quinta-feira, 28 de maio de 2015

Livros de Colorir para adultos viram febre... e daí?

Saudações, amantes da arte! Hoje falarei um pouco sobre essa febre que se alastrou pelo país (por que tudo que vira uma simples moda no planeta vira uma doença exagerada aqui nas terras do HUEBR?) que são os livros adultos antiestresse para colorir. A essa altura do campeonato você já deve ter um, ou sua mãe tem, ou um parente tem, ou as amigas compraram, ou você viu na internet, ou viu uma prateleira inteira na livraria dedicada a esse tipo de livro.


Fonte: http://s03.video.glbimg.com/x240/4113718.jpg

Eu até ia colocar o título da postagem como parte 4 da minha série "A Banalização da Palavra Arte" (já leu os demais textos que escrevi sobre isso? Os links estão no final do artigo), mas não acho que uma moda voltada para um nicho deva ser chamada de ARTE. Nem ARTETERAPIA, como alguns andam pregando por aí. Antes que me acusem de "hater", reclamão, velho chato, invejoso ou qualquer adjetivo negativo só por eu já ter iniciado o texto de forma levemente irônica, sugiro que leia o artigo na íntegra e, caso discorde, apareça na Ânima para defender seus argumentos ao som de boa música e tomando um delicioso copo de café.

Quando digo "nicho", é porque notei que a grande massa que consome esse tipo de livro são mulheres, donas de casa ou que têm empregos enfadonhos. Ou seja, o público alvo de "50 Tons de Cinza" resolveu colocar um pouco mais de cor em suas vidas. Estão muito felizes por terem adquirido seus livrinhos anti-estressantes, e querem competir com suas amigas para ver quem pinta mais bonito, mais veloz. Mas me diga aí: quem está curada do estresse por causa dos livros?


Capa original do livro Floresta Encantada. Fonte: http://ecx.images-amazon.com/images/I/A1c70SokGkL.jpg

Os livros mais famosos e que iniciaram essa onda são "Jardim Secreto" (publicado na Inglaterra em 2013)  e "Floresta Encantada" da jovem ilustradora escocesa Johanna Basford. Mas como tudo que vira moda sofre uma enxurrada de oportunismo, dezenas de outros profissionais e editoras já trataram de lançar os seus. Fui em uma livraria essa semana e vi livros para colorir com motivos de tatuagens, super-heróis, obras de Arte, mandalas, motivos celtas e até eróticos.


Para todos os gostos... Fonte: https://statics.r.worldssl.net/products/capas_lg/381/42893381.jpg

Buscando informações sobre essa onda para tentar entendê-la, me deparei com sites e blogs incrivelmente mal escritos (um livro chamado "Pintando Com Gaudí", foi chamado de "Pintando com Gandi (sic), ou seja, um artigo feito por quem não sabe a diferença entre um arquiteto e um estadista!), onde a defesa do hobby não alega motivação nenhuma, com comentários do tipo "minha amiga comprou e eu vou comprar também", ou "é bonito, vou colorir com meus filhos". Até aí tudo bem, nenhum entretenimento precisa ter uma funcionalidade messiânica no universo. Mas também uma coisa tão fútil não precisa receber uma supervalorização tão grande como essa onda.


Fonte: http://www.materiaincognita.com.br/wp-content/uploads/2013/07/Livro-de-colorir-gotico.jpg

Na época da minha avó, era o tricô, o bordado, o crochê. Na época da minha mãe, era o piano, a alta gastronomia e a datilografia. Aprendizados que se tornam úteis para a vida. Hoje em dia, basta colorir e postar uma foto dizendo que está mais leve e feliz.


Fonte: http://3.bp.blogspot.com/_Q5al-0kVLwI/TDTSy76t0LI/AAAAAAAAAVQ/wMsfwKEm7Y4/s1600/159.jpg

Talvez essa onda de ócio entre as pessoas, a necessidade de preencher um vazio que gera estresse na vida seja mais um sinal de que aos poucos vamos regredir à Era das Trevas. Parece bobagem? Lembrem-se que foram registrados 119 casos de Peste Negra em 2014 só na Africa.

