quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Canetas-Nanquim - Uma Comparação das Marcas

E aí, amantes da Arte, beleza? Hoje vou postar um texto muito legal analisando as marcas de Canetas-Nanquim (chamadas na matéria de Fine-Liners) à venda por aí. Como hoje em dia é muito comum desenhistas, arte-finalistas, arquitetos, mangakás e profissionais dos quadrinhos usarem esse recurso mais prático e limpo, é bom que conheçam os diferentes tipos e marcas que podem ser encontrados, experimentá-los e decidir quais combinam mais com seu estilo! Vamos lá?

Texto muito interessante e informativo retirado do seguinte site: http://www.parkablogs.com/picture/fine-liner-pen-shootout-%E2%80%93-comparison-of-fine-liner-pens-market

Quem é esse cara?
Eu acho que vou ter de me apresentar primeiro. Meu nome é Jerry Teo, e sou um ilustrador freelance técnico / científico, moro nos arredores de Cingapura e sou amigo do pessoal do site Parkablogs. Você pode encontrar mais do meu trabalho (www.teo-ology.com). Eu produzo um quadrinho para a internet semanal chamado Rex Regrets que pode ser mais familiar para alguns. Na maioria das vezes, esboço com canetas fine-liner sem lápis, porque sou preguiçoso. Então o site Parkablogs me pediu para fazer um comentário sobre as marcas disponíveis hoje. Dito isso, vamos lá!

O que são Canetas Fine-liner?
São canetas de feltro ou  fibra de plástico rígido que normalmente são descartáveis, existe uma variedade de larguras (as pontas mais comuns são entre 0.05 e 0.8 mm) e são geralmente utilizados para o desenho e esboço. Elas também são conhecidas como canetas técnicas. São relativamente modernas, um desdobramento das canetas técnicas mais "tradicionais" da marca Isograph. Antes das canetas fine-liner havia poucas opções para canetas de largura da ponta menor do que 0,5 mm. Hoje, praticamente todas as grandes (e menores) fabricantes de materiais artísticos e de papelaria com uma certa quantidade de material para escolha têm sua própria gama de canetas Fine-liner. Esta matéria tem como objetivo lançar alguma visão sobre alguns dos tipos disponíveis no mercado.



Na maioria das vezes, canetas fine-liner vêm à mente quando um artista quer esboçar com nanquim. Claro que um artista que usa nanquim com mais frequência terá um gosto mais refinado, por isso escolhi essa ordem de avaliação. No entanto canetas de vários fabricantes, por vezes, também dispõem de tintas coloridas, por isso há uma certa gama de possibilidades que estão disponíveis com estes produtos.

Para que mais essas canetas podem ser usadas?
Além de esboçar e desenhar, Fine-liners são uma boa alternativa para as canetas técnicas mais caras usadas para projetos de trabalho mais detalhados. No entanto, o pigmento da tinta pode não ser tão rico como o das tintas de canetas técnicas recarregáveis (como as Desegraph e Staedtler). As canetas descartáveis também podem ser usadas para escrever e são bastante agradáveis ​​para isso. Mas elas não são tão econômicas quando usadas como uma caneta de escrita - não são, obviamente, muito mais acessíveis como as esferográficas e canetas-gel. Fine-liners também não exigem muita pressão sobre papel, então não são recomendadas para escrever sobre folhas de cópia carbono.

Pontos Fortes e Fracos.
Estas canetas são relativamente acessíveis, descartáveis, leves e livres de manutenção. Os custos iniciais para um conjunto de canetas bate os conjuntos de canetas técnicas e torna a mudança de materiais mais atraente. Elas não entopem e você pode jogá-las fora se secar. Novas marcas de caneta possuem alguns problemas de fluxo de tinta e eles ótimas para usar em um papel mais liso. Na maioria das vezes as tintas pigmentadas são à prova d'água (até certo ponto) e funcionam bem com marca-textos, aquarela ou marcadores. As tintas são de secagem rápida para evitar manchas acidentais.

No lado negativo, fine-liners tipicamente têm uma fibra, feltro ou ponta de plástico que se desgastam com o tempo. Se usado em uma superfície de papel com maior gramatura, as canetas de menor diâmetro podem desgastar antes da tinta acabar. Fine-liners também precisam ser bem fechadas para não ressecarem. Várias marcas afirmam ter um longo "cap-off" período onde você pode trabalhar com todas as canetas destampadas por mais de 12 horas, mas isso é só marketing. Algumas marcas orientam para se usar as canetas em pé, formando um ângulo de 90°, a fim de evitar problemas de fluxo de tinta.

