terça-feira, 30 de junho de 2015

Ânima Entrevista - Prof. Athila Fabbio

Hoje a Ânima apresenta uma entrevista aqui no Blog!

Prof. Athila
Athila Fabbio é professor de Quadrinhos da Ânima e já tem no currículo publicaçãoes internacionais como desenhista do projeto britânico Medikidz e arte finalista assistente da Tartarugas Ninja (Editora IDW, USA).

Nome: Athila Fabbio
Idade: 24, faço 25 em Agosto :)

Releitura de The Intense Art of Simon Bisley
1. Dentro dos Quadrinhos, quais suas principais influências?
R.: É difícil, porque eu decidi que não posso me influenciar pelos desenhistas que eu mais gosto, pois o tipo de trabalho deles é muito diferente do que eu faço, e aí misturando os dois não ficava bom. Hoje estou vendo outros artistas que se aproximam mais do meu trabalho, como o Alex Toth, o Jack Kirby e Chris Samnee.

Doutor Destino

2. Então você acha que hoje a sua abordagem é mais profissional no que se refere as influências?
R.: Sim. Muita coisa dos artistas que eu gostava muito ainda está agregada no meu trabalho, mas pouca gente percebe. Acabei tentando direcionar o trabalho pra algo que eu já fazia naturalmente. Antes eu só procurava coisas das minhas influências antigas: revistas, ilustrações, essas coisas. Depois de ver que eu não ia poder seguir nessa linha descobri muitos outros artistas bacanas com trabalhos que me agradam.

Página de Medalhão de Ouro, projeto HQ em andamento.
3. Quanto tempo em média você demora pra desenhar uma página?
R.: Um dia pra fazer um página, depende da complexidade, da quantidade de sombra...

4. Dá pra fazer um resumão da sua trajetória de estudo e trabalho até aqui?
R.: Eu sempre desenhei desde criança, comecei um curso de Quadrinhos quando eu tinha uns 10 anos. Depois dei uma parada com as aulas, mas nunca deixei de desenhar. Aí voltei pras aulas com 19, fiz curso de Quadrinhos e Perspectiva e aí comecei a monitorar as aulas do Marcelo (Ferreira) aqui na Ânima. Junto com isso eu ainda trabalhava com meu pai desde os 14, ele tem uma oficina mecânica.

A primeira coisa que eu fiz foram os quadrinhos da Medikidz em 2014 e com eles fiz 3 projetos. Agora estou fazendo vários trabalhos de amostra pra tentar outras coisas pra fora.

Estudo para personagem de Medalhão de Ouro
4. Qual a coisa mais difícil desse mercado?
R.: Acho que o mais difícil é entender o que os editores querem em termos de estilo. Até entender que o que a gente gosta é legal, mas que você precisa de muito mais bagagem e por que de certas coisas, como por exemplo, porque os clássicos são bons.

Confira o vídeo da última perguntar respondida por Athila:


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Ayreon: Arte, Rock Progressivo e Ficção Científica!

Saudações, amantes da Arte! Hoje falarei um pouco sobre três das minhas paixões, citadas no título acima. Já postei anteriormente uma matéria sobre a ligação das artes visuais e da música, o link para esse texto vocês encontram no final dessa matéria.


Arjen Anthony Lucassen. Fonte: http://theageofmetal.com/wp-content/uploads/2013/10/635149518647745146.jpg

Passei essa semana ouvindo a obra do multi-instrumentista holandês Arjen Anthony Lucassen. Sua genialidade é impressionante, tanto na composição de suas obras como na parte lírica e no visual dedicado a cada uma de suas obras. Tentar explicar o que é o Ayreon vai ser um tanto complicado, mas vou me ater aos elementos principais: a música, a temática e a arte gráfica.

A Música:

O estilo musical adotado por Arjen é o Rock Progressivo influenciado por bandas como Pink Floyd, Genesis, Yes, King Crimson, Emerson, Lake & Palmer, Focus e Jethro Tull, aliado ao Hard Rock e Heavy Metal de bandas como Deep Purple, Rush e Iron Maiden, com alguma pitada de música folclórica européia e muitas citações às operas-rock como Jesus Christ Superstar e Tommy (do The Who).