Black Death
Fonte: http://www.syracuse.com/news/index.ssf/2014/11/plague_outbreak_kills_40_on_madagascar_119_diagnosed_since_august.html

Quem deve ter se empolgado com a nova moda são as empresas que fabricam lápis de cor, afinal ganharam clientes que não compravam seus produtos desde que (eles ou os filhos) saíram do ensino primário, criando um boom e reaquecendo o mercado.


Genial esta página que já começa errando o nome do próprio livro! Fonte: http://inventandocomamamae.blogspot.com.br/2015/04/livros-para-colorir-jardim-secreto-e.html

Ouvi argumentos tais como: "Ah, mas você deveria gostar, afinal, os livros de colorir trazem mais pessoas para o mundo das artes". Será? Eu acho que é uma moda passageira. Quantas pessoas se tornaram dançarinos profissionais por causa da febre do Harlem Shake? Quantos se tornaram dubladores profissionais por causa da onda do Dubsmash? Nem o joguinho Guitar Hero transformou gamers em músicos de verdade, por que eu deveria acreditar que essas pessoas se interessarão mais por arte? Vai durar mais alguns meses, até surgir outra moda para desocupados.

Outro argumento que li em uma matéria é que essa "ocupação" de colorir livros afasta as pessoas da hiper-conectividade atual. Até acreditaria, se não recebesse diariamente fotos e vídeos de pessoas envolvidas nesse árduo trabalho que é mostrar ao mundo como aprendeu a pintar com lápis de cor. Mais chato que foto de copão de café do Starbucks, né?

Caso você discorde e tenha seus argumentos para defender os tais livros, ficarei muito feliz em saber, afinal é sempre bom conhecer idéias divergentes que mostram como Nelson Rodrigues tinha razão quando disse "Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar".

Só lembrando que os livros de colorir se tornaram uma unanimidade em seu nicho. Brrrrrrrrr...


Professor Emerson Leandro Penerari

A banalização da palavra "Arte":
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As idéias e opiniões expostas nos artigos, textos e comentários são de responsabilidade dos autores, não refletindo, necessariamente, a opinião ou posição da Ânima Academia de Arte.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Arte no Cinema

Oi, pessoal, hoje no Blog da Ânima vamos falar sobre filmes! É isso aí, mas como Arte é o nosso negócio, vamos falar de filmes que têm como principal temática o mundo dos pincéis.

Tenho seis filmes pra indicar, produções caprichadas, com fotografia linda e ótimas atações.
Então vamos por ordem cronológica, começando lá em 1965.


Agonia e Êxtase
Lançamento: 1965
138 min
Direção: Carol Reed
Elenco: Charlton Heston, Rex Harrison, Diane Cilento
Gênero: Drama/ Biografia

O enredo de "Agonia e Êxtase" trata do período em que Michelângelo pintou a Capea Sistina (1508 - 1512), especificamente dos conflitos entre o artista e seu patrono, o papa Júlio II.

O filme foi baseado no livro de mesmo nome, do escritor americano Irving Stone e a filmagem conta com um cenário fantástico que recria a Sistina.

"Agonia e Êxtase" foi indicado a cinco Oscars e dois Globos de Ouro, mas mesmo não tendo levado nenhum dos prêmios e ser um filme bastante antigo, VALE MUITO (tudo maiúsculo)a pena assistir        
O próximo é um dos meus filmes favoritos:


Incógnito
Lançamento: 1997
108 min
Direção: John Badham
Elenco: Jason Patric e Irene Jacob
Gênero: Thriller

A história gira em torno de um talentoso artista que ganha a vida falsificando obras de arte. Ele recebe então uma encomenda: criar um Rembrandt falso, mas não falsificar uma obra já existente e sim criar um novo quadro!

Além da tensão que acompanha você por todo o filme, as coisas mais leais sobre o próprio processo de criação de um "quadro antigo". Ou seja, para que a obra seja atestada como um "original de Rembrandt", o artista tem que pesquisar o método, as tintas, tudo sobre o modo de trabalho de Rembrand. O final é surpreendente!

