando esses meios como massagem para o próprio ego. Depois reclamam que não conseguem se sustentar nesse meio. Certo dia um pai de um aluno me perguntou que profissões o filho dele poderia escolher após fazer um curso de desenho. Enumerei dezenas de formas de se trabalhar com o tipo de arte que eu ensino (lembra da lista de profissões que necessitam de criatividade que citei no início. Tem bem mais). Quem quiser umas dicas, venha bater um papo comigo na Ânima ou me procure aqui na internet, será um prazer ajudar. Afinal, no meio da criatividade não deve existir concorrência, e sim apoio mútuo, pois cada um trabalha como o agrada e o público busca as mais variadas opções.

Se inspirou? Então levante dessa cadeira agora e saia pra desenhar!

Professor Emerson Leandro Penerari

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Técnicas de Pintura: A Têmpera

Esta semana eu vou falar um pouquinho sobre técnicas de pintura, mais especificamente sobre uma técnica antiga, chamada têmpera.

Fonte: http://www3.varesenews.it/blog/labottegadelpittore/wp-content/uploads/2011/04/14.jpg
Esta técnica foi a mãe de todas as outras técnicas de pintura e foi a mais difundida na Europa até os anos de 1400, quando a tinta a óleo começou a aparecer e tomar conta da cena da pintura com suas cores vibrantes e vasta paleta.

Para fazer este texto para você tomei como base o manual " A verdadeira pintura a tempera: alquimia e segredos", de Bruno Pierozzi.

Fonte: http://www.rosafloris.com/wp-content/gallery/tecniche/5.jpg
Pintura a têmpera não é apenas uma técnica artística histórica, é algo mais profundo, especialmente nesta era em que a vida humana e, portanto, também a vida artística, é ditada por um ritmo frenético. Essa técnica antiga foge portanto, da "arte rápida" (fast art, como a fast food) que requer o uso de produtos sintéticos que são mais fáceis e rápidos de se trabalhar, são mais "modernos".

Breve história da têmpera

A pintura a têmpera mais antiga de que se tem registro data do período etrusco, na Itália. Esta técnica era usada então para fazer pinturas decorativas nas tumbas etruscas. Também há registro de que os gregos tenham usado este tipo de pintura, ainda  que muito menos.

Os romanos conheciam também a têmpera, e há registros de pinturas usando esta técnica na cidade italiana de Pompéia, assim como também os egípcios usaram esta técnica para desenvolver seus retratos.

Fonte: http://cdn-1.nonsolocultura.it/o/orig/come-preparare-la-tempera-al-tuorlo-duovo_2c1d566a58f9f831d00385ddaa422070.jpg
A têmpera feita com ovo (explico mais adiante) foi usada largamente no período bizantino, mas teve seu ápice durante o Renascimento. Neste momento, a têmpera não era feita exclusivamente com ovo, mas sim com uma mistura de óleos, essências e vernizes acrescentados ao ovo, chamada têmpera a emulsão. Pouco a pouco a têmpera foi sendo substituída pela tinta a óleo, primeiro numa mistura com a própria têmpera, até que aos poucos foi sendo transformada na tinta que hoje conhecemos como a óleo.

O que é têmpera?

Por têmpera , ou como se dizia no italiano arcaico “tèmpra”, se entende o modo de se misturar e fazer tornar-se sólidas as cores através do uso de alguns ingredientes. O dicionário define "têmpera" da seguinte forma: “mistura de cores na cola ou na clara de ovo para pintar sobre madeira, gesso ou tela”. Aqui Pierozzi aponta algo que ele chama de um "erro enorme". Segundo o autor, a clara não é o elemnto base da verdadeira têmpera. A clara de ovo foi usada como veículo para pinturas de miniaturas, mais como um verniz provisório devido à capacidade de secagem e endurecimento rápido.

Fonte: http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2012/03/nascimento-de-venus.jpg
Para fazer a verdadeira têmpera, usava-se no Renascimento a gema do ovo. Duas maneiras eram conhecidas para se obter a tinta. Uma delas era bater a gema do ovo com ramos arrancados de uma figueira. O líquido que sai dos ramos novos cortados vai se misturando à gema e retarda a secagem dos pigmentos quando aplicados na pintura. A segunda maneira era misturar a gema com os pigmentos de cor diretamente, e esta seria uma mistura boa para pintar paredes, telas ou ferro.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Linguagem Arquitetônica: O que é e para que serve?

