quinta-feira, 30 de abril de 2015

Arte em Jóias: René Lalique

Hoje o blog da Ânima vai falar um pouco sobre um tipo de arte diferente: a joalheria.

A joalheria envolve vários conhecimentos: desenho, cor, conhecimento de pedras preciosas, de metais. O desenvolvimento de uma peça começa no design, ou seja, no desenho e planejamento da peça final. Alguns artistas são, ao mesmo tempo, designers e joalheiros, como é o caso de um artista fantástico, que muitos devem conhecer, mesmo sem saber seu nome.



Relógio de bolso - ouro e esmalte (c. 1900)

René Jules Lalique (1860 - 1945) foi um mestre vidreiro e joalheiro francês que teve grande reconhecimento pelas suas originais criações de jóias, frascos de perfume, copos, taças, candelabros, relógios e vários outros itens dentro dos estilos Art nouveau e Art déco. A fábrica que fundou funciona ainda e o seu nome ficou associado à criatividade e à qualidade, com desenhos tanto espalhafatosos como discretos.

Vaso Nanking (1925)
Na opinião de Adriana Justi, designer, ourives e professora de Design de Jóias da Ânima, Lalique foi "o melhor de todos. Foi o principal artista joalheiro da Art Noveau. Trabalhava com muito vidro e suas jóias eram algo sem precedentes, inspirando vários seguidores."

Ornamento de cabeça de orquídea - marfim, chifre, topázio e ouro (c.1903)
Mas o mais interessante do trabalho de Lalique era justamente a sua temática e a escolha dos materiais, algo bastante inusitado para a época. "Ele usava muito esmalte, pérolas, jade, tudo em formas irregulares. As composições remetiam ao mundo onírico, ao mundo das mulheres sonhadoras e diáfanas", explica Adriana.
Peitoral de Pavão - ouro, esmalte, opalas e diamantes (c. 1898)
A professora ainda explica que há diferença entre ourives, joalheiro e designer. O designer é aquele de cria a peça, faz o projeto do desenho, ele não necessariamente coloca a mão na massa para fazer a peça. O ourives faz a parte mecânica da joalheria: ele executa a peça. "O termo joalheiro é quase sempre empregado para designar alguém que é dono de uma joalheria, mas para mim o joalheiro é um artista, um artesão: ele   pensa, cria; é um artista que comunica a sua arte através do metal", diz.

Broche de Libélula - ouro, esmalte, pedras da lua, diamantes e crisopázio (c.1897)
Em tempo: a Art Noveau foi um movimento artístico (1890-1910) que era inspirado principalmente por elementos naturais (flores, plantas, animais, etc.) e formas curvas, com muitas linhas e desenhos. A Art Déco foi o movimento seguinte, começando por volta de 1910. Teve seu ápice entre 1920 e 1930, é tido como um movimento elegante, funcional e moderno, onde as linhas retas e as composições simples são os principais elementos.
 


Links interessantes:
Site Oficial (em inglês)
Museu Calouste Gulbenkian (em português) - onde se encontra parte importante da obra do artista

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Aquarela

Hoje aqui no blog vamos falar de uma técnica de pintura que muita gente adora, mas conhece pouco: a Aquarela.
Trabalho da professora de aquarela da Ânima, Lidia Madeira

A aquarela é uma técnica muito antiga cujo aparecimento se supõe esteja relacionado com a invenção do papel e dos pincéis  surgidos na China há mais de 2000 anos. Já falamos aqui no blog do Sumi-e. Pois então, este tipo de pintura é que deu origem à aquarela como conhecemos hoje.

No ocidente a aquarela inicialmente servia para que os artistas fizessem estudos de quadros que depois seriam pintados a óleo, mas a coisa mudou de figura com os trabalhos do alemão Albert Dürer, que tratou a aquarela como meio principal de pintura e pelo menos 120 obras nesta técnica.

"Jovem Lebre", de Albert Dürer
 No século XVIII a aquarela ccomeçou a despontar como técnica importante e temos vários artistas, principalmente ingleses. William Blake, John S. Cotman e John Constable são alguns nomes de aquarelistas importantes, mas o maior artista deste período foi William Turner. Ele produziu cerca de 19.000 aquarelas e as qualidades de fluidez, rapidez e transparência desta técnica era o que encantavam o pintor.

"San Giorgio Maggiore pela Manhã", de William Turner
Desde então a aquarela se desenvolveu e se tornou um meio não só de pintura e expressão em si mesma como também um modo de "colorir". Isto quer dizer, alguns artistas usam a técnica como modo de expressão, usando as qualidades da tinta para formar o motivo que desejam representar. Já outros usam a técnica como um modo de adicionar cor a um trabalho que a técnica principal seja outra (nanquim, lápis, etc.).