O fato de ser descartável também pode ser prejudicial para esse tipo de canetas. A longo prazo, o custo total de comprar e descartar estas canetas pode acabar sendo maior do que canetas técnicas recarregáveis ou uma caneta-tinteiro. Quem usa bastante, como eu, muitas vezes acabam por ter pilhas de tubos de plástico espalhados após o término da tinta. Seja consciente: praticar bons hábitos de reciclagem deve aliviar alguns problemas que estas canetas trazem para o meio ambiente.

Canetas Avaliadas
Rotring TIKky
Shachihata Artline
Sakura Pigma Micron
Kuretake ZIG Millennium
Kuretake ZIG Mangaka
Faber Castell ECCO Pigment
Shinhan Touch Liner
Pilot Pen DR Drawing
Uchida Marvy For Drawing
Staedler Pigment Liner
Mitsubishi Uni PIN
Copic Multiliner

Método de avaliação
O teste não é completamente científico, apesar de eu tentar conseguir alguma consistência nos testes pelos quais passei as canetas. A maioria dos testes foram feitos em papel A4 100g para impressão. Esta folha replica as condições mais comuns que eu trabalho - papel barato para que eu possa esboçar muito. As canetas também foram testadas brevemente em papel Strathmore Bristol (270g liso), Fabriano Tecnico (240 g) e Clairfontaine Fine Grain Drawing Paper (224 g).

As canetas passaram por hachura, hachura cruzada, pontilhado, linhas encaracoladas (há um monte de nomes para isso) e camadas sobre camadas para testar seu efeito sobre papel A4 para impressão. Não é um teste de estresse, mas ele me permitiu compreender se existem limites para o quanto eu posso fazer em uma pequena superfície antes de passar para um esboço completo.

Duração de revisão
A revisão é focada no uso de curto prazo das canetas, ou seja, o uso imediato após a compra. Todas as canetas usadas eram novas. Talvez eu atualize a revisão com a forma como a tinta resiste a exposição a elementos (principalmente o sol) ou de armazenamento. 6 de 12 tipos de caneta eu nunca havia usado e eu não tenho quaisquer dados a longo prazo sobre eles.

Viés Reconhecido
Antes de passar para cada marca, devo confessar que eu usei muitas destas marcas ao longo dos anos e minha preferência é na Mitsubishi Uni PIN. Eu também tive resultados muito bons com Staedler Pigment Liner, bem como Micron Sakura. Com isso, vamos seguir em frente com a revisão.

Aviso
Estas opiniões são minhas e elas foram formadas ao longo de anos de trabalho com estas canetas fazendo o tipo de trabalho que faço. Elas são baseadas nas minhas experiências pessoais, necessidades e expectativas. Se você trabalha muito com estas 12 marcas na avaliação e estão à procura de um substituto ou uma alternativa caso sua caneta seque, gostaria de sugerir testá-las em seu próprio país e não simplesmente confiar em meus pontos de vista. Se você é novo para usar fine-liners, espero que este artigo possa ajudá-lo sobre as opções que você tem nas lojas.

Símbolos utilizados em comentários
"+" É um ponto positivo que eu sinto ser aplicável à maioria dos usuários
"-" É um ponto negativo
"+/-" É uma escolha que podem ou não podem afetar a experiência do usuário dependendo das preferências individuais

Rotring Tikky








Rotring tem sido um pilar em canetas técnicas e você pode encontrar a versão recarregável. O Rotring TIKky, contudo, é algo diferente. O TIKky funciona melhor no papel liso designado para o trabalho de tinta. Ele se destaca em papel de fotocopiadora genérico. As tintas correm muito bem, embora possa demorar mais um pouco para secar no papel em comparação com as marcas menos generosas. Portanto, mantenha suas mãos fora do papel ou esteja preparado para lidar com manchas.