O terceitro filme é até bem famoso, e sei que muita gente já assistiu.


Frida
Lançamento: 2002
123 min
Direção: Julie Taymor
Elenco: Salma Hayek, Alfred Molina e Antonio Banderas
Gênero: Drama/ biografia

Baseado em um livro de Hayden Herrera, o filme retrata a vida da pintora mexicana Frida  Kahlo desde sua adolescência até sua morte.

Os principais momentos são o encontro com o muralista Diego Rivera (que viria a ser seu marido), o acidente que a deixa paralisada da cintura para baixo, seu sucesso como artista e o caso com o revolucionário russo Leon Trótsky.

O filme retrata bem o modo de vida da classe artística da época e tem muitas imagens que se confundem com a obra da artista. Venceu dois Oscars (teve seis indicações) e um Globo de Ouro. Vale a pena conferir!

No ano seguinte foi lançado outro filme que ficou bem famoso:


Moça com Brinco de Pérola
Lançamento: 2003
95 min
Direção: Peter Webber
Elenco: Colin Firth, Scarlett Johanson, Tom Wilkinson
Gênero: Drama

O roteiro deste filme é uma adaptação do romance de mesmo nome de Tracy Chevalier, contando a história fictícia de como o pintor holandês Johannes Vermeer teria pintado seu famoso quadro que dá nome ao filme.

O bacana do filme é justamente o olhar de Vermeer sobre as coisas do cotidiano, sobre a luz e as cores. Também é interessante como retratar o modo de produção dos pigmentos durante o período em que Vermeer trabalhou. Realmente imperdível!

O próximo filme da lista é de 2006:


Sombras de Goya
Lançamento: 2006
113min
Direção: Milos Forman
Elenco: Javier Bardem, Natalie Portman e Stellan Skarsgard
Gênero: Drama

Durante a inquisição espanhola (1792-1809), Francisco Goya, pintor já famoso, tem sua musa em Inês Billatua. Inês é porém presa pela inquisição e acusada de judaísmo. A tentativa desesperada de Goya em libertar Inês vai refletir em como ele aborda sua obra e torna tudo "sombrio". Uma ótima pedida!

O último filme que eu indico pra você é uma produção deste ano.


Grandes Olhos 
Lançamento: 2015
106min
Direção: Tim Burton
Elenco: Amy Adams, Christoph Waltz e Danny Huston
Gênero: Drama/ Biografia

Este filme conta a história real da pintora americana Margaret Keane, uma das artistas mais em voga nos anos 50. Seu estilo marcante retratava crianças com olhos enormes e assustadoras.

Margaret era defensora das causas femininas e teve de lutar contra o próprio marido na justiça, já que ele afirmava ser o verdadeiro autor das obras da artista.

E aí, gostou? Espero que sim! Aproveite as dicas e boa diversão!!!
Prof.ª Gisela Pizzatto

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Ilustração e Literatura: Artes Interligadas


Frazetta ilustrando para a Eerie. Fonte: http://frankfrazetta.net/images/Eerie%202%20Frazetta.jpg

E aí, fãs de arte, artistas e aspirantes, tudo bem com vocês? Vocês já devem ter ouvido a frase "Nunca Julgue Um Livro Pela Capa" em algum momento da vida de vocês, não é mesmo? De fato, a arte e a escrita andam juntas desde os primórdios de suas invenções, e hoje chegamos a um momento onde é praticamente impossível desvencilhar a arte literária das imagens ilustrativas, seja apenas pela capa, seja para auxiliar o leitor a entender o que se passa.


Capa de "O Pequeno Príncipe", do autor Antoine de Saint Exupéry. Impossível não reconhecer!
Fonte:https://holtproduct.files.wordpress.com/2010/11/petit-prince.jpg

Desde os primeiros papiros egípcios, onde a escrita já era uma forma de desenho, a ilustração serviu para definir parâmetros e gerar um entendimento melhor do que seria passado. Durante o Império Romano, foram desenvolvidos os Códices, que são os livros com capa de madeira e encadernação costurada, uma forma rudimentar da encadernação usada até hoje. Nessa época, iluminuras e arabescos já eram bem comuns para ilustrar as iniciais dos textos e suas capas.