Ilustração de Sara Ligari, nanquim e aquarela

Aquarela de Arti Chauhan
Ainda há mais uma diferenciação válida para avaliarmos as características da aquarela na atualidade: definição. Alguns trabalhos tem uma definição alta e muito precisa do motivo retratado. Outros apresentam alta indefinição, trabalhando com a fluidez da tinta, transformando a representação do motivo em algo que beira a abstração.

"Winter is Coming" de Sajid Qureshi

Aquarela de Bruce Sereta
Mas o mais importante de tudo é notar as possibilidades que esta técnica traz para o trabalho do artista, seja ela usada da maneira que for, por isso vale a pena estudar mais sobre esta tinta e tudo que ela pode oferecer!

Até a próxima postagem!!!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

As facetas de um Desenhista

Ontem, 15 de Abril, foi o dia do desenhista! Então, que tal falarmos um pouco sobre essa ampla profissão e algumas de suas vertentes?! Vamos lá?!

Ser desenhista não é só uma profissão, é um estado de espírito, um modo de vida. Desenhar é transportar a realidade para o papel com um toque especial que cada um tem dentro de si.

Aprender a desenhar promove um aumento na inteligência, pois estimula áreas do cérebro que as atividades cotidianas não o fazem. Se puxarmos pela memória, antes mesmo de aprendermos a ler e a escrever, desenhávamos. Aprender a desenhar, mais do que aprender a se expressar, é recordar a mais antiga maneira de se comunicar.

Aula de Arte para Crianças

Infelizmente existe uma grande mística ao redor da imagem do desenhista. Muitas pessoas o veem como um desocupado, e ao desenho, um hobby. Contudo, o desenho é utilizado em vários setores da sociedade, de inúmeras maneiras e os desenhistas são profissionais especializados, que passam por muitos anos de aprendizagem e investimento em sua atividade.

Há muitas formas de exercer o trabalho de desenhista. Uma delas é ensinando outras pessoas. Em um mundo cada vez mais homogêneo e massificado, as pessoas estão procurando caminhos para o trabalho manual e para coisas únicas e exclusivas, que exijam criatividade, como o desenho. Assim, as aulas de desenho têm sido uma forma que as pessoas encontram para expressar sua individualidade. Sem contar que quem aprende a desenhar pode também expandir a capacidade criativa em qualquer segmento profissional.

Aula de Mangá com a Prof.ª Gisela Pizzatto

O desenhista pode trabalhar ainda como ilustrador, desenhando ou criando soluções gráficas para livros, revistas, sites e publicações em geral. Muitas vezes são as agências de publicidade que contratam esse tipo de serviço, mas poucas delas têm um profissional do desenho dentro do quadro de funcionários; assim o desenhista trabalha como freelancer, fazendo criação de personagens (como mascotes para empresas) e ilustração de campanhas publicitárias.

Todo desenhista é também um artista e por isso pode trabalhar como tal. Isso significa vender seus desenhos para apreciadores de arte, podendo trabalhar com diferentes estilos.

 As Histórias em Quadrinhos são um campo vasto para se trabalhar com desenho. O profissional pode escolher entre os comics americanos, o Mangá (quadrinhos japoneses) ou ainda optar por um estilo próprio. Nesse meio o desenhista pode tentar um contrato com agências que trabalham junto às editoras internacionais e ter seu trabalho publicado no exterior. É um mercado bastante concorrido, que exige muita força de vontade, decisão e dedicação, mas muitos brasileiros já conseguiram essa façanha.

Ainda é possível produzir histórias em quadrinhos para empresas que querem treinar funcionários ou até mesmo para comunicação interna de um modo mais lúdico. Em muitos casos esse trabalho acontece através do contato com uma agência de publicidade, mas também a empresa pode ela mesma contratar um desenhista para fazer esses quadrinhos.

Outra forma muito difundida das histórias em quadrinhos é a tira de humor, publicada em todos os grandes jornais do país. Muitos dos desenhistas famosos fizeram sua carreira publicando tiras em jornais, depois migrando para outras áreas, como a ilustração e as historias em quadrinhos em revistas.

