quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Profissionais da Arte e Aspirantes: o que falta?

Hail galera! Hoje o papo será direcionado a quem já está avançado no desenho, ou que já trabalha profissionalmente com Ilustração, Design, Arquitetura, Música, Escultura e criatividade em geral (e tem opções, hein? Estilismo, Games, Teatro, Cinema, Criação e Produção Publicitária...). Não é um texto generalizando nada nem ninguém, apenas algumas considerações que andei ponderando essa semana.


Fonte: http://3.bp.blogspot.com/-LnEMxyqgBJU/UnkJTqagWFI/AAAAAAAAAzs/bMzo2NXgF40/s1600/IMG_7288.jpg

Conversando com amigos mais novatos da área artística, percebo que, em muitos casos, estão divididos em praticantes ininterruptos e eternos aprendizes. E ambos possuem seus defeitos e virtudes.

Praticantes: são aqueles que aproveitam seus trabalhos para continuarem exercitando e explorando o aprendizado das artes, sempre estão produzindo para sobreviver. O ponto negativo é que muitos desses não dispõem de tempo para se informar mais ou estudar novas técnicas em sua área.

Aprendizes: são aqueles que estudam, pesquisam, sabem toda a teoria da área em que pretendem trabalhar, e até arriscam muitos treinos em seus sketchbooks. Mas param por aí. Não finalizam trabalhos, não vendem, recusam encomendas por insegurança ou por não saberem na prática como fazer.


Fonte: https://lh4.googleusercontent.com/-9CFQlDi4B3k/TXVZ12_TN5I/AAAAAAAAAG4/uJ2wVQ9Iheg/s1600/2011-03-07+13.03.45.jpg

Já tive experiência pessoal em ambos os lados. Mas minha fase de "Aprendiz" deve ter durado poucos meses na adolescência, pois logo resolvi que iria viver de ilustração e ensino das artes, e para isso precisaria trabalhar muito no ramo.

Às vezes a atarefada vida de um profissional da criatividade toma tanto o seu tempo que ele deixa de lado fatores importantíssimos no desempenho, como o aprimoramento do que já sabe e o aprendizado de novos meios para produzir. Isso já se deu inclusive comigo no início. Tomo por hábito continuar estudando, aprendendo e praticando quando possível.

Para exemplificar: digamos que iniciei uma ilustração encomendada por uma empresa. Conheço diversas formas de fazê-la, mas não terei tempo de aprender uma técnica ou um material diferente dos quais me acostumei, e justamente nesse trabalho seria necessário um conhecimento mais amplo nessa técnica ou material. A solução é produzir com o que já sei usar e da melhor forma possível e, no próximo intervalo entre trabalhos, aprender e praticar para não passar novamente por isso.

Por isso que sempre incentivo o uso do Sketchbook, ou Caderno de Campo. Eu mesmo demorei algum tempo para me acostumar a carregar um desses para todo canto, mas já pratico isso há uns 7 anos. Para rabiscar ideias, esboços rápidos, treinos. Diga a verdade: você SEMPRE acerta uma ilustração de corpo humano (realista ou estilizada) no primeiro traço, mesmo se ficar um mês sem praticar? Não. Agora, exercitando esboços rápidos de corpo em movimento, modelo vivo, fotografias, sua chance de acertar as proporções no seu desenho se multiplicam, e muito. Tem um texto muito legal da Gisela sobre a importância do esboço (clique aqui!).


Fonte: http://www.criatives.com.br/wp-content/uploads/2013/10/Sketchbook-criativo-pezArtwork-6.jpg

Você pode ser um mestre em sua área, mas perderá campo se não se atualizar. No campo da música, cito dois exemplos: Os guitarristas do Judas Priest, após quinze anos de carreira, tocando semanalmente, resolveram voltar às aulas de guitarra no começo dos anos 1990 para evoluírem seu estilo. O guitarrista Zakk Wylde (Ozzy Osbourne, Black Label Society) disse em entrevista recente que pratica guitarra 6 horas por dia, mesmo tocando ao vivo e gravando CDs regularmente, e é considerado um dos melhores guitarristas da atualidade. No ramo dos quadrinhos, lembro-me de ter lido há cerca de 10 anos uma entrevista com o saudoso mestre Joe Kubert, e ele, já idoso e sem precisar provar nada a ninguém, com uma universidade voltada para quadrinhos com o seu nome, dois filhos artistas consagrados, disse que ficou sem desenhar por no máximo dois dias seguidos em uma ocasião em que se encontrava muito doente. Então, artista, por que pensar que você já atingiu seu ápice e não precisa aprender mais nada?


Zakk Wylde. Fonte: http://wac.450f.edgecastcdn.net/80450F/loudwire.com/files/2014/01/Zakk-Wylde-Performance-4.jpg


Joe Kubert. Fonte: https://studiomadeinpb.files.wordpress.com/2012/08/joe-kubert-02.jpg

E você, eterno aprendiz, que sabe toda a teoria dos mais diversos materiais, se autointitula profissional, mas ainda fica cheio de dúvidas na hora que alguém te pede um trabalho ("Será que o cliente vai gostar? Quanto eu cobro? E se ele pedir pra abaixar o preço? Será que vai demorar? E se o cliente desaparecer e não me pagar? Ah, quer saber? Acho que vou passar o trabalho para um amigo profissional"): bom, a vida não vai te estender um tapete vermelho. Sua mãe, parentes e amigos, sim. Aproveite os elogios desse pessoal e diga que você está iniciando e gostaria de vender algumas de suas obras ou criações para eles. Veja as reações, avalie, peça conselhos a outros profissionais.

Há alguns anos vi nas redes sociais grandes oportunidades para ilustradores. Infelizmente muitos artistas acabaram usando esses meios como massagem para o próprio ego. Depois reclamam que não conseguem se sustentar nesse meio. Certo dia um pai de um aluno me perguntou que profissões o filho dele poderia escolher após fazer um curso de desenho. Enumerei dezenas de formas de se trabalhar com o tipo de arte que eu ensino (lembra da lista de profissões que necessitam de criatividade que citei no início. Tem bem mais). Quem quiser umas dicas, venha bater um papo comigo na Ânima ou me procure aqui na internet, será um prazer ajudar. Afinal, no meio da criatividade não deve existir concorrência, e sim apoio mútuo, pois cada um trabalha como o agrada e o público busca as mais variadas opções.

Se inspirou? Então levante dessa cadeira agora e saia pra desenhar!

Professor Emerson Leandro Penerari

3 comentários:

Laís Leite Bicudo disse...

Quando eu vi a fotinho do Zakk Wylde eu já sabia que era o post do Emerson

Alan Oliveira disse...

Tem um apontador em cima do sketchbook!! Eu vi!! Eu vi!! E ai prof. Emerson??!

Ânima disse...

Hahahaha, verdade, quem mais citaria o Zakk em um blog voltado à ilustração, Laís? E Alan, existem apontadores bons e ruins, e lápis feitos para serem apontados, e outros para serem entalhados. Se tivesse um daqueles apontadores amarelos que vêm de brinde em caixa vermelha de lápis de cor, com certeza eu não postaria a imagem, né? Abraços!