quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sandman: 25 anos no Brasil!

Hail galera! No ano passado, prometi que faria um texto sobre Sandman. Provavelmente me demorei por ver muitas notícias sobre o personagem e principalmente seu criador, Neil Gaiman, após lançar o aclamado romance "O Oceano No Fim do Caminho". Já leu? Não? Não sabe o que está perdendo. Aproveite para conhecer mais obras recentes do mestre nessa matéria:
http://blogdaanima.blogspot.com.br/2013/04/neil-gaiman-e-suas-muitas-faces.html


Fonte: http://boelbermann.se/wp-content/uploads/2014/05/Neil-Gaiman-2.jpg

Bom, voltando ao Mestre dos Sonhos, nada melhor do que falar sobre ele em Novembro de 2014, já que nesse mês completam-se 25 anos do lançamento da edição número 1 de Prelúdios e Noturnos, pela Editora Globo (Na época, chamado aqui e lá fora apenas de Sandman: O Mestre dos Sonhos). Em menos de um ano após seu lançamento nos EUA (Janeiro de 1989) os editores Leandro Luigi Del Manto e Hélcio Pinna conseguiram trazer para o nosso país uma das mais aclamadas séries de todos os tempos! Vou falar um pouco sobre Sandman e sua época como testemunha ocular, mas tentarei ser breve, pois o assunto rende vários livros.




Gaiman nos anos 80. Fonte: http://www.writerswrite.com/journal/mar99/neil2.jpg

 
Sandman desenhado por Sam Kieth. Fonte: http://www.toonopedia.com/sandman3.jpg

O final dos anos 80 foi muito propício para as séries de luxo e os chamados "quadrinhos adultos", inclusive no Brasil. Em menos de 5 anos histórias seminais tanto em roteiro quanto arte foram lançadas em nosso país, mostrando que a censura já não era tão severa em relação aos quadrinhos e a invasão britânica nos EUA merecia uma abrangência mundial maior. Os super heróis já não eram tão mocinhos, a vida real, a crise econômica, as mortes de entes queridos, entre outros assuntos, passaram a ser a sinopse para muitos roteiros. Os quadrinhos como um todo já não focavam apenas em semideuses vestidos em colantes coloridos. Mesclados aos personagens oriundos da contracultura, dos fanzines e do erotismo e ficção científica europeus, o país da Turma da Mônica recebeu uma avalanche de quadrinhos luxuosos, minisséries, edições especiais que agradaram adolescentes (como eu), universitários, professores e estudiosos do ramo.



Capa da primeira edição de Sandman, por Dave McKean. Fonte: http://mlb-s1-p.mlstatic.com/sandman-da-editora-globo-completo-8798-MLB20007501807_112013-O.jpg

Batman: O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, Elektra: Assassina, Love And Rockets, Ronin, Moonshadow, Wolverine & Destrutor: Fusão, entre outras surgiram nas bancas saciando a vontade de roteiros mais elaborados. Em 1989, eu era um adolescente de 13 anos cujo quadrinho favorito era "A Espada Selvagem de Conan" , um magazine em preto e branco com capas pintadas bem realistas que traziam histórias um tanto carregadas para a minha idade. Ao ver essas revistas que citei, juntei o máximo de dinheiro que consegui na época para comprá-las (algumas só consegui 2 ou 3 anos depois em sebos). Aí certo dia em São Paulo passo em uma banca no centro velho e me deparo com Sandman n° 1. Havia visto a propaganda de divulgação nas páginas de crédito de alguma outra revista e ficado curioso, sem entender nada. Amei a capa (uma fotografia de uma composição tridimensional de Dave McKean) e achava que o interior seria todo nesse formato. Não consegui ver porque a revista estava plastificada. Não comprei. Mas fiquei pensando nesse quadrinho por dias e dias. Até que não mais o encontrei. Passei em uma banca na zona sul e vi a segunda edição. Dessa vez pude comprar. Estranhei a arte em seu interior, mas a história parecia muito interessante. Semanas depois encontrei a primeira edição em Campinas (não sei se chegava atrasada em outras cidades nessa época, a chamada "distribuição setorizada"). Precisava saber como foi que o Mestre do Sonhar havia perdido seus objetos de poder. Já estava encantado com a história. Dei um jeito nas economias, deixei de comprar a "Superaventuras Marvel" (que trazia histórias do Demolidor e do Justiceiro) para comprar Sandman 1.


A época produtiva dos quadrinhos mais sérios no Brasil.

Comecei a me acostumar com a arte de Sam Kieth. Seus quadros arredondados, expressões caricatas e certos exageros bem interessantes me fizeram admirar seu estilo até em sua história narrando a origem do vilão Pinguim no Almanaque Origens Secretas da DC lançado 2 meses depois.

 
Arte de Sam Kieth, que depois saiu da série alegando que se sentia "como Jimi Hendrix tocando nos Beatles".  Fonte: http://a5.mzstatic.com/us/r30/Publication2/v4/77/fc/94/77fc943e-9f86-a17b-d055-0012391a3710/PAGE_005.480x480-75.jpg

E foram cerca de 10 anos correndo atrás das 75 edições dessa revista. A Editora Globo passou os direitos para a Devir perto da edição 50, e, entre atrasos, ameaças de cancelamento e preços abusivos, a saga foi publicada na íntegra no Brasil. Por volta de 1996, quando a série acabou nos EUA, comprei algumas edições importadas para aliviar a ansiedade. De 2000 para cá tivemos algumas reedições que iniciaram e pararam e duas versões encadernadas completas de muito luxo, tanto da Editora Conrad quanto da Panini. Talvez essa seja a única série que tenho diversas edições diferentes, tanto pelo carinho pessoal quanto para comparar impressões, traduções, etc.



















Edição especial de "Os Caçadores de Sonhos" autografada

Para não tomar muito o tempo de quem quer saber mais sobre do que se trata a história, vou deixar o link da Wikipedia, com um resumo bem básico de cada série. Cuidado que contém alguns spoilers:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sandman_(revista_em_quadrinhos)

É isso aí. Espero que gostem. Depois nos falamos mais. Bons sonhos.

Professor Emerson Penerari


Emerson e Neil Gaiman em 2001



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