Fólio do Códice "Book Of Kells". Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3dice#/media/File:KellsFol292rIncipJohn.jpg

A partir do século XV a xilogravura (gravura usando a madeira como matriz) era o principal método de ilustrar um livro, passando depois para técnicas de melhor reprodução, como água-forte (gravura em metal) e, no século XVII, a litografia (gravura em pedra). Um dos grandes ilustradores desse período foi o poeta William Blake. Mais tarde, no século XIX, Gustave Doré foi um dos ilustradores que mais se destacaram, trabalhando em mais de cem obras-primas da literatura universal, podendo-se destacar A Divina Comédia (Dante Alighieri), Dom Quixote (Miguel de Cervantes), Os Trabalhadores do Mar (Victor Hugo), Fábulas (Jean de La Fontáine) e a Bíblia.


Dante e Virgílio nos Portões do Inferno, por William Blake. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Blake#/media/File:Blake01.jpg


A mesma cena, por Gustave Doré.
Fonte: http://uploads2.wikiart.org/images/gustave-dore/the-gate-of-hell(1).jpg

Na literatura mais recente, a tecnologia tornou acessível a impressão de desenhos em diversas técnicas, facilitando o surgimento de ilustrações em aquarela, tinta a óleo, acrílica, giz pastel, aerografia, lápis de cor e arte digital, tanto para a capa quanto para as ilustrações internas. O que mudam são as tendências. O realismo e a caricatura dos séculos anteriores deram lugar às ilustrações estilizadas infantis, ao cubismo, à Op Art, à Arte Fantástica, passando por colagens e fotografias alteradas.


Capa da Primeira Edição de Macunaíma -  1928.
Fonte: http://www.angelfire.com/mn/macunaima/


Capa da Edição mais Recente do Livro (2013).
Fonte: http://www.ourosobreazul.com.br/conteudo/portfolio/editorial/macunaima.jpg 

Alguns livros clássicos têm suas capas alteradas a cada nova reimpressão. Do século XX destaco as imagens de Norman Rockwell, Frank Frazetta, José Luiz Benício (ambos iniciaram suas carreiras nos Pulps, livros baratos com histórias mais descartáveis), e o designer Chip Kidd. Infelizmente essa nova onda de temas repetitivos na chamada "Literatura Juvenil" passou a gerar capas de cunho duvidoso, todas elas respeitando um mesmo padrão pobre de elementos para que se confunda o olhar do observador nas livrarias e ele se identifique com mais de uma série de livros. Por exemplo, na onda do sucesso da Saga Crepúsculo, diversos autores passaram a colocar desnecessariamente elementos sobrenaturais em seus fracos romances para adolescentes e repetiam à exaustão capas sombrias com cores frias, nome do livro em letras góticas e tinta metálica. Isso sem mencionar as novas séries de livros com futuros distópicos, ou mesmo as novelas intermináveis de Sidney Sheldon 30 anos atrás.


Exemplo de Saga ruim com capas que seguem a moda contemporânea. Blargh!
Fonte: http://mediaroom.scholastic.com/files/Shiverrepackage2014.jpg


Exemplo de saga legal cujas capas acompanham o nível da história!
Fonte; https://truthisbliss.files.wordpress.com/2014/05/dragonlance.jpg


Este ano a ilustração literária tem um papel fundamental aqui na Ânima, Quer saber o porquê? Fiquem de olho em nossas postagens no Blog, Facebook, Instagram, Twitter, e descubra. E você? Quais as capas/ ilustrações de obras literárias que mais te chamam a atenção? Abaixo coloquei algumas das capas das primeiras edições que gosto:

  

    



Professor Emerson Leandro Penerari

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Grandes Artistas: Alex Ross

Alex Ross é um artista que dispensa apresentações. Praticamente todo fã de artes, de quadrinhos, de pintura e mesmo de design já viu alguma de suas obras. Mas olhando todas essas belíssimas artes prontas e esse sucesso estrondoso de mais de 20 anos, poucas pessoas realmente sabem como ele iniciou sua prolífera carreira na ilustração e nos quadrinhos. Vamos falar um pouco sobre isso.