+ Construção robusta, parece sólido na mão
+ Tinta boa, rico tom de preto
+ Janela transparente grande para indicar a tinta restante
+ Extremidade frontal cônica na ponta antes extensão metálica
+ Não borra com marcadores do tipo Copic após a secagem
+/- Fluxo de tinta rápido e suave, mas a tinta vaza em certos tipos de papel
- O fluxo de tinta rápida deixa a linha mais espessa em comparação com outras marcas do mesmo diâmetro
- A tinta demora um pouco mais para secar no papel
- Tinta atravessa papéis de gramaturas inferiores a 100g / m
- Custos de até duas vezes mais do que a maioria das marcas de canetas Fine-liner

Shachihata Artline Drawing System




A série de canetas Artline possui um visual pouco chamativo. A única diferença está na empunhadura, onde tem ranhuras concêntricas que executam o diâmetro do corpo da caneta. A série Artline caia na faixa de preço mais popular, por isso é muito competitivo em termos de preço e qualidade. Ela tem um bom desempenho em todos os papéis que estão sendo utilizados nesta revisão e ... não há realmente nada a reclamar sobre esta caneta!

+ Fica firme na mão
+ A tinta desliza muito bem em todos os tipos de papel
+ Rico tom de preto em diâmetros maiores
+/- Sulcos concêntricos ao redor de seu corpo contribui com a aderência, mas podem não ser preferido por todos
- A tinta não parece solidamente negra o suficiente no menor diâmetro
- O clipe pode escorregar facilmente da tampa


Esta foi uma das minhas favoritas por muitos anos. Em um certo ponto eu tive alguma dificuldade em comprá-las e passei a usar outras marcas. Elas ainda são realmente boas em minha opinião e de muitos colegas ilustradores, caso eu os peça para votarem em uma marca.

+ Tinta Suave
+ Preto parece muito escuro mesmo em diâmetros menores
+ Seca rápido
- Oscilações de fibra em algumas canetas
- O clipe pode deslizar da tampa da caneta
- A  indicação do diâmetro na tampa da caneta desgasta facilmente, impedindo a rápida identificação do tamanho da ponta

Kuretake ZIG Millennium & ZIG Mangaka





Eu usei o Zig Millennium anteriormente e gostei de como desliza suavemente sobre as superfícies de papel que eu uso normalmente. Mais recentemente a Kuretake lançou a versão ZIG Mangaka. Zig Millenium supostamente usa uma tinta que pode ser usada para marcar fotografias, enquanto Zig Mangaka não vai desbotar com a exposição à luz e não borra quando usada com marcadores à base de álcool e aquarela.

+ Ótima tonalidade da tinta quando seca
+ Firmeza, bom volume de aperto graças ao design do corpo
+/- Suave quando está nova, pode falhar constantemente quando a tinta começa a acabar
+/- Corpo mais grosso em torno da área de aderência. Pode ser um pró ou contra, dependendo da preferência do usuário
- A ponta pode pegar fibras do papel caso passe a caneta várias vezes sobre a área com tinta molhada


Faber Castell ECCO Pigment















Este modelo da Faber Castell se destaca por sua área de pressão dos dedos distinta em comparação com o resto das canetas fine-liner. O aperto é mais estreito do que o resto do corpo e é texturizada. Isto a deixa muito confortável, mas mais uma vez depende da preferência do usuário. A tinta é suave, bem escura, mesmo em diâmetros menores.

+ Suave fluido
+ Funciona bem com marcadores
+/-, A área de pressão texturizada
- A tinta fica translúcida quando seca
- Oscilações no reservatório da tinta em algumas canetas
- A ponta pode perder o contato com o papel em traços longos, rápidos

ShinHan Touch Liner




Esta caneta Shinhan era nova para mim. É uma marca da Coréia e também oferecem marcadores de arte com um espectro completo de cores que rivaliza a marca Copic. Os modelos Fine-liner da Shinhan são mais caros em comparação com algumas das marcas mais acessíveis, mas não na faixa da Rotring Tikki. O corpo é agradável, preto brilhante, mas pode ser escorregadio em algumas mãos. Apesar do custo superior, a caneta não é muito diferentes daqueles na faixa de preço modal. Na verdade, fiquei um pouco decepcionado com a caneta.

+ Etiquetas bem visíveis, então você não vai pegar o diâmetro errado
+ Design elegante
+ Tinta bem escura e de secagem rápida
+ Funciona bem com marcadores
-Fluxo de tinta pode ser um pouco inconsistente
-Mesmo tampada, a ponta pode, por vezes, secar e ter que ser reativada (tracejar várias vezes até o fluxo voltar)
- A tinta leva um tempo para secar quando sobrepõe muitas camadas
- A ponta perde o contato com o papel em áreas com tinta ainda úmida

Uchida Marvy




Não há muito para escrever. Parece barato, é barato e funciona como um preço razoável. A maior razão pela qual eu desisti dessa marca era a tinta não ser escura o suficiente. Sob a luz brilhante que se percebe mais  o tom opaco translúcido. Em seguida, novamente como a maioria das canetas nesta avaliação, o preço dita qualidade. Pessoalmente eu não tenho muitas coisas boas a dizer sobre ela, mas se você estiver com prazo apertado, ela funciona.