Apesar de ter tocado em bandas de rock quando jovem, Arjen sempre teve uma mente muito criativa. Quando lançou o primeiro disco sob o nome Ayreon, gravou quase tudo sozinho (vocais, guitarras, teclados e contrabaixo), com participações de amigos, que aos poucos se tornou um apanhado de artistas renomados que trouxeram mais fama ao trabalho e disputas concorridas para participações. Nomes como Fish (ex-Marillion), Sharon Den Adel (Within Temptation), Bruce Dickinson (Iron Maiden), Timo Kotipelto (Stratovarius) e Anneke Von Giersberen (Ex-The Gathering) deram um salto de qualidade às composições, fazendo que, nos álbuns mais recentes gente do calibre de James LaBrie (Dream Theater, Jorn Lande (ex-Masterplan, Avantasia), o saudoso Steve Lee (Gotthard), John Wetton (Asia) e Cristina Scabbia (Lacuna Coil) preenchessem os papéis de seus personagens de forma magnífica!


Arjen e Anneke Von Giersberen. Fonte: http://i.ytimg.com/vi/Mz7oozmm5EI/maxresdefault.jpg


Cristina e Arjen gravando. Fonte: http://i.ytimg.com/vi/DK8d3PURCg0/maxresdefault.jpg

A Temática:

A história dos oito discos lançados por Arjen sob a alcunha Ayreon já seria motivo para várias páginas. Como é de se esperar, cada CD narra uma história, e aos poucos elas vão criando pontos em comum com as demais e formando um grande épico de ficção científica que passa por diversos elementos admirados pelos fãs de Cultura Pop: fantasia medieval, futuro apocalíptico, Space-Opera, segredos da mente humana, extraterrestres, viagem no tempo.

De forma bem resumida, tentarei esmiuçar o tema principal de cada CD, mas quem se aventurar por ler as letras e prólogos nos encartes irá se deparar com um cenário tão profundo quanto qualquer clássico de fantasia e ficção científica. As capas postadas aqui são as que não foram produzidas pelo artista Jef Bertels. Incluirei as feitas por ele mais abaixo.


The Final Experiment (1995)
Basicamente, Ayreon é o nome de um menestrel cego do século VI AD. Ele recebe visões de um futuro caótico em 2084 AD, onde a humanidade está no limite da destruição da espécie e do planeta. Nessa época, cientistas aprenderam a enviar mensagens no tempo por telepatia, e sua única esperança é tentar alertar pessoas no passado para que o destino trágico do planeta seja evitado. Ayreon acredita que foi abençoado pelos Senhores do Tempo, e chega até a corte do Rei Arthur para alertá-lo de suas visões. Merlin desacredita e o amaldiçoa, mas depois se arrepende e prevê que no século XX outro menestrel será desperto.



Actual Fantasy (1996)
Nesse disco Arjen trabalhou com diferentes temas em cada uma das faixas, inspirado por livros como O Nome da Rosa (Umberto Eco) e A História sem Fim (Michael Ende).

Into the Electric Castle (1998)
Este disco retoma a saga e conta a história de oito personagens de épocas diferentes que foram selecionados e transportados a um lugar fora do tempo e espaço e precisam encontrar e adentrar o  "Castelo Elétrico".  Cavaleiro, egípcia, hippie, homem do futuro, cada um acha que o lugar é um local de sua crença e busca pessoal. Aos poucos alguns morrem, outros desistem, até que cinco dos escolhidos adentram os dois Portões, um de ouro e outro velho e enferrujado. O Bárbaro adentra o portão de ouro e é morto, e os demais adentram o portão enferrujado e sobrevivem. A entidade que fala com os escolhidos se auto-intitula um "Eterno das Estrelas" (Forever of the Stars), membro de uma raça muito antiga que perdeu as emoções há muito tempo e povoou a Terra na esperança de retomar esses sentimentos). Ele explica como a vida humana foi um experimento para se entender melhor as emoções. Cada um dos sobreviventes voltam aos seus tempos com uma nova experiência.

