quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Capela Sistina – Parte 02

Continuando nosso post sobre o teto da Capela Sistina, hoje falaremos sobre as Sibilas e os Profetas.


As sibilas são oráculos antigos que teriam previsto a vinda de Cristo. Michelangelo era, antes de tudo, um escultor e essas imagens são a prova disso: o mestre usa toda sua capacidade de escultor para fazer as sibilas criarem vida.

Os profetas foram escolhidos por Michelangelo de uma forma que podemos chamar de aleatória: ele colocou na Sistina os profetas maiores e menores. É interessante notar que quanto mais afastados os profetas estão do juízo final, mais concentrados parecem para poder proclamar suas profecias. As imagens representam o vínculo do mundo antigo com o mundo cristão.

Síbila Eritréa (3,60 x 3,80m)
A sibila parece estar em um diálogo com profeta Ezequiel (que vem na seqüência). É uma figura em espiral, possui atmosfera serena e o genni que a acompanha leva uma tocha que simboliza inspiração.


Profeta Ezequiel (3,55 x 3,80m)
Este profeta foi encarregado por Deus de chamar o povo de Israel ao arrependimento de seus pecados. Na figura de Michelangelo ele parece olhar para o passado. É representado como um ancião corpulento que dialoga com um genni


Profeta Jeremias (3,90 x 3,80m)
Este profeta era censor dos reis indignos e das perversões do povo de Israel, ele anuncia a destruição de Israel. Michelangelo trata este profeta de acordo com as previsões sombrias: gesto abatido e pensativo, angustiado.


Sibila Líbica (3,95 x 3,90m)
Uma das mais famosas imagens da Sistina, a Sibila Libica era profetisa do templo de Amon, onde hoje é a Libia. Esta imagem tem composição triangular e o conhecimento de anatomia de Michelangelo faz com que seja possível alcançar maior realismo.


Sibila Cumana (3,75 x 3,80m)
Profetisa da região da Cuméia (a mais antiga colônia grega, no sul da Itália). Apolo concedeu-lhe um desejo. Ela pega um punhado de areia e pede para viver tantos anos quantos grãos de areia estivessem em sua mão. Apolo realiza o desejo, porém a sibila esqueceu de pedir eterna juventude. Com o tempo, envelheceu tanto que foi colocada em uma jaula pendurada no templo de Apolo na Cuméia. Teria vivido nove vidas de 110 anos cada. Por isso ela retratada como uma é velha, parece ter dificuldade para ler. Dois genii olham com atenção: um deles parece ter outro livro para entregar e este detalhe pode ter a ver com uma lenda antiga que diz que a sibila cumana se apresentou ao rei romano. Tarquino, o Soberbo, para oferecer nove livros proféticos por um valor alto. O rei tentou negociar, e a cada vez que ele baixava o valor a sibila  destruía 3 livros. No fim o rei pagou o valor inicial por apenas 3 livros restantes.


Profeta Isaías (3,65 x 3,80m)
É chamado de “Profeta do Messias”, o primeiro dos grandes profetas bíblicos. Michelangelo retrata o profeta de modo confiante e decidido no exato momento em que um putti interrompe sua leitura. Novamente Michelangelo captura um instante.


Sibila Delfica (3,50 x 3,80m)
Sacerdotisa de Apolo no templo de Delfos. É provavelmente a pintura feminina mais bela de Michelangelo. É retratada surpreendida durante a leitura, ela se volta por ouvir um chamado. Ela não encara o observador, mas um terceiro elemento.


Áreas Triangulares (cantos):

  • Judite e Holofernes
  • Davi e Golias
  • A serpente de Bronze
  • O suplício e Aman

Essas imagens estabelecem relação entre as histórias da abóbada e as das paredes.

Judite e Holofernes (5,70 x 9,70m)
Michelangelo retrata Judite e sua criada e o corpo de Holofernes, sem vida.


Davi e Golias (5,70 x 9,70m)
Michelangelo retrata o ponto culminante entre a vida e a morte, dá dramaticidade à cena. Dinâmica do movimento que parece pausado.


Lunetas e Espaços Triangulares
As lunetas contém imagens dos ancestrais de Cristo. No meio da luneta a tabuleta indica quem são os retratados, mesmo porque a presença destes personagens na Arte era muito rara e, portanto, difícil de identificar. Esses nomes foram tirados de uma lista no início do Evangelho de Mateus.
Nos espaços triangulares estão descendentes (familiares) de Cristo.


Espero que tenham gostado dessa nossa breve viagem pelo teto de Michelangelo! Até a próxima!
Prof.ª Gisela.

Um comentário:

Breno Vinícius disse...

Fantástico! Artigo muito bom!