+ O preço, provavelmente o menor custo entre a gama de canetas testadas
+ Funciona bem com marcadores
+/- O corpo é cerca de 1 mm mais espessa do que a maioria dos outros, então se você gosta de uma caneta mais espessa vai se sentir bem
+/- Parece leve na mão
- A tinta fica translúcida quando seca
- Oscilações de fibra em algumas canetas
- Realizou o pior teste de traço encaracolado entre todos os 12 modelos testados, a ponta estragou muito rápido em papel com textura
-  Apesar de ter testado pelo menos 4 outras marcas com uma superfície de aperto lisa, a Marvy se mostrou mais escorregadia

Pilot DR




Esta foi provavelmente a primeira caneta Fine-liner que usei no início dos anos 90. O preço é um pouco menor possivelmente devido ao modelo não ter mudado ao longo do tempo. O desenho da caneta não mudou e a ponta parece a mesma. A DR não me deu a melhor experiência antes, então eu fiz o teste com algum ceticismo. No geral, um desempenho melhor do que eu esperava.

+ Bom desempenho para o baixo preço
+ Fluxo de tinta é suave na maioria dos tipos de papel
+ Funciona bem com marcadores
- A indicação do tamanho da ponta só são encontrados na tampa, poderia ter no corpo da caneta
- A tinta parece translúcida quando seca

Staedler Pigment Liner






A Staedler Pigment Liner costumava ser a minha marca favorita quando estudei no exterior. Aderem melhor na mão (minha preferência) em comparação com a Sakura Mícron devido à superfície texturada (em oposição à superfície brilhante da Sakura). Um grande problema com canetas Staedler é que a tinta tende a ficar mais transparente quando seca e que pode ser um incômodo para alguns artistas. Geralmente a caneta é muito boa para usar, mas pode custar um pouco mais do que a média.

Uma coisa interessante é que eu tive um conjunto de Pigment Liners guardada durante um bom tempo. Após pegá-las de volta, a tinta preta desvaneceu-se em um marrom transparente. Portanto, não é bom  mantê-las por muito tempo. Elas parecem durar melhor no papel.

+ Taxa de fluxo de tinta Bom
+ Robusta, ponta durável
+ Suposto período sem a tampa: 18 horas sem secar a ponta, duração mais longa de qualquer marca
+ Funciona bem com marcadores
+/- Chassi texturizado permite aperto firme, pode ser um incômodo para alguns usuários
- A tinta parece translúcida quando seca
- A tinta pode desaparecer ao longo do tempo

Copic Multiliner




Apesar de conhecer a Multiliner, eu não havia experimentado até agora. Talvez devido à experiência negativa que tive com a série Multiliner SP, mais cara. A principal diferença é que a Multiliner é totalmente plástica e descartável, enquanto o Multiliner SP tem tubos de recarga, pontas mutáveis, conjuntos de ferramentas, etc. O que me surpreendeu foi o quão bom são os fluxos de tinta e como sua sobreposição é boa. Eu também fiquei um pouco surpreso com o custo. É um preço muito competitivo e tem um desempenho melhor do que a maioria das marcas dentro da sua faixa de preço.

+ Fluxo Suave
+ Tinta bem escura de secagem rápida e limpa
+ Funciona muito bem no papel para impressão, não rasga o papel quando se sobrepões camadas e camadas de traços
+ Pode mesclar com marcadores da marca Copic (é claro)
+  O diâmetro das pontas começam em 003 (menor tamanho entre todas as marcas testadas)
- Corpo de acabamento lustroso a torna escorregadia
- O clip da tampa é o mais frágil entre todas as canetas avaliadas

Uni PIN



Eu revi este último modelo porque  não quero que minha familiaridade com este produto influencie a forma como avalio as outras canetas. Eu ainda não mudei de ideia após o teste. Esta é de longe a melhor custo-benefício. Pontas suaves e geralmente bastante duráveis. O fluxo de tinta suave na maioria dos tipos de papel que eu uso para desenhar.