Universal Migrator Part 1: The Dream Sequencer (2000)
Em 2084, a humanidade se recupera de uma guerra mundial que destruiu quase toda a vida na Terra. Alguns colonos foram morar em Marte, mas os suprimentos ficaram escassos e apenas um ser humano sobrevive. ele é o último humano vivo. Em Marte havia uma máquina hipnótica chamada "Sequenciador de Sonhos" que permitia aos colonos viajarem à sua infância ou a vidas passadas. Ao examinar seu passado, o último humano descobre que foi anteriormente o menestrel cego Ayreon e também antes disso, o primeiro humano na Terra.



Universal Migrator Part 2: Flight of the Migrator (2000)
Na continuação do álbum anterior, o último homem vivo em Marte viaja por meio do Sequenciador de Sonhos até um passado mais profundo, antes do Big Bang, e vê a criação do "Migrante Universal, a primeira alma com sentimentos. O Migrante se divide em milhões de almas e cada uma delas sai em busca de um planeta para habitar e gerar outros seres. Quando o colono resolve acompanhar a alma direcionada à Terra, o Sequenciador de Sonhos se sobrecarrega e o colono morre na máquina. Ele então se torna o novo Migrante.

The Human Equation (2004)
Apesar de parecer uma história bem mais realista, o final tem uma ligação com os Eternos das Estrelas. Um homem sofre um acidente de carro e fica em coma por 20 dias no hospital (cada dia é uma música). Seu melhor amigo e sua esposa ficam ao seu lado o tempo todo, e suas emoções (medo, razão, amor, paixão, agonia e raiva) falam com ele para que se lembre das decisões que tomou em sua vida. Seu pai aparece para humilhá-lo, e aos poucos o homem encontra o caminho fora de sua prisão mental, com ótimas revelações sobre o seu passado e o que viu antes do acidente. No final, um dos Eternos das Estrelas diz: "Emoções... eu me lembro", mostrando que toda a história foi uma simulação do Sequenciador de Sonhos.

Trailer do lançamento do CD: https://www.youtube.com/watch?v=6u09ShuRP9A

01011001 (2008)
Esse número é a representação binária do número 89, que é o código ASCII da letra "Y". A história se passa no Planeta Y, onde vivem os Eternos das Estrelas, citados nos álbuns anteriores. Na história, os Eternos esqueceram suas emoções há eras e se tornaram dependentes das máquinas. Para recuperar as emoções eles enviam seu DNA à terra em um cometa, que, ao colidir com o planeta, extingue os dinossauros. A raça humana surge e, manipulada pelos Eternos, desenvolvem mais rápido o lado físico e mental, deixando o lado moral sem tanta evolução, o que causará sua extinção em 2084. Tentando ajudar eles alteram a linha do tempo e com sua tecnologia ajudam na criação do Experimento de Telepatia Temporal (sim, aquela que alerta o menestrel Ayreon no primeiro disco). O experimento fracassa e os Eternos partem levando consigo o Migrante, último humano vivo.


The Theory of Everything (2013)
O mais recente álbum lançado também parte para um conceito mais realista, já que o disco anterior fechou a história dos Eternos das Estrelas. "A Teoria de Tudo"possui 42 faixas em homenagem ao livro "O Guia do Mochileiro das Galáxias", de Douglas Adams, e conta a história de "Prodígio" um garoto muito inteligente e brilhante, que impressiona seu professor e traz inveja a um aluno rival tanto na genialidade quanto na paixão pela mesma garota. O pai de Prodígio está desenvolvendo a "Teoria de Tudo" e não dá atenção ao filho, ao passo que sua mãe se preocupa e o leva a um psiquiatra, que decide ajudar o gênio a se adaptar ao mundo, usando-o como cobaia para testar uma nova droga que criou. A conclusão da história é intrigante e cheia de considerações morais, éticas e emocionais.

A Arte:










Ah, claro, se você está acostumado a ler as postagens no Blog da Ânima, sabe que mais cedo ou mais tarde falaria do visual. E o visual das capas e encartes do Ayreon é fenomenal! A partir de Into The Electric Castle, Arjen tinha mais recursos para convidar os músicos e investir na parte gráfica. Com ajuda do ilustrador belga Jef Bertels, que pinta grandes painéis usando tinta a óleo, que impressionam pelas cores vivas e intensidade de detalhes. Abaixo vocês conferem as capas de Jef em ordem cronológica. em sua opinião quais delas são as mais legais?












