quarta-feira, 24 de junho de 2015

Ayreon: Arte, Rock Progressivo e Ficção Científica!

Saudações, amantes da Arte! Hoje falarei um pouco sobre três das minhas paixões, citadas no título acima. Já postei anteriormente uma matéria sobre a ligação das artes visuais e da música, o link para esse texto vocês encontram no final dessa matéria.


Arjen Anthony Lucassen. Fonte: http://theageofmetal.com/wp-content/uploads/2013/10/635149518647745146.jpg

Passei essa semana ouvindo a obra do multi-instrumentista holandês Arjen Anthony Lucassen. Sua genialidade é impressionante, tanto na composição de suas obras como na parte lírica e no visual dedicado a cada uma de suas obras. Tentar explicar o que é o Ayreon vai ser um tanto complicado, mas vou me ater aos elementos principais: a música, a temática e a arte gráfica.

A Música:

O estilo musical adotado por Arjen é o Rock Progressivo influenciado por bandas como Pink Floyd, Genesis, Yes, King Crimson, Emerson, Lake & Palmer, Focus e Jethro Tull, aliado ao Hard Rock e Heavy Metal de bandas como Deep Purple, Rush e Iron Maiden, com alguma pitada de música folclórica européia e muitas citações às operas-rock como Jesus Christ Superstar e Tommy (do The Who).

Apesar de ter tocado em bandas de rock quando jovem, Arjen sempre teve uma mente muito criativa. Quando lançou o primeiro disco sob o nome Ayreon, gravou quase tudo sozinho (vocais, guitarras, teclados e contrabaixo), com participações de amigos, que aos poucos se tornou um apanhado de artistas renomados que trouxeram mais fama ao trabalho e disputas concorridas para participações. Nomes como Fish (ex-Marillion), Sharon Den Adel (Within Temptation), Bruce Dickinson (Iron Maiden), Timo Kotipelto (Stratovarius) e Anneke Von Giersberen (Ex-The Gathering) deram um salto de qualidade às composições, fazendo que, nos álbuns mais recentes gente do calibre de James LaBrie (Dream Theater, Jorn Lande (ex-Masterplan, Avantasia), o saudoso Steve Lee (Gotthard), John Wetton (Asia) e Cristina Scabbia (Lacuna Coil) preenchessem os papéis de seus personagens de forma magnífica!


Arjen e Anneke Von Giersberen. Fonte: http://i.ytimg.com/vi/Mz7oozmm5EI/maxresdefault.jpg


Cristina e Arjen gravando. Fonte: http://i.ytimg.com/vi/DK8d3PURCg0/maxresdefault.jpg

A Temática:

A história dos oito discos lançados por Arjen sob a alcunha Ayreon já seria motivo para várias páginas. Como é de se esperar, cada CD narra uma história, e aos poucos elas vão criando pontos em comum com as demais e formando um grande épico de ficção científica que passa por diversos elementos admirados pelos fãs de Cultura Pop: fantasia medieval, futuro apocalíptico, Space-Opera, segredos da mente humana, extraterrestres, viagem no tempo.

De forma bem resumida, tentarei esmiuçar o tema principal de cada CD, mas quem se aventurar por ler as letras e prólogos nos encartes irá se deparar com um cenário tão profundo quanto qualquer clássico de fantasia e ficção científica. As capas postadas aqui são as que não foram produzidas pelo artista Jef Bertels. Incluirei as feitas por ele mais abaixo.


The Final Experiment (1995)
Basicamente, Ayreon é o nome de um menestrel cego do século VI AD. Ele recebe visões de um futuro caótico em 2084 AD, onde a humanidade está no limite da destruição da espécie e do planeta. Nessa época, cientistas aprenderam a enviar mensagens no tempo por telepatia, e sua única esperança é tentar alertar pessoas no passado para que o destino trágico do planeta seja evitado. Ayreon acredita que foi abençoado pelos Senhores do Tempo, e chega até a corte do Rei Arthur para alertá-lo de suas visões. Merlin desacredita e o amaldiçoa, mas depois se arrepende e prevê que no século XX outro menestrel será desperto.