Curiosidades: Uni PIN é produzida pela Mitsubishi Pencil Co (fabricantes das canetas Uniball) - que não possui relações com o conglomerado maior Mitsubishi (automóveis).

+ Fluidez suave
+ Tinta escura de secagem rápida e limpa
+ Funciona bem com marcadores
+ O material do corpo da caneta ajuda um pouco com aderência
+ A janela transparente na tampa da caneta ajuda a identificar o tamanho certo
- Indicador de tamanho da ponta no corpo da caneta é muito pequeno

As canetas foram testadas com outros tipos de papel para ver como elas funcionariam. Eles se saíram bem em papéis técnicos como Fabriano. A maioria delas não se saíram tão bem em papel Bristol, a tinta vazava para o verso. As canetas foram bem em papel de 224g da Clairefontaine, mas a textura destrói as pontas das canetas muito rápido.

Canetas não revisada
Há, naturalmente, outras canetas que não pude revisar. Aqui estão alguns tipos que eu não consegui encontrar em Singapura, ou não tive a chance de me deparar com elas.

Copic Multiliner SP
Deleter Neopiko Line2
Koh I Noor Belas-liner
Letraset Fine Line Pen
Stabilo Sensor
Sharpie Liner
Eu tenho uma única Copic Multiliner SP - que, honestamente, não é espetacular para o seu preço. As canetas avaliadas foram semelhantes, ou até melhores, que a Multiliner SP. Para mim, ela simplesmente não vale o preço.

CONCLUSÃO
A maioria das canetas Fine-liner testadas funcionou bem e realizou bem paraa escrita e desenho. Para durabilidade, a escolha do papel deve ser suave, em vez de uma superfície granulada, texturizada. A maioria das canetas têm preços muito competitivos.

As marcas que eu usei antes comportaram-se bem, conforme o esperado. Algumas das deficiências que experimentei com elas ainda persistem ao longo dos anos. Muito disso se deve à preferência de cada um, por isso as empresas não costumam abordar as questões que tive.

Canetas que surpreenderam
Tanto a Copic multi-liner quanto a Rotring TIKky me surpreenderam. Eu não as usava antes. As canetas Copic fez melhor do que algumas marcas na mesma faixa de preço. Com a exceção de um clipe de caneta escorregadio que é uma questão bastante cosmética, me surpreendeu. Eu poderia passar a usar Copics caso tenha dificuldade em encontrar a Uni Pin.

Canetas Rotring TIKky fluíram generosamente e foram incríveis para se desenhar. O fluxo rápido de tinta, infelizmente, significa que você pode ter que usar um tamanho menor de cada vez. A ponta 01 pode parecer uma 02 ou 03 em comparação com as outras marcas.

Canetas que desapontaram
Para mim, o Shinhan Toque Liner e Uchida Marvy foram, provavelmente, os piores resultados. A oferta da Shinhan não foi particularmente impressionante apesar de ser um pouco mais cara do que a faixa de preço médio. A tampa não fecha de forma firme e, por vezes, a ponta se seca ainda com a caneta tampada.

Uchida Marvy era uma marca familiar que eu usei e havia rejeitado. A qualidade da tinta era pobre, o corpo da caneta não parecia firme na mão. Apesar do baixo custo, ela não pode igualar-se à consistência das linhas que as canetas ligeiramente mais caras fornecem.
Eu poderia ser acusado de não favorecer canetas com corpos de superfícies lustrosas porque tanto o Shinhan e Uchida Marvy estavam escorregadias após o uso prolongado. No entanto, as canetas Rotring TIKky, Kuretakes, Sakura Micro e Copic Multi-liner  tinham superfícies de aderência muito brilhantes e me deram uma experiência completamente oposta.

Sem Alteração nas marcas Favoritas
No final do teste, favoritos permanecem inalterados. Como uo essas canetas com frequência, preciso encontrar um equilíbrio entre custo e qualidade. Uni Pin faz isso para mim. Ao longo do período de teste, ou ela superou claramente a maior parte dos outros em termos de sensação e de tinta de qualidade, ou ela chegou muito perto de uma marca mais cara. Minha outra opção são as Microns Sakura. Um dos grandes motivos de usar a marca Micron é porque ela se mantém consistente quando desliza sobre o papel.