Falando de forma mais pessoal, Into The Eletric Castle é um disco que prezo muito, pois foi por causa dele que cheguei a conhecer o Ayreon. A gravadora brasileira que o lançou em 1999 lançou antes uma coletânea com faixas de seus lançamentos (Hellion Collection vol. II) e nela havia a faixa Isis and Osiris, com Fish e Sharon Den Adel. Foi paixão à primeira escutada. Logo fui atrás do álbum completo (um CD duplo com visual fenomenal) e a partir daí não parei mais de acompanhar a banda.

O site do artista das capas é www.jefbertels.br . Aproveitem para conhecer mais de suas magníficas obras.







Outros projetos:

Como a mente visionária de Lucassen nunca descansa, o Ayreon acabou se tornando pequeno para tantas idéias. Dois de seus projetos mais interessantes são o Ambeon (de 2001) e o Star One. O primeiro traz releituras de algumas faixas instrumentais do Ayreon cantados e com letras reescritas por Astrid Van Der Veen na época com apenas 14 anos. Uma fofura de se ver e ouvir!



O Star One, lançado em 2003, é mais parecido com o Ayreon, são músicas mais voltadas para o Heavy Metal, com vários vocalistas e um time impecável de instrumentistas homenageando em cada música um filme ou uma série sci-fi das quais Arjen se declara fã. Então no primeiro CD (Space Metal, que culminou na apresentação de Arjen aos palcos em anos) temos homenagens a Alien, 2001, Gate 7, Stargate, Star Trek, e no segundo (Victims of the Modern Age) os temas são mais distópicos, inspirados em Matrix, Laranja Mecânica, Planeta dos Macacos, Fuga de Nova York, Blade Runner, 1984. O destaque vai também para os convidados: Damien Wilson (At Vance), Russell Allen (Symphony X, em interpretações espetaculares), Floor Jansen (ex-After Forever, Nightwish), entre outros.

Show do Star One: https://www.youtube.com/watch?v=7QOlb-MYLpI



Espero ter despertado em vocês o interesse em conhecer um pouco mais a obra de Arjen A. Lucassen. Mais uma prova de que as belas artes estão sempre interligadas! Até a próxima, e que a força esteja com vocês!

Links de outro texto que fiz sobre arte e música neste blog:
http://blogdaanima.blogspot.com.br/2013/09/desenho-e-musica-artes-interligadas.html

O site do Ayreon é: www.arjenlucassen.com

Professor Emerson Leandro Penerari

quarta-feira, 17 de junho de 2015

10 mandamentos do Professor

Hoje compartilhamos aqui no Blog da Ânima o texto "DEZ MANDAMENTOS DO PROFESSOR", do Prof. Leandro Karnal. O texto trata e questiona a postura e alguns posicionamentos do professor em sala de aula. Vale a pena conferir!

DEZ MANDAMENTOS DO PROFESSOR

A sabedoria do mais influente legislador do Ocidente, Moisés, sintetizou uma concepção de mundo em Dez Mandamentos. Como bom educador, o ex-príncipe do Egito sabia que longos códigos são de difícil acesso. Curioso notar que constituições muito breves, como a norte-americana, passam dos dois séculos e constituições prolixas, como todas as brasileiras , caducam em prazos muito curtos.


Inspirados neste exemplo, elaboramos os Dez Mandamentos do Professor. Estes dez mandamentos são fruto de uma experiência particular e não se pretendem eternos ou válidos em qualquer ocasião. Gostaria apenas de fornecer a colegas, como você leitor, uma reflexão particular, que possa ser aprofundada, reinterpretada ou rejeitada de acordo com a sua experiência.