Capa desenhada pelo Prof. Marcelo Ferreira para HQ
Angry Birds Transformers, da Editora Americana IDW publishing

Ainda dentro do desenho de humor, desenhistas criativos têm um campo vasto para trabalhar. É possível optar por trabalhar com caricatura, cartum, charge ou até todos esses estilos juntos. A caricatura é o desenho de humor que satiriza um personagem, uma figura pública ou pessoas comuns através do exagero de pontos marcantes da fisionomia; é um artifício muito comum em revistas e jornais, onde os desenhistas satirizam políticos, artistas e personalidades conhecidas. O cartum faz uma piada sobre uma ideia universal, que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo é capaz de entender, enquanto a charge trata de um acontecimento específico, que pode estar relacionado à política, a um país em especial ou até a uma situação particular de um grupo.

Caricatura do Papa Francisco realizado pelo Prof. Emerson Penerari

Desenhistas podem ser também artistas plásticos, que trabalham vendendo suas peças para apreciadores de arte em exposições particulares ou coletivas, em galerias e museus ou em seu próprio ateliê. Dentro deste tipo de arte é possível trabalhar com diversas técnicas, seguir inúmeros estilos, criar. É o tipo de desenho mais livre para a criação, mistura de técnicas e experimentação. Os trabalhos podem ser feitos em nanquim, grafite ou carvão quando a ideia é trabalhar em preto e branco; quando a ideia é fazer um trabalho colorido pode-se usar aquarela, tinta a óleo, tinta acrílica, guache, pastel seco ou oleoso, lápis de cor, crayon, expandindo para a colorização com auxilio do computador, colagens e outros materiais inusitados.

Na arquitetura e no design o desenho é largamente utilizado, pois é a principal ferramenta para o profissional expressar suas ideias. Ao ingressar na faculdade, ainda no vestibular, o desenho é pré-requisito nessas duas áreas, sendo que profissionais que dominam várias técnicas destacam-se pela capacidade de criar novos conceitos.

Aula de Linguagem Arquitetônica

Estilistas de moda também utilizam-se do desenho de maneira intensa. As peças de vestuário e acessórios são, invariavelmente, criadas primeiro no papel, depois passadas ao mundo físico para vestir as pessoas.

O dia 15 de abril é marcado como dia do desenhista por ser a data de nascimento do artista Leonardo da Vinci (Itália, 1452), considerado ‘pai’ dos desenhistas. O trabalho do desenhista parece simples, alguns riscos, muitos rabiscos, linhas, curvas para chegar a um belo desenho; mas por trás de toda essa simplicidade esconde-se muito estudo e dedicação. Qualquer um pode aprender a desenhar, é só querer! Todos têm seu lugar ao sol: técnicos, desenhistas industriais, programadores visuais, designers, pintores, cartunistas, enfim, desenhistas! O mais importante é revelar seus traços e sua individualidade. Portanto, neste dia 15, todos esses profissionais merecem os parabéns.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Dom - Virtuosismo, Genialidade ou Curiosidade?

Bom dia, amantes da arte!
Estava lendo um livro bem interessante (Por Toda PArte, de Solange Utuari, Daniela Libâneo, Fábio Sardo e Pascoal Ferrari - Editora FTD-SA - 2013) que é distribuído em algumas escolas públicas aos alunos do ensino médio, e tem dicas valiosas sobre conhecimento e auto avaliação para entender a arte. Colocarei alguns trechos resumidos do capítulo para você ponderar sobre como surge a arte.

Em um dos temas propostos, os autores dissertam justamente sobre a criatividade: ela NÃO É exclusividade dos artistas, mas inerente a todos os seres humanos e presente em muitas áreas do conhecimento.

O interessante do conceito de criatividade é que em cada época e sociedade foi dada uma explicação ao seu significado, e uma das ideias mais comuns é de que ser criativo ou talentoso para as artes é um "dom". Essa concepção vem da época das musas inspiradoras da Grécia antiga. Depois, como se fosse um presente dado por Deus, algo sobrenatural.


Hesíodo e a Musa, de Gustave Moreau, 1891. Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7c/Moreau,_Gustave_-_H%C3%A9siode_et_la_Muse_-_1891.jpg


A Criação de Adão, de Michelangelo, 1512 . Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/64/Creaci%C3%B3n_de_Ad%C3%A1n_(Miguel_%C3%81ngel).jpg

Em algumas culturas o dom encarado como uma graça recebida tem a ver com a ideia de merecimento. Na modernidade, com as diversas formas de criar, o mérito da criatividade é algo a ser questionado.

Foi então que outras explicações para o ato criativo foram usadas, como por exemplo o virtuosismo e a genialidade. Os artistas da época do Romantismo eram estimulados pela ideia de superar os próprios limites, como a liberdade e a expressão de suas emoções, tanto na música como na pintura, arquitetura e escultura.