Alex Ross produzindo uma ilustração inspirada na música Yellow Submarine, dos Beatles. Fonte: https://blurppy.files.wordpress.com/2015/02/11008590_931808516859445_7790948854135746914_o.jpg

Olhando o passado, faz todo o sentido que Alex Ross se tornaria um dos mais respeitados artistas de quadrinhos do mundo. É um sucesso que levou uma vida e continua em ascendência.

Nascido em 1970 em Portland, Oregon e criado em Lubbock, Texas, Alex fez sua estréia artística aos três anos quando, de acordo com sua mãe, pegou um pedaço de papel e desenhou o conteúdo de um comercial de televisão que ele tinha visto momentos antes. Ross veio de uma família de artistas: sua mãe era uma artista comercial e seu avô construía brinquedos de madeira e adorava desenhar. Quando Ross descobriu o Homem-Aranha em um episódio de The Electric Company, sua vida mudou para sempre. "Eu só caí no amor com a noção de que havia personagens coloridos como este, realizando boas obras, às vezes fantásticos", diz Ross. "Eu acho que sabia que isso era o que queria fazer. Eu queria trazer esses personagens à vida."


Desenho de Alex Ross com 4 anos, exposto no Museu Norman Rockwell. Fonte: http://www.nrm.org/alexross/selectedworks/supperheroes/

Essa atitude não foi meramente escapismo. Para Ross é exatamente o oposto. "É um ambiente divertido", admite. "Super-heróis são uma mistura de todas as formas de ficção - mito, ficção científica, mistério e magia -. Tudo em um pote gigante Os melhores personagens encarnam as virtudes que encontramos em nós mesmos."

Ross dá o crédito ao seu pai, Clark, um ministro, com a estrutura moral que lhe permitiu apreciar as boas ações realizadas rotineiramente pela sua afinidade com Heróis como Superman e Homem-Aranha. "Meu pai deu ajuda - ajuda física, não apenas financeira -. A uma série de instituições de caridade e causas. Ele ajudou a abrigos e fundou um abrigo para crianças em Lubbock,.. e suas ações me fizeram ver que Super-Heróis não são heróis porque são fortes; eles são heróis porque realizam atos que vão além de ver apenas a si mesmos ".


O pai de Alex, Clark, como o personagem principal da trama de Kingdom Come. Fonte: http://www.hazelfoster.com/wp-content/uploads/2012/01/kingdomcome4.jpg

Já adulto, Ross começou a ler quadrinhos e levando o hobby a sério, admirando o trabalho de ilustradores de quadrinhos como George Perez e Berni Wrightson. "Eles estavam em extremos opostos", recorda Ross. Wrightson, provavelmente mais conhecido como o co-criador de Swamp Thing (Monstro do Pântano) ", usei um monte de linhas delicadas para delinear sombra e tom. Não havia tantos artistas de quadrinhos empregando sombras naquela época. Perez, por outro lado, tinha um estilo muito atraente, aberto, com linhas de contorno abertas e muito pouca sombra. Quando eu tinha 12 anos, queria imitar o estilo de Perez, e depois quando comecei a trabalhar seriamentente, queria imitar o estilo de Wrightson. Percebi que não havia um caminho a percorrer . "

Esta filosofia tornou-se verdadeira quando Ross descobriu Andrew Loomis e Norman Rockwell. "Eu imaginava pessoas como Rockwell, que era fotorrealista", diz Ross. "Quando eu tinha 16, eu disse a mim mesmo: 'Eu quero ver isso em uma história em quadrinhos!'"

Mesmo quando jovem, no entanto, Ross sabia que "não havia nenhuma satisfação ao basear o meu estilo em cima do trabalho de outra pessoa." Assim, enquanto seus amigos estavam explorando os territórios desconhecidos da adolescência, Ross dedicou seu tempo para se tornar um desenhista, com o objetivo de longo prazo de fazer as pessoas acreditarem que um homem podia voar.