O que me levou a pensar nestes princípios é a mesma angústia que assola qualquer educador: como ser um bom profissional, ensinar, transformar meu aluno e fazer parte desta transformação? Como superar o tédio dos meus alunos, a indisciplina, a irrelevância de algumas coisas que faço e meu próprio cansaço? Como não considerar a sala um fardo e o relógio um inimigo? Como parar de achar que só vivo a partir do fim-de-semana? A partir destes questionamentos, você está permanentemente convidado a adensar ou criticar, fazer seus outros dez ou sintetizar a dois ou três, pois, quem acha que pode melhorar a aula que dá , já começou a viver educação. E quem não acha que pode? Bem, deixa para lá! Ensinar não é a única profissão do mundo…

PRIMEIRO MANDAMENTO: CORTAR O PROGRAMA!

Quase todas as disciplinas foram perdendo aulas ao longo das décadas anteriores. Não obstante, os programas nem sempre acompanharam estes cortes. Pergunte-se: isto é realmente importante? Este conteúdo é essencial? Não seria melhor aprofundar mais tais tópicos e menos outros? Se a justificativa é a pressão do vestibular, ela não pode ocupar 11 anos de Ensino Médio e Fundamental. Se a justificativa é uma regra da escola ou um coordenador obsessivo, lembre-se: o Diário de Classe sempre foi o documento por excelência do estelionato. A coragem da grande tesoura é essencial. Dar tudo equivale a dar nada. Ensinar a pensar não implica esgotar o conhecimento humano.

SEGUNDO MANDAMENTO: SEMPRE PARTIR DO ALUNO!

Chega de lamentar o aluno que não temos! Chega de lamentar que eles não lêem, a partir de uma nebulosa memória do aluno perfeito que teríamos sido (nebulosa e duvidosa). Este é o meu aluno real. Se, para ele, Paulo Coelho é superior a Machado de Assis e baile Funk é superior a Mozart, eu preciso saber desta realidade para transformá-la. Se ele é analfabeto devo começar a alfabetizá-lo. Se ele está no Ensino Médio e ainda não domina soma de frações de denominadores diferentes devo estar atento: esta é minha realidade. A partir do zero eu posso sonhar com o cinco ou seis. A partir do imaginário da perfeição é difícil produzir algo. A Utopia, desde Platão e Thomas Morus, tem a finalidade de transformar o real, nunca de impossibilitá-lo.

TERCEIRO MANDAMENTO: PERDER O FETICHE DO TEXTO!

Em todas as áreas, em especial nas humanas, os alunos são instigados quase que exclusivamente ao texto. Num mundo imerso na imagem e dominado por sons e cores, tornamos o texto central na sala de aula. Devemos estar atentos ao uso de imagens, música, sensorialidades variadas. O texto é muito importante, nunca deve ser abandonado. Porém, se o objetivo é fazer pensar, o texto é apenas um instrumento deste objetivo maior. Há pessoas que pensam e nunca leram Camões e há quem saiba Os Lusíadas de cor e não pense…Lembre-se de que há outros instrumentos. A sedução das imagens deve ser uma alavanca a nosso favor, nunca contra. Usar filmes, propagandas, caricaturas, desenhos, mapas: tudo pode servir ao único grande objetivo da escola: ajudar a ler o mundo, não apenas a ler letras.

QUARTO MANDAMENTO: POSSIBILITAR O CAOS CRIATIVO.

Fomos educados a um ideal de ordem com carteiras emparelhadas e, mesmo no fundo do nosso inconsciente, este ideal persiste. Qual professor já não teve o pesadelo de perder o controle total de uma sala, especialmente na noite mal dormida que antecede o primeiro dia de aula? Devemos estar preparados para o caos criador e para o lúdico. Alunos andando pela sala, trocando fragmentos de textos ou imagens dados pelo professor, discussões, encenações, o professor recitando uma poesia ou mandando realizar um desenho: tudo pode ser canal deste lúdico que detona o caos criativo. Surpreenda seus alunos com uma encenação, com um silêncio, com um grito, com uma máscara. Uma sala pode estar em ordem e ninguém aprendendo e pode estar com muitas vozes e criando ambiente de aprendizado. Lembre-se o silêncio absoluto é mais importante para nós do que para os alunos. É difícil vencer a resistência dos colegas e da própria escola a isto. Lógico que o silêncio também deve ser um espaço de reflexão, mas é possível pensar que há valor num solo gentil de flauta, numa pausa ou num toque retumbante de 200 instrumentos.