Paganini, de Eugene Delacroix, 1831: dois virtuosos em suas respectivas áreas. Fonte: http://36.media.tumblr.com/tumblr_mcxctoGpWa1rrnekqo1_1280.jpg

Por mais que tenhamos hoje artistas que se preocupam em alcançar o virtuosismo técnico, apenas isso não basta. A expressão criativa precisa de uma poética, um estilo que marque a singularidade da expressão. As conquistas no campo do conhecimento e das habilidades não se desenvolveram sem um conjunto de influências, situações e interações nas diversas fases da vida. Chame de dom, técnica, predisposição natural ou interesse em pesquisar são diferentes maneiras de explicar a criatividade no ser humano.

Pessoalmente, nunca acreditei em "dom". Ouço até mesmo da boca de artistas que, para criar, é preciso ter o dom. Se fosse assim, por que eu me preocuparia em ler centenas de livros sobre arte, desde a sua história até dicas técnicas de traço e materiais? Por que me importaria em visitar frequentemente museus e observar atentamente como as obras foram feitas? Por que refazer várias vezes um esboço até que me agrade dele e possa finalizá-lo? Será que existe algum artista que simplesmente produz arte sem nenhuma influência, conhecimento e esforço?


Homer recebendo um "dom" de Deus. Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/8/84/Thank_God,_It's_Doomsday.png

A palavra que eu costumo usar é "interesse". Quando a pessoa se interessa, ela não mede esforços para aprender. Ela gosta do processo, não apenas de ver suas artes terminadas. Ela admira outros artistas, ela capta dicas mesmo que sejam em áreas que ela não conhece muito. Um pintor pode aprender muito de um escultor, um músico ou de um filme, por exemplo. Por isso, aspirante a artista, não se desespere. Você não precisa ter o dom. Paciência e interesse são fundamentais, mas não surgirá uma pomba branca sobre a sua cabeça e abrindo os portais da criatividade.

Quando criamos dizemos o que pensamos ou desejamos, essa necessidade se origina das situações que vivemos e delas guardamos uma memória da observação e interpretação das coisas. Também projetamos o futuro e o que poderíamos passar. Criar é pesquisar, é indagar. E aí, já criou hoje?

Professor Emerson Leandro Penerari


quinta-feira, 2 de abril de 2015

BIRDMAN e os astros de filmes das HQs

Tá certo, tá certo, eu sei que estou atrasado. Mas é por isso mesmo que resolvi falar de Birdman só agora: porque todos os sites de entretenimento já deram as suas críticas, ele ganhou Oscar de melhor filme, direção, roteiro original e fotografia e até quem não estava acompanhando o burburinho já assistiu. E eu nem vou fazer uma crítica sobre o filme em si. Na verdade, falarei sobre uma das alfinetadas que ele deu. Sobre o futuro das produções inspiradas na cultura pop.


Poster em vetor de Birdman. Bem legal, né?Fonte: https://starsmydestination.files.wordpress.com/2015/01/birdman-poster.jpg

Dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu  (21 Gramas, Babel), estrelado por um elenco de tirar o chapéu (Michael Keaton, Edward Norton, Emma Stone, Naomi Watts, entre outros), o filme retrata a dificuldade de um ator que outrora interpretava um super-herói na telona salvar sua carreira em uma peça na Broadway ante a crítica implacável, sua equipe repleta de obstáculos e seu próprio ego. O filme fez sucesso pelas ótimas atuações, belos diálogos e a impressão gerada de ter sido feito sem cortes, em um take único nos arredores de um teatro. Fotografia muito bacana, música percussiva e timing sagaz. Mas talvez nem tudo isso justifique o prêmio máximo da academia cinematográfica. O que justifica? Talvez a falta de filmes bons para concorrer? Talvez os jurados tenham se identificado com a biografia do protagonista? Ainda fico com a escolha deles, de melhor Roteiro Original (coisa quase ausente em tempos de adaptações de livros, quadrinhos, games e brinquedos, mas mesmo assim com uns momentos um tanto manjados no cinema americano) e de Fotografia.


Keaton atormentado por seu alter ego. Fonte: https://filmlefou.files.wordpress.com/2014/11/la-et-mn-alejandro-g-inarritu-birdman-20141031.jpg

Diante de um filme cujo sucesso dividiu crítica e público, o diretor coloca em questão um ponto um tanto ignorado pelos consumidores de cinema: até quando um ator estereotipado por um personagem vindo de uma mídia tão subestimada como as HQs de heróis fantasiados sobreviverá de seu sucesso?