"O Colegial pode ser um momento caótico", diz ele. "Através da minha arte e através do que esses personagens representados, eu encontrei um senso de ordem que eu queria aplicar à minha vida. Não que eu não estivesse interessado em namorar ou socializar. É que parte de mim não queria deixar os personagens coloridos que amei por tanto tempo. "


Capa da revista Terminator, um de seus primeiros trabalhos antes da fama. Fonte: http://www.alexrossart.com/galleries/terminator/thumb/terminator2.jpg

Aos 17, Ross foi para Chicago e começou a estudar pintura na Academia Americana de Arte, a escola onde sua mãe havia estudado. "Meu tempo na Academia foi realmente valioso", lembra ele. "Eu aprendi que eu era como um artista e que tipo de disciplina que eu já tinha aprendido. Lá estava eu, desenhando um modelo vivo pela primeira vez e percebi que poderia representar o modelo. Nem todo mundo na classe podia fazer isso. Era importante fazer essa descoberta. "

Estudar na Academia também permitiu que Ross estudasse os clássicos em maior profundidade. "Salvador Dali acabou sendo uma grande influência, na verdade", diz ele. "Ele tinha uma imaginação vívida e uma qualidade hiper-realista que não era tão distante de histórias em quadrinhos. Comecei a estudar os ilustradores americanos clássicos como Norman Rockwell, JC Leyendecker ... Eu fui chamado de 'O Norman Rockwell dos quadrinhos' mais de uma centena de vezes. Eu não vou sugerir que estou no mesmo nível que ele, mas tentar esse tipo de realismo no meu trabalho tem sido sempre parte da minha abordagem ".

Foi na Academia que Ross teve a idéia de pintar suas HQs. "Não houve nenhum momento onde eu vi a luz e disse: 'quadrinhos pintados! Esse é o jeito!'", Ele lembra. "Foi um subproduto dos meus estudos. Não havia qualquer programa que me ensinasse a pintar uma história em quadrinhos. "Havia também bastante HQs pintadas lá fora -. Não muitas, mas algumas -. que me fez pensar que o meu talento poderia ser aplicado".


Esboços a lápis antes da pintura final. Fonte: http://www.comicartfans.com/Images/Category_12185/subcat_32317/PoisonIVY481.jpg

Houve também uma sensação de realização do desejo envolvido. "Quando se pinta o trabalho, você ganha um sentido de vida e credibilidade que irá chamar mais leitores. Você pode usar a cor e a luz e sombra e modelos vivos para dar certo realismo. Pode ser mais fácil de se relacionar a um personagem, se você olhar para ele e dizer: 'Aqui está um ator que retrata alguém. Aqui está algo que parece real. "Eu pensei que seria atrair pessoas e talvez adicionar à sua fruição da obra.

Depois de três anos na Academia Americana, Ross se formou e conseguiu um emprego em uma agência de publicidade. Enquanto isso, o editor da Marvel Comics (na época) Kurt Busiek tinha visto o trabalho de Alex e sugeriu que colaborasse em uma história dele. Esses planos chegaram a ser concretizadas em 1993, com Marvels, uma graphic novel que deu um olhar realista sobre super-heróis da Marvel, apresentando-os a partir do ponto de vista de um homem comum. O livro lançou Ross sua primeira exposição na mídia tanto dentro da indústria das HQs quanto fora dela. Fãs apreciaram a afeição óbvia para os personagens que ele pintou, demonstrada por sua atenção aos detalhes e o fato de que ele teve tempo para fazer esses personagens parecem tão críveis.




Marvels. Fonte: http://www.dinamo.art.br/wordpress/wp-content/uploads/2014/05/marvels_alex_ross1.jpg

Depois veio Kingdom Come (O Reino do Amanhã), uma história futurista para a DC Comics sobre um ministro que tem de interceder em favor de um super-herói da Guerra Civil. Foi uma festa visual, cheio de camafeus, piadas e uma personagem principal com base no pai de Ross, permitindo reconhecer publicamente a influência de sua família.