Actual Fantasy (1996)
Nesse disco Arjen trabalhou com diferentes temas em cada uma das faixas, inspirado por livros como O Nome da Rosa (Umberto Eco) e A História sem Fim (Michael Ende).

Into the Electric Castle (1998)
Este disco retoma a saga e conta a história de oito personagens de épocas diferentes que foram selecionados e transportados a um lugar fora do tempo e espaço e precisam encontrar e adentrar o  "Castelo Elétrico".  Cavaleiro, egípcia, hippie, homem do futuro, cada um acha que o lugar é um local de sua crença e busca pessoal. Aos poucos alguns morrem, outros desistem, até que cinco dos escolhidos adentram os dois Portões, um de ouro e outro velho e enferrujado. O Bárbaro adentra o portão de ouro e é morto, e os demais adentram o portão enferrujado e sobrevivem. A entidade que fala com os escolhidos se auto-intitula um "Eterno das Estrelas" (Forever of the Stars), membro de uma raça muito antiga que perdeu as emoções há muito tempo e povoou a Terra na esperança de retomar esses sentimentos). Ele explica como a vida humana foi um experimento para se entender melhor as emoções. Cada um dos sobreviventes voltam aos seus tempos com uma nova experiência.

Universal Migrator Part 1: The Dream Sequencer (2000)
Em 2084, a humanidade se recupera de uma guerra mundial que destruiu quase toda a vida na Terra. Alguns colonos foram morar em Marte, mas os suprimentos ficaram escassos e apenas um ser humano sobrevive. ele é o último humano vivo. Em Marte havia uma máquina hipnótica chamada "Sequenciador de Sonhos" que permitia aos colonos viajarem à sua infância ou a vidas passadas. Ao examinar seu passado, o último humano descobre que foi anteriormente o menestrel cego Ayreon e também antes disso, o primeiro humano na Terra.



Universal Migrator Part 2: Flight of the Migrator (2000)
Na continuação do álbum anterior, o último homem vivo em Marte viaja por meio do Sequenciador de Sonhos até um passado mais profundo, antes do Big Bang, e vê a criação do "Migrante Universal, a primeira alma com sentimentos. O Migrante se divide em milhões de almas e cada uma delas sai em busca de um planeta para habitar e gerar outros seres. Quando o colono resolve acompanhar a alma direcionada à Terra, o Sequenciador de Sonhos se sobrecarrega e o colono morre na máquina. Ele então se torna o novo Migrante.

The Human Equation (2004)
Apesar de parecer uma história bem mais realista, o final tem uma ligação com os Eternos das Estrelas. Um homem sofre um acidente de carro e fica em coma por 20 dias no hospital (cada dia é uma música). Seu melhor amigo e sua esposa ficam ao seu lado o tempo todo, e suas emoções (medo, razão, amor, paixão, agonia e raiva) falam com ele para que se lembre das decisões que tomou em sua vida. Seu pai aparece para humilhá-lo, e aos poucos o homem encontra o caminho fora de sua prisão mental, com ótimas revelações sobre o seu passado e o que viu antes do acidente. No final, um dos Eternos das Estrelas diz: "Emoções... eu me lembro", mostrando que toda a história foi uma simulação do Sequenciador de Sonhos.

Trailer do lançamento do CD: https://www.youtube.com/watch?v=6u09ShuRP9A

01011001 (2008)
Esse número é a representação binária do número 89, que é o código ASCII da letra "Y". A história se passa no Planeta Y, onde vivem os Eternos das Estrelas, citados nos álbuns anteriores. Na história, os Eternos esqueceram suas emoções há eras e se tornaram dependentes das máquinas. Para recuperar as emoções eles enviam seu DNA à terra em um cometa, que, ao colidir com o planeta, extingue os dinossauros. A raça humana surge e, manipulada pelos Eternos, desenvolvem mais rápido o lado físico e mental, deixando o lado moral sem tanta evolução, o que causará sua extinção em 2084. Tentando ajudar eles alteram a linha do tempo e com sua tecnologia ajudam na criação do Experimento de Telepatia Temporal (sim, aquela que alerta o menestrel Ayreon no primeiro disco). O experimento fracassa e os Eternos partem levando consigo o Migrante, último humano vivo.