QUINTO MANDAMENTO: INTERDISCIPLINAR!

Assim mesmo, entendido o princípio como um verbo, como uma ação deliberada. É fundamental fazer trabalhos com todas as áreas. Elaborar temas transversais como o MEC pede e, ao mesmo tempo, libertar o aluno da idéia didática das gavetas de conhecimento. Não apenas áreas afins (como História e Geografia) mas também Literatura e Educação Física, Matemática e Artes, Química e Filosofia. É preciso restaurar o sentido original de conhecimento, que nasceu único e foi sendo fragmentado até perder a noção de todo. O profissional do futuro é muito mais holístico do que nós temos sido até hoje.

SEXTO MANDAMENTO: PROBLEMATIZAR O CONHECIMENTO.

Oferecer ao aluno o cerne da ciência e da arte: o problema. Não o problema artificial clássico na área de exatas, mas os problemas que geraram a inquietude que produziu este mesmo conhecimento A chama que vivou os cientistas e artistas é transmitida como um monumento inerte e petrificado. Mostrem as incoerências, as dúvidas, as questões estruturais de cada matéria. Mostrem textos opostos, visões distintas, críticas de um autor ao outro. Nunca fazer um trabalho como: “O Feudalismo” ou “O Relevo do Amapá”; mas problemas para serem resolvidos. Todo animal (e, por extensão, o aluno) é curioso. Porém, é difícil ser curioso com o que está pronto. Sejamos francos: se é tedioso ler um trabalho destes, qual terá sido o tédio em fazê-lo?

SÉTIMO MANDAMENTO: VARIAR AVALIAÇÕES.

Provas escritas são válidas, como a vitamina A é válida para o corpo humano. Porém, avaliações variadas ampliam a chance de explorar outros tipos de inteligência na sala. As outras avaliações não devem ser vistas como um trabalhinho para dar nota e ajudar na prova, mas como um processo orgânico de diminuir um pouco a eterna subjetividade da avaliação.

OITAVO MANDAMENTO: USAR O MUNDO NA SALA DE AULA!

O mundo está permeado pela televisão, pela Internet, pelos jornais, pelas revistas, pelas músicas de sucesso. A escola e a sala de aula precisam dialogar com este mundo. Os alunos em geral não gostam do espaço da sala porque ele tem muito de artificial, de deslocado, de fora do seu interesse. Usar o mundo da comunicação contemporânea não significa repetir o mundo da comunicação contemporânea; mas estabelecer um gancho com a percepção do meu aluno.

NONO MANDAMENTO: ANALISAR-SE PESSOALMENTE!

A primeira pessoa que deve responder aos questionamentos da educação é o professor. Somos nós que devemos saber qual o motivo de dar tal coisa, qual a relevância, qual a utilidade de tal leitura. O professor é o primeiro que deve saber como tal ciência transformou a sua vida. Isto implica fazer toda espécie de questão, mesmo as incômodas. Se eu não fico lendo tal autor por prazer e nem o levo aos meus passeios como posso exigir que um jovem ou uma criança o façam? Qual a coerência do meu trabalho? Minha irritação com a turma indisciplinada é uma espécie de raiva por saber que eles estão certos? Minha formação permanente me indica novos caminhos? Estou repetindo fórmulas que deram certo quando eu era aluno há 20 ou mais anos? É necessário um exercício analítico-crítico muito denso para que eu enfrente o mais duro olhar do planeta: o do meu aluno.

DÉCIMO MANDAMENTO: SER PACIENTE!

Hoje eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como dizia Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a estas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isto (típica frase de sala de aula…) . Sem estas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devamos oferecer menos ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece nem quer esta paciência este é o que necessita urgentemente dela. O doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira.