Saudações amantes da arte! Com o início das aulas do segundo semestre, muitos jovens que cursam o terceiro ano do Ensino Médio ou estão em um cursinho visando ingressar numa universidade se deparam com diversas dúvidas. A mais frequente delas é: O que irei estudar? 


Fonte: http://veja4.abrilm.com.br/assets/images/2010/11/22541/vestibular-fuvest-sp-size-598.jpg

É verdade, aos 17, 18 anos a nossa mente não está tão preparada para decidirmos o que iremos fazer para o resto de nossas vidas, e infelizmente, passar no vestibular se tornou uma questão de suma importância entre famílias de classe A e B ou ditas "mais aculturadas". A geração de pais que cresceu entre os anos 70 e 80 aprenderam a valorizar tanto a formação superior e o "trabalhar para ganhar dinheiro" que acabou por passar esses valores aos seus filhos. A pressão para se dar bem num vestibular toma todo o tempo do adolescente que, até há pouco, tinha por preocupação primária o modelo de celular a pedir de presente, qual roupa vestir para ir ao cinema ou que videogame jogar no final da tarde.

Não bastasse essa pressão, escolas e cursinhos mostram-se mais preocupados em "formar" do que "informar". Cursinhos preparatórios se tornaram escolas do Ensino Médio e passam o terceiro ano apenas falando em vestibular, dando a impressão de que essa prova é a linha de chegada em uma carreira quando, na verdade, é apenas o início da vida como adulto. Por exemplo, por que tão poucos pais e escolas incentivam a leitura de clássicos da literatura ainda no período ginasial e enfiam goela abaixo uma dúzia de livros que serão citados no vestibular apenas no 3° ano? 


Fonte:http://3.bp.blogspot.com/-Pkho1FYCKZ4/Tkp0RXqeIZI/AAAAAAAAA2c/blvmRGDwbgA/s1600/NATAL+2010+077.jpg 

Essa impressão de que é preciso se preparar faltando apenas alguns meses para a prova acaba gerando um mal paralelo maior para quem vai prestar o vestibular adicionado da prova de aptidão artística (seja em Arquitetura, Design, Moda, Artes Visuais, Música, Dança, Cênicas e outros cursos que envolvem a criatividade): jovens que acreditam que irão passar nessas provas com um conhecimento ínfimo do assunto.Aspirantes a Arquitetos que não conhecem Gaudi ou Le Corbusier? Aspirantes a Designers e Artistas que não conseguem identificar movimentos como Fauvismo ou Bauhaus? Aspirantes a Estilistas que não se interessam por história da Moda e não sabem dizer as mudanças de materiais e tecidos durante os períodos das Guerras Mundiais? São esses os profissionais do futuro? Gente que depende do Google para tudo?


Fonte:http://adbr001cdn.archdaily.net/wp-content/uploads/2012/10/1349558785_1288287321_ronchamp.jpg

Na Ânima temos um curso chamado Linguagem Arquitetônica, voltado para quem pretende prestar alguns dos cursos citados acima, do qual, ao lado do Tiago Oliveira, sou um dos professores (leciono também outros quatro cursos). Outro curso importante para quem pretende se tornar um Arquiteto ou Designer é o de Perspectiva, que também temos na Ânima. Pesquisando um pouco entre alunos, professores do Brasil inteiro e na internet descobri que, para muitos vestibulandos, pais e até mesmo educadores e escolas que também oferecem esse curso, a Linguagem Arquitetônica é subentendida e subestimada. A impressão é que o curso, erroneamente:

1) é voltado apenas para quem vai prestar Arquitetura.
2) é um curso preparatório apenas para se passar no vestibular
3) é um curso que serve apenas para mostrar provas de aptidão de anos anteriores aos candidatos para que eles entendam os temas pedidos nas universidades e façam esses exercícios como forma de preparação.
4) é um curso que ensina a desenhar plantas e edificações.

Errado. O curso de Linguagem Arquitetônica é muito mais do que isso. Essa simplificação faz parecer de que são aulas simples, com dicas muito básicas de noções de desenho (e realmente o são em escolas de desenho que não possuem professores ou métodos capacitados, infelizmente) e apenas preparatório para a prova de aptidão.