Pensamentos finais
Na minha opinião, todas são muito úteis e agradáveis para escrever e desenhar. Como mencionado, o meu comentário é baseado em meus próprios preconceitos, sensibilidade estética, estilo de desenho e outros requisitos. Se o custo é uma questão sobre a qualidade, escolha a Marvy. Se a qualidade e o fluxo de tintas são importantes e custo não é problema, TIKky da Rotring funciona muito bem. Qualquer uma das marcas como Uni Pin, Staedler e Sakura Microns compensam pelo custo e facilidade em encontrar.

No entando, o papel deve ser de qualidade. As pontas de fibra em canetas fine-liner, na minha experiência, geralmente não resistem a um grande número de abusos. Se você costuma arrastar para frente e para trás uma caneta de ponta 0,05 sobre um papel com textura, você poderia destruir a ponta bem antes de esgotar a tinta. Papéis lisos são melhores.

Assinado, JT . E vamos esboçar!
Tradução: Emerson L. Penerari

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Sketchbook, um amigo inseparável

Essa semana vamos falar do nosso amigo inseparável (ou pelo menos deveria ser): o sketchbook!

Lendo o livro "Drawing Ideas" (Mark Baskinger e William Bardel), encontramos uma série de informações e dicas sobre o assunto (inclusive algumas sobre confecção), e resolvemos compartilhar algumas com vocês.


Bom, o sketchbook é o seu playground para experimentar e tentar ideias, técnicas e meios. Pode funcionar também como um diário ou caderno de anotações.

Fonte: https://goo.gl/XTeCGW
É importante saber o motivo de você estar esboçando e o que você espera obter com o sketch. Por isso, pontuamos a seguir 10 características que tornam o sketchbook funcional e efetivo. Vamos lá?

1. FORMATO
O sketchbook deve ter espaço suficiente para desenhar, de forma que encoraje o esboço e o desenvolvimento de ideias. Você pode trabalhar tanto no formato retrato (vertical) ou paisagem (horizontal), só lembre de evitar o meio do caderno caso pretenda scanear o material depois.

Fonte: http://goo.gl/Swf3nn
2. PAPEL
O papel deve ter textura fina ou macia para permitir linhas rápidas. Papeis ásperos destruirá a ponta das canetas e produzirá linhas tremidas. Se você estiver usando markers, considere comprar/fazer cadernos com papel mais grosso para que haja menos chances da tinta vazar. Tente misturar diferentes tipos e cores de papeis, isso pode tornar a produção mais excitante!

3. TAMANHO
Inspiração para ideias pode surgir em qualquer lugar, a qualquer momento. Sketchbooks de bolso são ótimos para esses momento, pois são (e devem ser) seu companheiro constante de viagem.

Fonte: http://goo.gl/oO9kkD
4. LOMBADA
Procure por sketchbooks com lombadas bem articuladas que permitam abrir o caderno de forma plana, para facilitar o scaneamento e cópia para apresentações e documentação. Sketchbooks de espiral dobram muito bem, contudo são fracos e as páginas tendem a soltar facilmente.

5. NÚMERO DE PÁGINAS
Um número pequeno de páginas permite produção de poucas semanas. São fantásticas e ajudarão você a gerar uma série de volumes em um curto período de tempo. Juntar páginas soltas de rascunho em um clips não cria um sketchbook. Você precisa enxergar seu caderno como um companheiro que não deve se despedaçar na viagem.

Fonte: https://goo.gl/e5qU7j
6. ENCADERNAÇÃO
Um encadernação forte é importante para durabilidade. Procure por cadernos com uma construção forte que previna o sketchbook de se desmontar todo durante o uso. Se você estiver fabricando seus próprios cadernos, considere a técnica que utiliza linhas na confecção, que adiciona uma qualidade estética e um elemento de refinamento ao sketchbook. A força e durabilidade da encadernação também evitam a remoção das páginas.

7. CAPAS
Capas customizadas podem encorajar sua individualidade e mostra sua personalidade. Os materiais da capa devem ser duráveis  e proporcionar uma boa e forte base para que o caderno se mantenha rígido. Cadernos frágeis encorajam desenhos trêmulos, especialmente quando usados em campo, ao contrário de quando usados em seu estúdio ou escritório.

Fonte: http://goo.gl/Kw3ELe
8. INDEXAÇÃO
Date as páginas individualmente e coloque os dias que você começou e terminou o sketchbook na capa. Isto pode se provar útil quando estiver revisitando seus cadernos no futuro, arquivando ou indexando.

9. MEIO
Teste uma variedade de meios/técnicas para achar os que funcionam melhor para você. Os melhores rascunhos surgem da harmonia entre Artista, o material (técnica) e o tipo de papel (suporte).