Keaton atormentado por Norton. Fonte: http://www.joblo.com/big-movie-images/birdman-image-5-6-20.jpg

Não é um assunto novo. É uma realidade, e bem antiga. Afinal, você conseguiria listar quantos trabalhos de sucesso Mark Hamill emplacou após O Retorno de Jedi? Tá, os mais nerds sabem listar de cor as diversas animações das quais ele participou como dublador, mas será que era isso que ele planejava desde o começo? "Vou fazer três filmes de uma saga Space Opera que me dará segurança financeira para o resto da vida e depois vou virar dublador de animações para TV". 


Mark Hamill: não mais um rostinho bonito. Fonte: http://supernovo.net/wp-content/uploads/2013/02/Luke-Andarilho-dos-Ceus.jpg

Que tal retrocedermos mais um pouco no tempo: o que Adam West e Burt Ward fizeram de relevante após o fim da série de TV do Batman? Será que sonharam com o Oscar alguma vez em suas carreiras? Os três anos de sucesso da série os transformaram em rockstars, e com certeza as participações em programas de TV e convenções ainda os mantém na mídia. Mas será que era esse o objetivo?


Burt "Robin"  Ward e Adam "Batman" West.Fonte: http://www.darkknightnews.com/wp-content/uploads/2014/04/burtwardadamwest.jpg

Riggan Thomson, o personagem de Michael Keaton, é esquizofrênico, tenta provar a si mesmo o tempo todo que sabe atuar, mas fica preso ao passado ao ouvir a voz de Birdman, personagem que lhe rendeu fama, o atormentando e tentando mostrar como os filmes atuais estão decadentes. E em partes ele tem razão. 

O que nos leva a pensar nessa geração de novos atores, que se prendem a um personagem nas telonas ou mesmo em seriados e que provavelmente levarão eras para emplacarem algo do mesmo nível. Não falo de Christian Bale que incorporou elementos de seu Batman em muitos personagens e consegue atuar em dramas, suspenses e ficção científica. Robert Downey Jr também começou muito bem, e usou a franquia super-heroística para salvar a sua carreira. Talvez não faça nunca mais algo tão relevante quanto seu Chaplin, ou o repórter sensacionalista de "Assassinos Por Natureza", mas essas personas já estão lá. E que dizer de veteranos como Anthony Hopkins, Glenn Close, Donald Sutherland? Esses participam pela pura diversão e pela grana, já que muitas vezes ligam o piloto automático e não fazem interpretações mirabolantes. De um jeito ou de outro, acabam angariando mais bilheteria para os filmes por causa de seus nomes.


Glenn Close na Tropa Nova. Fonte: http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2014/07/25/article-2705613-1FFA3A3200000578-932_634x400.jpg

Mas o que dizer de quem deu as caras pela primeira vez como um arquétipo saído do gibi/livrinho da moda/game? Vai viver do que quando a franquia acabar? Jennifer Lawrence e Chris Hemsworth já estão correndo atrás da carreira, mas o que dizer de Henry Cavill, Stephen Amell, Andrew Lincoln, Elizabeth Olsen, Gal Gadot? Conseguiremos ver a face desse pessoal longe de uniformes coloridos, raios saindo das mãos e dos olhos, armas para matar zumbis, indumentária pseudo-medieval evocando as criações Tolkenianas? Estarão fadados a aparecer em convenções nerds na velhice para reproduzir frases de seus personagens clássicos? E isso é o suficiente para eles?


Elizabeth Olsen: sucesso apenas em convenções nerds? Fonte: http://www.blackfilm.com/read/wp-content/uploads/2014/07/SDCC-2014-Avengers-Age-of-Ultron-press-line-pic-Elizabeth-Olsen-2.jpg

Lembrando que não tenho nada contra estes atores e seus personagens (tá, tem uns personagens que eu não conheço e não gosto, mesmo e nem adianta tentarem me convencer que Crepúsculo, 50 Tons de Cinza e Divergente são bons porque eu tenho uma pilha de coisas melhores para ler/ver, ok?). Mas me preocupo com o rumo que o entretenimento geral está tomando. Em uma era onde os filmes concorrentes ao Oscar expõem idéias indulgentes nem sempre bem executadas, um ator decadente perseguido por um cara vestido de pássaro nos faz pensar sobre a fragilidade do show business. Isso é perturbador. Como Birdman. Assista, depois me fale o que achou. Enquanto isso, eu revejo Guardiões da Galáxia e Operação Big Hero, profundos dentro de seus limites estéticos, mas bem mais divertidos e dignos de boas risadas e emoções lacrimejantes regadas a refrigerante quente e pipoca fria.

Emerson Leandro Penerari - Professor