Corrigindo as 4 impressões anteriores, o Curso de Linguagem Arquitetônica que eu leciono mostra que:

1) é voltado para quem vai prestar Arquitetura, Design, Artes Visuais, Moda e outras formações que envolvem desenho, mesmo que não seja necessário fazer uma prova de aptidão.
2) Não é "apenas" para passar no vestibular. É um curso para a vida toda. Desenvolve a percepção, a memória, a criatividade, a observação e diversas noções que farão o aluno se preparar para o seu futuro como profissional. Sabemos que a universidade não ensina, ela molda o conhecimento e o interesse do aluno para o que ele quer seguir em sua carreira. Então, se você quer ser um profissional destacado em sua área, esse curso é para você. Se quiser apenas passar "raspando" na lista de espera e depois se formar um profissional medíocre, um curso rápido de desenho é o bastante. Depois você pode abrir uma lojinha de roupas, estudar advocacia e se especializar em Direto Imobiliário ou se casar com alguém bem sucedido(a) e ficar passeando com seu poodle e sua roupa de academia o dia todo em algum bairro chique por aí. Da hora a vida, né?
3) Sim, conhecer as provas anteriores é importante, mas não é tudo. De que adianta saber o que as provas pedem, sem saber como executá-las? Para mim, um bom curso de Linguagem Arquitetônica ensina desde como apontar seu lápis até compreender as diversas texturas, seja usando carvão ou colagem. 
4) Não, não é um curso de Desenho de Edificações, afinal, é voltado para diversos cursos universitários, não só de Arquitetura. O desenho das formas, objetos e até de figura humana servem para que o aluno crie a noção de desenho e se torne um observador mais criativo, qualidades fundamentais em um profissional. 



O aprendizado do desenho não vem da noite para o dia. É bom que o aluno já tenha uma pré-disposição para a prática, goste de produzir, de estudar arte, de observar os elementos e os planos espaciais. Quando um candidato decide prestar um vestibular que tenha prova de aptidão, ele deve reservar tempo para isso. Não adianta assistir algumas poucas aulas de desenho e não praticar em casa, não pesquisar a respeito. O candidato pode até ser efetivado na universidade, mas será bem mais difícil produzir os trabalhos nas matérias de Desenho de Observação, História da Arte e, por fim, ao se profissionalizar, será apenas mais um entre a multidão com um diploma na mão sem a inspiração necessária para o destaque em sua área. Já notaram como existem adultos formados com dúvidas quanto à sua capacidade e ao seu futuro? Gostaria de se enquadrar entre eles, ou que seu filho estivesse entre eles?

O curso que leciono dura 64 horas. Alguns optam em fazê-lo durante 8 meses (duas horas por semana), outros em 4 meses (quatro horas por semana), o que já dá uma base de desenho para que o aluno aprenda os conceitos necessários. Ainda assim, é imprescindível produzir trabalhos artísticos em casa, bem como carregar um caderno de campo (sketchbook) para exercitar seu aprendizado. De preferência, enquanto cursar a universidade, é bom que faça mais algum curso de técnica de desenho. E sempre praticar, praticar e praticar. Caso contrário, se fizer pouca ou nenhuma aula prática de desenho e não se aprofundar durante o período na faculdade, será apenas mais um artista/designer/arquiteto/estilista medíocre, recebendo elogios dos parentes e despreparado para a vida real no vasto campo da criatividade.

Se você leu até aqui, muito obrigado. Esse texto é bem pessoal com base no que vivenciei lecionando Linguagem Arquitetônica por 15 anos. Acompanhei centenas de pessoas que ingressaram nas áreas citadas e fiz um desabafo em prol daqueles que ainda não se decidiram ou que mudaram de curso por medo da competitividade ou da falta de emprego na área. Tenham fé, o mundo precisa de (bons) profissionais nas áreas criativas. O esforço vale a pena.

Professor Emerson Leandro Penerari


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Capela Sistina – Parte 02

Continuando nosso post sobre o teto da Capela Sistina, hoje falaremos sobre as Sibilas e os Profetas.


As sibilas são oráculos antigos que teriam previsto a vinda de Cristo. Michelangelo era, antes de tudo, um escultor e essas imagens são a prova disso: o mestre usa toda sua capacidade de escultor para fazer as sibilas criarem vida.