The Theory of Everything (2013)
O mais recente álbum lançado também parte para um conceito mais realista, já que o disco anterior fechou a história dos Eternos das Estrelas. "A Teoria de Tudo"possui 42 faixas em homenagem ao livro "O Guia do Mochileiro das Galáxias", de Douglas Adams, e conta a história de "Prodígio" um garoto muito inteligente e brilhante, que impressiona seu professor e traz inveja a um aluno rival tanto na genialidade quanto na paixão pela mesma garota. O pai de Prodígio está desenvolvendo a "Teoria de Tudo" e não dá atenção ao filho, ao passo que sua mãe se preocupa e o leva a um psiquiatra, que decide ajudar o gênio a se adaptar ao mundo, usando-o como cobaia para testar uma nova droga que criou. A conclusão da história é intrigante e cheia de considerações morais, éticas e emocionais.

A Arte:










Ah, claro, se você está acostumado a ler as postagens no Blog da Ânima, sabe que mais cedo ou mais tarde falaria do visual. E o visual das capas e encartes do Ayreon é fenomenal! A partir de Into The Electric Castle, Arjen tinha mais recursos para convidar os músicos e investir na parte gráfica. Com ajuda do ilustrador belga Jef Bertels, que pinta grandes painéis usando tinta a óleo, que impressionam pelas cores vivas e intensidade de detalhes. Abaixo vocês conferem as capas de Jef em ordem cronológica. em sua opinião quais delas são as mais legais?












Falando de forma mais pessoal, Into The Eletric Castle é um disco que prezo muito, pois foi por causa dele que cheguei a conhecer o Ayreon. A gravadora brasileira que o lançou em 1999 lançou antes uma coletânea com faixas de seus lançamentos (Hellion Collection vol. II) e nela havia a faixa Isis and Osiris, com Fish e Sharon Den Adel. Foi paixão à primeira escutada. Logo fui atrás do álbum completo (um CD duplo com visual fenomenal) e a partir daí não parei mais de acompanhar a banda.

O site do artista das capas é www.jefbertels.br . Aproveitem para conhecer mais de suas magníficas obras.







Outros projetos:

Como a mente visionária de Lucassen nunca descansa, o Ayreon acabou se tornando pequeno para tantas idéias. Dois de seus projetos mais interessantes são o Ambeon (de 2001) e o Star One. O primeiro traz releituras de algumas faixas instrumentais do Ayreon cantados e com letras reescritas por Astrid Van Der Veen na época com apenas 14 anos. Uma fofura de se ver e ouvir!



O Star One, lançado em 2003, é mais parecido com o Ayreon, são músicas mais voltadas para o Heavy Metal, com vários vocalistas e um time impecável de instrumentistas homenageando em cada música um filme ou uma série sci-fi das quais Arjen se declara fã. Então no primeiro CD (Space Metal, que culminou na apresentação de Arjen aos palcos em anos) temos homenagens a Alien, 2001, Gate 7, Stargate, Star Trek, e no segundo (Victims of the Modern Age) os temas são mais distópicos, inspirados em Matrix, Laranja Mecânica, Planeta dos Macacos, Fuga de Nova York, Blade Runner, 1984. O destaque vai também para os convidados: Damien Wilson (At Vance), Russell Allen (Symphony X, em interpretações espetaculares), Floor Jansen (ex-After Forever, Nightwish), entre outros.

Show do Star One: https://www.youtube.com/watch?v=7QOlb-MYLpI



Espero ter despertado em vocês o interesse em conhecer um pouco mais a obra de Arjen A. Lucassen. Mais uma prova de que as belas artes estão sempre interligadas! Até a próxima, e que a força esteja com vocês!

Links de outro texto que fiz sobre arte e música neste blog:
http://blogdaanima.blogspot.com.br/2013/09/desenho-e-musica-artes-interligadas.html

O site do Ayreon é: www.arjenlucassen.com

Professor Emerson Leandro Penerari

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