Kingdom Come. Fonte: http://www.comicbooksyndicate.com/wp-content/gallery/12-days-kingdom-come/kingdomcome-05.jpg

Tendo se estabelecido criativa e financeiramente com projetos de super-heróis, Ross voltou-se para o mundo real com o Tio Sam, uma história de 96 páginas, que teve um duro olhar para o lado negro da história americana.

No final dos anos 90 comemorado o aniversário de 60 de Superman, Batman, Capitão Marvel e Mulher Maravilha, Alex produziu com o roteirista Paul Dini livros de tamanho tablóide, que descreve cada um desses personagens usando seus poderes para inspirar a humanidade, bem como ajudá-los.


Wonder Woman: Spirit Of Truth. Fonte: http://31.media.tumblr.com/tumblr_m0bhch0Agu1qjzyxso1_1280.jpg

Nos últimos anos, Ross tem aplicado suas habilidades artísticas para projetos realizados no exterior com base nas HQs, incluindo um cartaz promocional de edição limitada para Academy Awards 2002. Um número de itens criados especialmente para a Warner Bros. Lojas de estúdio - incluindo litografias, placas de colecionador e até mesmo uma tela de pintura de Superman - fez dele o artista mais vendido na história da empresa.

No outono de 2001, Ross pintou uma série de quatro capas de bloqueio para TV Guide (com personagens da série Smallville) e desenhado e esculpido uma série de bustos baseados em personagens que ele criou para a série da Marvel Terra X. "Projetando as estátuas ", explica Ross," foi um caso em que eu disse: 'Ei, eu sei que posso fazer isso, e antes que alguém faz isso - talvez de maneira diferente - eu posso esculpir alguns dos personagens conhecidos no meu estilo... eu quero assumir a responsabilidade total para os projetos que levam o meu nome. "

Quarenta anos atrás, o Homem Aranha aprendeu que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Olhando para Alex Ross, vemos que aprendeu a lição. A carreira dele oferece uma outra mensagem importante: siga o seu sonho. Na verdade, não é muito longe do tipo de mensagem que você pode encontrar em uma de suas histórias.

Muitos se perguntam o tipo de material que Ross usa para produzir suas pinturas. Ele costuma usar Guache em tubos da marca Winsor & Newton, pincéis da mesma marca e um aerógrafo para preencher grandes áreas uniformes ou detalhes de brilho.


Fonte: http://kwc.org/blog/archives/photos/2003/07-19-03.alex%20ross%20drawing-2.jpg

Minha palavra pessoal: conheci o trabalho do Alex Ross em 1995 passeando normalmente nas bancas como costumo fazer até hoje e me deparei com Marvels No. 1. Amei a capa em acetato, o visual do Tocha Humana e, ao virar duas ou três páginas descobri que aquilo era um clássico da arte sequencial pintada, assim como Moonshadow, Wolverine/Destrutor e Às Inimigo. Levei para casa. Impossível não pirar com a história e a arte realista dessa série. Após ler e reler, descobri pela editora Devir que sairia a série Kingdom Come em 4 partes nos EUA. Importei porque não conseguiria esperar para ver mais artes do mestre. Fiz o mesmo com Uncle Sam. Nessa época passei a acompanhar a revista Wizard, sobre cultura pop, tanto nacional quanto americana, e ficava de olho sempre procurando qual seria o novo projeto de Ross. Muitos amigos consideram sua arte estática. Outros não gostam por ser muito inspirada nos clássicos. Mas eu ainda o considero um revolucionário, que arriscou entrar em projetos ambiciosos quando ninguém acreditava do que ele seria capaz. Hoje possui obras em galerias consagradas de arte e é influência para vários artistas, ilustradores e desenhistas de quadrinhos. Sua obra serviu como divisora de águas nos anos 90 e seu nome estará na lista dos grandes imortais das HQs como Frazetta, Buscema, Pérez, Wrightson, Kent Williams e outros.

Professor Emerson Leandro Penerari 

Alguns trechos desta biografia foram tiradas do Site www.alexrossart.com , do livro Mithology, de Chip Kidd e Geoff Spear e da revista Wizard Millenium Edition Special.