quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O que a arte ensina a quem ensina arte

Dias 14 e 15 de agosto, o Museu de Artes Visuais da Unicamp promoveu um seminário chamado “O que a arte ensina a quem ensina arte”. A Ânima esteve lá para conferir e utilizamos o que aprendemos como base e motivação para escrever este texto. Esperamos que você goste!

Fonte: http://www.mav.unicamp.br/arteensina/index.html
Uma das coisas mais importantes que foi falado durante todo o seminário foi sobre a função do professor.

O papel do professor na vida do aluno é muito mais importante do que qualquer pode imaginar. A gente aqui na Ânima entende isso e sabe que ensinar é uma coisa que deve ser feita não só com a cabeça, mas também com o coração.

Segundo a palestrante Stela Barburi, o professor é aquele que cultiva vida, mas também é aquele que tem influência suficiente para murchá-la. Por isso, o papel do docente é fundamental para incentivar o aluno, não importando o objetivo que ele queira atingir.  

Lembra aquele professor super legal que você tinha no colégio? Lembra como ele fazia uma matéria chata ficar legal só por causa do jeito que ele dava aula? Então, é mais ou menos isso. O professor que gosta do que faz, que gosta de ensinar e que tem paixão pela sua matéria, leva os alunos com ele.
No caso do professor de arte, Stela tem uma opinião bem parecida com a nossa e é um aspecto que não tem sido muito levado em consideração quando se trata do ensino formal de Arte (faculdade, escola): é preciso se reconhecer e se firmar como artista para poder se virar para o outro (aluno). E sobre isso ainda vamos falar mais um pouquinho lá embaixo no texto.

O bom professor cultiva a dúvida e o questionamento, porque é a partir deles que se dará o processo de aprendizado. É papel de o educador descobrir o desejo que move o aluno.

Quando se trata do ensino de arte, essa tarefa poderá ser bem fácil, ou bem difícil. Tem gente que já chega com idéias, conceitos, enfim, uma estrutura bastante clara do que gosta e do que não gosta. Esses alunos são mais fáceis de encaminhar e direcionar. Outros chegam absolutamente perdidos e o professor precisará caminhar junto com o aluno para poder encontrar aquilo que ele busca e só então fazer o melhor direcionamento.

Além disso, o bom professor é aquele que é capaz de criar um vínculo de amizade com o aluno. Esse vínculo facilita o aprendizado e faz com que a aula flua de forma mais criativa e humorada, além de libertar o estudante de seus medos e inseguranças.

Aqui na Ânima buscamos levar esse conceito à risca: salas com poucos alunos promovem a interatividade, a sala de convívio é um elemento agregador e a cozinha deixa todo mundo mais à vontade.

Não é que sejam propositais todas essas escolhas. As salas menores são mais produtivas, assim o professor é capaz de dar mais atenção aos alunos. A sala de convívio e a cozinha sempre animados são apenas um reflexo daquilo que gostamos e acabam ajudando na interatividade.

É típico do aluno, principalmente o de arte, criar o que a Prof.ª Ana Angélica Albano chama de “gaiola imaginária”, que são barreiras impostas pelo próprio aluno para sua produção e aprendizado. Esta opinião é endossada por outro palestrante, Paulo Von Poser, quando ele diz que é difícil fazer alguém acreditar que pode desenhar, e que é papel do professor mostrar que o qualquer um é capaz e que a habilidade e potencial já existem dentro do aluno.

Paulo termina sua palestra dizendo que o verdadeiro professor não ensina só técnica, mas ensina também postura frente à vida, e completa: “Você é um bom professor, porque é um bom artista”. Nem sempre isso é uma verdade. Há muitos professores excelentes que não são destaques em sua matéria de estudo. Mas no caso específico das Artes, a excelência do professor enquanto artista faz parte do “encantamento” do aluno, que leva a uma admiração, que leva a um sentimento de superação sem gerar competitividade (“quero ser tão bom quanto meu professor”, “quero ser melhor do que ele”, etc).

Uma questão que sempre discutimos aqui na Ânima e que foi muito comentada no seminário é: Quando e quanto o professor deve interferir no trabalho do aluno?

Nós entendemos que o papel do professor não é apenas indicar um caminho para o aluno, mas sim questionar e discutir esse caminho com ele. É dar voz ao aluno e torna-lo protagonista. Mas, nós professores, não podemos também sempre apontar a direção. Às vezes é preciso que o aluno descubra o caminho, o que pode e deve acontecer a partir do erro, da dúvida, da repetição...

E no fim das contas, “O que a arte ensina a quem ensina arte”?
Ensina a ser um artista melhor, a reconhecer a pluralidade, a ser flexível e paciente; ensina que a inspiração para inspirar está em toda parte.

E isso que queríamos compartilhar com você! Esperamos que tenha gostado e que tenha sentido a importância que o ensino e o professor têm aqui na Ânima, e que é o move nossa escola!

Um comentário:

Teca Pizzatto do Prado disse...

Concordo com tudo que foi dito sobre professor aluno. Sou aluna do mesmo professor já faz um bom tempinho. Não é porque sou burrinha mas sim por gostar muito do modo que ele ensina, de como ele aprendeu sobre meu modo de ver e sentir as coisas. Tudo fica mais fácil. Acho que ele é bem parecido com a descrição acima. Agora, quanto a eu desenhar como ele, acho que vou precisar de umas 3 reençarnações, desenhando


. Obrigada, professor.