Fonte: https://goo.gl/JcyLhr
10. INTERESSES.
Os melhores sketchbooks são aqueles que te incentivam a rascunhar. Você quer se sentir confortável nele. Experimentação é a melhor cura para a falta de ideias.

E você? Já rabiscou alguma coisa no seu sketchbook hoje? Não? Então corre! Deixei suas ideias fluírem por ele. Os cadernos carregam muito mais que nossas linhas. Eles carregam nossas impressões e características mais pessoais. Então, não se pressione. Carregue ele com você para todos os lados e deixe as anotações e desenhos surgirem. Não perca suas ideias!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Dédi, o desenhista em "Internet"


Star Wars: Uma Obra Prima da Sétima Arte!

Hail amantes da arte! Hoje vou falar um pouco sobre uma paixão de infância que a cada dia arremeda mais e mais fãs. A Space Opera mais famosa de todas, Guerra nas Estrelas (ou Star Wars, no original e  para quem nasceu depois de 1999).


George Lucas e suas miniaturas, muito antes da computação gráfica. Fonte: http://40.media.tumblr.com/472459d3cb2b3fbc6190ec5411ad6b7b/tumblr_nhbegktjOu1u6igpho1_1280.jpg

Esse ano o primeiro filme da série (Episódio IV: Uma Nova Esperança) completa 38 anos em novembro, então nada mais justo do que mais uma vez repensar em sua importância e sua influência no cinema, nas artes, no design, na Cultura Pop, nas trilhas sonoras, ou seja no modo de viver dos séculos XX e XXI.

Em meio a crises ideológicas e financeiras, críticas negativas, erros e acertos, tivemos por resultado duas trilogias que mantiveram os personagens em alta graças ao carisma de atores nem sempre conhecidos, à história simples e repleta de referências e aos efeitos especiais impressionantes, sempre um passo à frente dos filmes de suas épocas. Mas o que faz de SW uma série tão cultuada?

Na verdade, os motivos são vários. Vamos dar uma relembrada em alguns pontos mais recorrentes:


Um dos cartazes do filme, pels mãos dos irmãos Greg e Tim Hildebrandt. Fonte: http://www.obrigadopelospeixes.com/wp-content/uploads/2012/08/starwars.jpg)

A História: A premissa não é tão simples quanto parece. Mas agrada crianças, jovens e adultos, nerds ou não, já que também não é difícil acompanhar a Jornada do Herói perpetrada por Luke Skywalker (e depois por Anakim) em meio a tantas conspirações políticas, bélicas e amorosas.

Os Personagens: Esses, sim, são muito bem estruturados! Apesar do Maniqueísmo na trama principal, tanto heróis como vilões e mesmo coadjuvantes mais singelos (como Boba Fett) recebem o background que merecem, e ganham seus momentos de brilho ao longo das mais de 12 horas da saga. E Darth Vader se tornou a epítome do vilão, tanto que, assim como outros ícones culturais como Marilyn Monroe, Batman e Hulk, será reconhecido por praticamente qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento em cultura pop em qualquer lugar do mundo.

A Música: John Williams é um compositor único. Boa parte de suas músicas já estão no subconsciente de todo fã de cinema. Basta ouvir o início de qualquer uma de suas trilhas (de E.T. a A Menina Que Roubava Livros) para identificar o filme e os personagens. Ele já havia trabalhado em 45 filmes antes de SW, entre eles Terremoto e Tubarão, mas após "O Império Contra-Ataca", sua Marcha Imperial popularizou tanto Williams que ele se tornou sinônimo de trilha cinematográfica!


John Williams: compondo para o próximo Star Wars. Fonte: http://www.judao.com.br/8/wp-content/uploads/2013/05/john-williams.jpg

A Arte: Desde o início é possível ver que não foi nada fácil compor todo o visual do filme: planetas que variam de desertos inóspitos à locais de constantes nevascas até civilizações apoiadas em arranha-céus luxuosos, seres humanos e androides carismáticos contracenando com monstruosidades anfíbias, armas sofisticadas (que apenas modernizam, mas a elegância do clímax das cenas são os duelos de esgrima) e muitas, muitas naves, foguetes, hovercrafts e estações espaciais de encher os olhos!


