quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Conhecendo Materiais: Carvão

E aí, amantes da arte, beleza? Hoje vou falar um pouquinho sobre o Carvão (Charcoal, em inglês) e sua importância na arte desde os primórdios até hoje em dia. Aqui na Ânima cursos como Desenho Artístico, Ilustração e Desenho de Humor ensinam melhor como usar esse material. Que tal marcar uma aula com a gente?


Fonte: http://webneel.com/daily/sites/default/files/images/daily/01-2014/17-charcoal-drawing-eye.jpeg

História e Materiais

O Carvão é um dos mais antigos materiais de desenho, sendo produzido por meio de galhos queimados de árvores como salgueiro e videira. Atualmente esses galhos são incinerados em câmaras herméticas.

O pintor italiano Cennino Cennini (1370 - 1440) foi um dos primeiros artistas a admitir o uso do carvão, mesclando com solventes, dando uma aparência de crayon à seus trabalhos.


Fonte: http://1.bp.blogspot.com/-Za8mJFrwsf0/UtHUVjgDU_I/AAAAAAAAAUk/ZC6U0O8xZR8/s1600/el-libro-del-arte-cennino-cennini-10143-MLA20025610298_122013-F.jpg

Pesquisadores antigos atribuem o uso do carvão à desenhos em tela (para serem pintados depois) e nos esboços nas paredes para a técnica do afresco. Atualmente, ele já pode ser considerado um protagonista em muitos trabalhos. Os pintores do Renascimento consideravam-no muito útil pela facilidade em modificar e corrigir suas obras ainda em fase de esboço. Na fase de finalização, com pincel, pena ou ponta seca, quaisquer resquício do carvão desaparecia.


Andrea Del Verocchio. Fonte: http://www.britishmuseum.org/images/ird_mainimage.jpg

Atualmente, é possível encontrar o carvão feito de diversos tipos de madeira. As barrinhas ainda são feitas de galhos de salgueiro, de 4mm a 10mm de diâmetro, ao  passo que os pedaços maiores são de outras àrvores. Os lápis-carvão são feitos à base de um pigmento Preto Luminoso, vinculado a um solvente, e  são encontrados de diversas tonalidades entre preto e cinza, mais densos que as barrinhas, assim como em diferentes graus de suavidade, dependendo da forma e das misturas com solventes e vernizes no momento em que foram prensados.

charcoal400314.jpg, 92 kB
Exemplo de Materiais. Fonte: http://www.watercolorpainting.com/drawing_materials_charcoal.htm
1) Carvão de galho de videira
2) Carvão de galho de salgueiro
3) Barra de carvão prensado
4) Lápis dermatográfico duro
5) Lápis dermatográfico macio
6) Lápis-Carvão 4B geral
7) Lápis- Carvão oleoso 4B
8) Lápis Carbono n° 5

Onde podemos aplicar o carvão? Praticamente em qualquer superfície, tanto papéis de boa qualidade quanto papéis para rascunho (Kraft), bem como telas, parede e, em alguns casos, vidro. Talvez o único tipo de papel em que ele não fique bem fixo são papéis muito suaves ou lisos (como Couché ou Glossy).

Para fixar o carvão após o término do desenho, usa-se o verniz fixador em spray, solução em acetato polivinílico ou emulsão acrílica.

Técnicas e Dicas:

Carvão é um material para ser trabalhado de forma rápida, direta e de fácil resposta. Conseguimos tanto linhas suaves quanto rudes, dependendo do material usado, dando confiança e fluidez ao traço.
Veja abaixo exemplos de traços mais diretos e mais trabalhados em carvão.


Fonte: http://fc05.deviantart.net/fs70/f/2009/345/b/5/rough_charcoal_by_derekjones.jpg


Fonte: http://www.2bdrawing.com/image-files/doctor_house_2bdrawing.jpg

É possível misturá-lo a outros materiais com facilidade, como grafite, giz pastel, crayon, giz de cal, e até água.Henry Matisse costumava encaixar uma barra de carvão a uma vareta de bambu para desenhar grandes obras à distância, valorizando a perspectiva e a dimensão.


Matisse em seu estúdio. Fonte: http://2.bp.blogspot.com/_6BfXcmq8vyk/S-k-VRshAbI/AAAAAAAABW4/5hMasV12N9Y/s1600/55425.jpg


Um dos muitos estudos de Matisse. Fonte: http://c590298.r98.cf2.rackcdn.com/XDB7_046.JPG

Outra dica interessante é aproveitar as diferentes texturas dos papéis para cada trabalho. Movimentos circulares com a barra deitada sobre um papel mais rude proporciona variações tonais interessantíssimas para desenhar troncos, pedras e couro de animais como hipopótamo, elefante e rinoceronte.


Fonte: http://www.stevemorvell.com/mammals/images/Gentle-_mood_rhino.jpg

Já os papéis mais lisos podem ser usados para produzir tonalidades mais brilhantes, usando o dedo para espalhar o carvão e uma borracha macia para dar os brilhos. É ótimo para desenhar peles de animais aquáticos, roupas de vinil ou superfícies reflexivas. Lembre-se que, a primeira vez em que se passa o dedo, o carvão fica muito mais claro no papel. Por isso, sempre repita os movimentos duas, três vezes até chegar na tonalidade desejada. E algumas linhas finais não precisam ficar esfumaçadas.


Fonte: http://api.ning.com/files/X*t4t7cupRIhk4h*2hzqPT7FMcjOnOtMgYbKW4LLvwejqy9qXF8nsLm1GjAEDbn7019iKY1x-10YfK6u8eXRFKdytWvHUhtG/533498_118228435006193_1031116186_n.jpg?width=737&height=552

O Esfuminho (papel prensado em forma de barra) também é ótimo para espalhar o carvão e criar tons de sombra diferentes. Sem contar que, caso seja preciso alterar algo em seu desenho, fica bem menos marcado alterar usando o carvão do que os lápis de grafite.


Fonte: http://www.craftsy.com/blog/wp-content/uploads/2013/08/stump.jpg

Pronto para praticar? Então pegue seu material de carvão e mãos à obra!

Professor Emerson Leandro Penerari
(com base no livro The Artist's Hadbook, de Ray Smith, DK Publishing, 2003)



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