Há alguns anos eu falava de alguns destes princípios e uma senhora redargüiu dizendo que ela fazia tudo isto e muito mais e, mesmo assim, os alunos estavam cada vez piores e com menos resultados. Olhei para esta professora e senti nela o reflexo de meus cansaços também. A única coisa que me ocorreu lembrar é uma alegoria, com a qual encerro este texto:

Na nossa cultura há um modelo de professor: Jesus. A maioria absoluta das pessoas no Brasil é cristã, mas a alegoria serve também para os que não são. Tomemos a história de Jesus independente da nossa orientação religiosa. Comparemos: Jesus teve 12 alunos escolhidos por ele! Eu tenho 30, 60, 100, escolhidos por um rigoroso processo de seleção: inscreveu, pagou, entrou. Jesus teve alunos em tempo integral por três anos: eu tenho por duas ou quatro aulas semanais, por um período mais curto. Os alunos de Jesus deixaram tudo para segui-lo, o meu não deixa quase nada e não quer acompanhar nem meu pensamento, quanto mais minhas propostas existenciais. Fiel aos novo ditames do MEC, Jesus deu um curso superior em três anos. Para quem acredita, Ele fazia milagres, coisa que nós certamente não fazemos naquele sentido. A aula, de Jesus, assim, era reforçada por work-shops. A auto estima e a confiança de Jesus era enorme: o cara simplesmente dizia que era o Filho de Deus, que ressuscitava mortos, andava sobre as águas, passava quarenta dias sem comer e não tinha medo de ninguém. Eu não tenho esta convicção. Melhor: as aulas eram ao ar livre, sem coordenação, sem direção, sem colegas e os pais dos alunos não apareciam para reclamar! Bem, após 3 anos de curso intenso com todos estes reforços, chegou a prova final. Na agonia do Horto os três melhores alunos dormiram, quando o Mestre estava chorando sangue. O tesoureiro da turma denunciou o professor à Delegacia de Educação por 30 moedas. O líder da classe, Pedro, negou que tivesse tido aula por três vezes diante da supervisora de ensino: nunca vi este cara antes… Outros nove fugiram sem dar notícia e não compareceram à prova final: o Calvário. O mais novo e bobinho, João, foi até lá, mas não fez nada para impedir que os guardas matassem o professor. Se considerarmos João , com boa vontade, o único aprovado, teremos uma média de êxito de 8.33%, baixa demais para os padrões das Delegacias de Ensino e alvo de demissão sumária por justa causa. O professor morreu e, para quem acredita, voltou para uma recuperação de férias. Reuniu os reprovados e disse: mais uma chance. Um dos alunos , Tomé, pediu para colocar o dedo no diploma do professor para ver se era de verdade. Primeira pergunta do líder da turma, Pedro: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?” Ou seja, o melhor aluno não aprendeu nada! Esta pergunta mostra o oposto da aula dada, pois ele achou que o curso tinha sido sobre política e, na verdade, tinha sido sobre Teologia… Objetivos não atingidos: 100% ! Novos milagres, mais 40 dias defeedback, apostilas, recuperação, reforço de férias. Final de curso pirotécnico: subiu ao céu entre nuvens e anjos assistentes-pedagógicos disseram que o mestre tinha ido para a sala dos professores eterna e não mais voltaria. O curso estava encerrado, todas as lições tinham sido dadas para aquela nata de 11 homens. O que eles fizeram? Foram se esconder numa casa, todos apavorados. O mestre mandou um módulo auto-instrucional de reforço, o Espírito Santo, um anabolizante. Só então, com uma força externa, eles começaram a entender, e finalmente tiveram aquela famosa reação bovina: HUMMMM…
Bem, eu disse à professora que me questionava: se Jesus teve tantos insucessos apesar de condições tão boas, a senhora quer ser mais do que Ele? Hoje eu diria para qualquer profissional: faça o máximo, mas apenas o máximo, e deixem o resto por conta do resto. A frase parece autista, mas é muito importante. Nós temos um limite: a vontade do aluno, da instituição e da sociedade como um todo. Não transformamos nada sozinhos, mas transformamos. O primeiro passo é a vontade. O segundo começa daqui a pouco, naquela sala difícil, com aquela turma sentada no fundo e naqueles angustiantes dez minutos que você vai levar para conseguir fazer a chamada… Vamos lá?

terça-feira, 9 de junho de 2015

10 dicas para o Pensamento Eficaz

Oi, gente! Hoje tem dica aqui no blog! São dicas de desenho pra você mesmo, quando precisa ter uma ideia mais clara daquilo que quer desenhar e finalizar.