O designer Ralph McQuarrie criou muitos dos visuais mais icônicos da saga. Fonte: http://i2.wp.com/bitcast-a-sm.bitgravity.com/slashfilm/wp/wp-content/images/ZZ170AB94B.jpg



Você já imaginou como é um AT-AT por dentro? Fonte: http://i33.photobucket.com/albums/d81/HyperLuv/stuff%20that%20i%20got%20to%20have/star-wars-at-at-death-star-speeder-bike-george-lucas-concept-art-empire.jpg

Os cartazes originais ficaram lindos, mas fiquei ainda mais admirado ao ver, em 1997, os cartazes feitos por Drew Struzan para a Edição Especial de 20 anos dos filmes, que tiveram som e imagem remasterizados, novos (e desnecessários) elementos inclusos nos cenários, que renovou o público e preparou a galera para o que viria em 1999. Tive o prazer de ver ambas as trilogias no cinema.


Drew Struzan. Guarde este nome! Fonte: http://img2.wikia.nocookie.net/__cb20100427113318/starwars/images/4/48/Empirestrikesback.jpg

A Peneira de referências Pop: resumindo, Star Wars não é algo original. O que George Lucas fez foi reunir, catalogar, descartar o  desnecessário aproveitar o melhor de diversas culturas, na literatura, na mitologia, no cinema antigo, nos quadrinhos. Basicamente, o que J. R. R. Tolkien fez com o folclore e mitologia europeus ao compor sua saga literária "O Senhor dos Anéis", foi feito em sentido mais amplo nas telonas. A Jornada do Herói é apenas um núcleo para receber à sua volta guerreiros samurais, zen-budismo, profetas do Velho Testamento bíblico, roteiros do Príncipe Valente, ambientação de Flash Gordon, conceitos de Jornada nas Estrelas (houve uma época muito antes da internet em que os fãs de Star Trek odiavam os fãs de Star Wars), Buck Rogers, Maquiavel, Shakespeare, Platão, a Saga dos Patos da Disney criada por Carl Barks... a lista é imensa.


Yoda, uma mistura de Buda, Grilo Falante, Profeta Elias e Francisco de Assis. Fonte: http://images.latinpost.com/data/images/full/23886/will-yoda-appear-in-the-upcoming-star-wars-film.jpg

Seria essa falta de originalidade um motivo para denegrir a integridade de SW? Obviamente não! No mundo conectado em que vivemos, todas essas referências citadas (e outras que no momento não lembro) são fáceis de se achar e obter informações. Mas assim como Tolkien, Lewis e o próprio Disney, reunir influências e referências como homenagem era algo muito comum quando nem todos tinham acesso a toda essa cultura. No fim a história ficou tão intrincada que o desejo por mais informações dessa mitologia galática gerou diversas histórias (conhecidas como "Universo Expandido") que serviram como passado (ret-cons), presente ("enquanto isso...") e futuro, contados em quadrinhos, vídeo-games, livros, desenhos animados, RPGs e agora, no Episódio VII.

E o novo filme?

Star Wars - O Despertar da Força, estréia no Brasil dia 17 de dezembro, e seus dois trailers alvoroçaram fãs e críticos. O primeiro filme da saga sob a tutela da Disney e com a mão de J. J. Abrams, Tudo isso gera certa divisão entre os fãs: enquanto muitos, principalmente os quarentões que viram Uma Nova Esperança no cinema em 1977, nada feito depois de "O Retorno de Jedi" foi bom. Para quem começou sua carreira Jedi em 1999 com "A Ameaça Fantasma", há boas chances desse filme retomar as qualidades da antiga trilogia. Mas uma coisa é unanimidade entre todos que viram os trailers: "Chewie, estamos em casa" foi a frase mais arrepiante dita no cinema esse ano! Vai Han Solo!!! U-Huuuu!!!


Fonte: http://img02.lavanguardia.com/2015/04/17/Han-Solo-y-Chewbacca-ponen-el-_54429982991_54028874188_960_639.jpg

Bom, é isso! Aqui na Ânima Star Wars é mais que um filme, é um estilo de vida! De alunos de Arte para Crianças até professores trintões, todos são fãs, usam camisetas, canecas, possuem action figures e os DVDs! Porque Guerra Nas Estrelas é arte! É cultura! Já é um patrimônio da humanidade!

Para finalizar, uma ilustração fenomenal da Senadora Padmé feita em Copic pelo nosso coordenador Fábio Vieira!

Confira mais desenho em: instagram.com/fabiovieiras


Professor Emerson L. Penerari