Os profetas foram escolhidos por Michelangelo de uma forma que podemos chamar de aleatória: ele colocou na Sistina os profetas maiores e menores. É interessante notar que quanto mais afastados os profetas estão do juízo final, mais concentrados parecem para poder proclamar suas profecias. As imagens representam o vínculo do mundo antigo com o mundo cristão.

Síbila Eritréa (3,60 x 3,80m)
A sibila parece estar em um diálogo com profeta Ezequiel (que vem na seqüência). É uma figura em espiral, possui atmosfera serena e o genni que a acompanha leva uma tocha que simboliza inspiração.


Profeta Ezequiel (3,55 x 3,80m)
Este profeta foi encarregado por Deus de chamar o povo de Israel ao arrependimento de seus pecados. Na figura de Michelangelo ele parece olhar para o passado. É representado como um ancião corpulento que dialoga com um genni


Profeta Jeremias (3,90 x 3,80m)
Este profeta era censor dos reis indignos e das perversões do povo de Israel, ele anuncia a destruição de Israel. Michelangelo trata este profeta de acordo com as previsões sombrias: gesto abatido e pensativo, angustiado.


Sibila Líbica (3,95 x 3,90m)
Uma das mais famosas imagens da Sistina, a Sibila Libica era profetisa do templo de Amon, onde hoje é a Libia. Esta imagem tem composição triangular e o conhecimento de anatomia de Michelangelo faz com que seja possível alcançar maior realismo.


Sibila Cumana (3,75 x 3,80m)
Profetisa da região da Cuméia (a mais antiga colônia grega, no sul da Itália). Apolo concedeu-lhe um desejo. Ela pega um punhado de areia e pede para viver tantos anos quantos grãos de areia estivessem em sua mão. Apolo realiza o desejo, porém a sibila esqueceu de pedir eterna juventude. Com o tempo, envelheceu tanto que foi colocada em uma jaula pendurada no templo de Apolo na Cuméia. Teria vivido nove vidas de 110 anos cada. Por isso ela retratada como uma é velha, parece ter dificuldade para ler. Dois genii olham com atenção: um deles parece ter outro livro para entregar e este detalhe pode ter a ver com uma lenda antiga que diz que a sibila cumana se apresentou ao rei romano. Tarquino, o Soberbo, para oferecer nove livros proféticos por um valor alto. O rei tentou negociar, e a cada vez que ele baixava o valor a sibila  destruía 3 livros. No fim o rei pagou o valor inicial por apenas 3 livros restantes.


Profeta Isaías (3,65 x 3,80m)
É chamado de “Profeta do Messias”, o primeiro dos grandes profetas bíblicos. Michelangelo retrata o profeta de modo confiante e decidido no exato momento em que um putti interrompe sua leitura. Novamente Michelangelo captura um instante.


Sibila Delfica (3,50 x 3,80m)
Sacerdotisa de Apolo no templo de Delfos. É provavelmente a pintura feminina mais bela de Michelangelo. É retratada surpreendida durante a leitura, ela se volta por ouvir um chamado. Ela não encara o observador, mas um terceiro elemento.


Áreas Triangulares (cantos):

  • Judite e Holofernes
  • Davi e Golias
  • A serpente de Bronze
  • O suplício e Aman

Essas imagens estabelecem relação entre as histórias da abóbada e as das paredes.

Judite e Holofernes (5,70 x 9,70m)
Michelangelo retrata Judite e sua criada e o corpo de Holofernes, sem vida.


Davi e Golias (5,70 x 9,70m)
Michelangelo retrata o ponto culminante entre a vida e a morte, dá dramaticidade à cena. Dinâmica do movimento que parece pausado.


Lunetas e Espaços Triangulares
As lunetas contém imagens dos ancestrais de Cristo. No meio da luneta a tabuleta indica quem são os retratados, mesmo porque a presença destes personagens na Arte era muito rara e, portanto, difícil de identificar. Esses nomes foram tirados de uma lista no início do Evangelho de Mateus.
Nos espaços triangulares estão descendentes (familiares) de Cristo.


Espero que tenham gostado dessa nossa breve viagem pelo teto de Michelangelo! Até a próxima!
Prof.ª Gisela.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014