Então vamos lá, se você encontra dificuldades em colocar uma ideia no papel, o melhor jeito de fazer isso é esboçar, esboçar e esboçar. Mas como fazer isso de modo que realmente funcione? Tenho 10 dicas pra você conseguir um esboço efetivo e que vai te ajudar a conseguir o que quer!

1º. Encontre diferentes modos de expressar a mesma ideia. Não fique com a certeza de que a primeira ideia que te ocorreu é a melhor.

2º. Rabisque: manter o lápis em movimento faz com que você esboce o que tem em mente.

Fonte: http://www.carolroth.com/wp-content/uploads/2012/11/Sketching.jpg
3º. Tente diferentes técnicas. Se você estiver empacado tente trocar do lápis para o giz ou caneta pra ver se isso ajuda você a remoçar seu "brainstorming".

4º. Desenhe as coisas de jeitos diferentes a que está acostumado. Tendemos a desenhar de maneira parecida, quebrando padrões e hábitos é possível encontrar saídas diferentes.

Fonte: http://www.penguin.co.nz/extras/33/9781405341233/lookinside/2.jpg
5º. Peça a opinião de outra pessoa. E nem precisa ser alguém expert ou profissional. As vezes a visão de  alguém "de fora" ajuda a ver as coisas de outro ângulo.

6º. Inspire-se em fontes antigas. Dê uma olhada em seus sketchs e trabalhos antigos e até projetos abandonados. Eles podem servir de inspiração!

Fonte: http://www.eng.utah.edu/~cs6710/Sketchbooks/images/web/sketchyb.jpg
7º. Pense no esboço como uma coisa viva e crie "situações" diferentes em que ele se encaixe.

8º. Pense grande. Tenha o todo da coisa em mente, sem se ater às pequenas partes. Isso ajuda a definir o todo e depois você pode resolver detalhes mais facilmente, de acordo com o todo.

Fonte: https://www.facebook.com/picolokun
9º. Também funciona o oposto: pense nos detalhes. Às vezes, se o todo está complicado, pensar nos detalhes abre caminhos para você chegar no todo.

10º. Tente tanto esboços abstratos quanto representativos. O ato de simplificar o assunto em componentes básicos e peças que se encaixam faz com que você veja sistemas em padrões.

Fonte: http://www.leuchtturm-1917.de/sites/default/files/bilder769x492/Hauptbild_SB.jpg
Este texto foi baseado no livro "Drawing Ideas" de Mark Baskinger e William Bardel, numa livre tradução.

E é isso aí, pessoal! O negócio é rabiscar e tentar usar estas dicas pra desenvolver ainda mais suas ideias. Espero que tenham gostado!

Prof.ª Gisela Pizzatto.

*As idéias e opiniões expostas nos artigos, textos e comentários são de responsabilidade dos autores, não refletindo, necessariamente, a opinião ou posição da Ânima Academia de Arte.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Dédi, o desenhista em "Caçador D"


Curso de Fotografia - NOVAS TURMAS E HORÁRIOS


O curso de Fotografia tem o objetivo de capacitar o aluno, por meio de uma visão abrangente e integrada à utilização de métodos e técnicas básicas na obtenção e processamento de imagem, dando recursos para que o aluno possa usar a Fotografia como meio de expressão artística e até comercial.

Sua duração é de 2 meses (32 horas). A partir dos 14 anos. O atendimento é semi-individualizado, ou seja, o professor dará uma aula “individual” para cada aluno da sala, de acordo com o nível que ele está, levando em conta suas dificuldades e facilidades. Desta forma o aprendizado é completo e focado, o que, consequentemente, gera maiores resultados.      

Não é preciso ter experiência e não é necessário trazer câmera.

 Horários:
• Segunda e Quarta-feira – das 18h às 21h;  
• Terça e Quinta-feira – das16h às 18h;
• Sábado – das 10:30h às 12:30h.

*Para o horário dos sábados, a duração do curso muda para 4 meses.