quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O Pequeno Príncipe: Arte e emoção nas telonas!

Saudações amantes da arte! Hoje falarei um pouco de um filme (animação) que ainda está no cinema e que merece uma conferida por quem realmente aprecia cores, stop-motion e histórias cativantes: a versão mais recente de uma obra prima da literatura infanto-juvenil: O pequeno Príncipe.


Fonte: https://pmcvariety.files.wordpress.com/2015/04/the-little-prince_1sheet_20-041.jpg?w=670

Veja o Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=-MC5v2VWWAc

O Pequeno Príncipe (The Little Prince nos EUA, Le Petit Prince em seu idioma original, o Francês - Paris Filmes - 2015) não é uma releitura da história clássica de Antoine de Saint Exupéry lançada em 1943. O diretor Mark Osbourne (de Kung Fu panda) resolveu contar a história sob os olhos de uma garotinha, que possui uma mãe controladora que pretende de todas as formas fazer com que sua filha entre para a melhor escola de sua região, coisa que a mãe não foi capaz. O esforço da mãe em criar a filha sozinha e batalhar para pagar o aluguel de uma casa mais perto da escola é louvável e perceptível aos adultos, as crianças que assistem ao filme se identificam mais com o sofrimento da menina em tentar agradar a mãe. Enfim, ao se mudar para a casa, a menina conhece um vizinho muito excêntrico, um aviador desastrado que lhe dá páginas contando a história que todos nós conhecemos (O que? Nunca leu O Pequeno Príncipe? Pare agora de ler esse texto, compre o livro, leia e depois volte ao nosso Blog!), ganhando o coração da garota. O filme traz uma crítica bem densa ao modo de vida atual (com uma sutileza irônica que me fez lembrar da atitude dos pais de Coraline, personagem do livro/filme que leva o seu nome), workaholic, preocupado apenas com a carreira, seja nos estudos ou na profissão. Note por exemplo que nenhum dos protagonistas possui um nome próprio. Assim como nos dias atuais, as pessoas pouco se importam em como os outros se chamam. Existe apenas A Menina, O Aviador, A Mãe e assim por diante.

Cena da animação 'O pequeno príncipe', de Mark Osborne (Foto: Divulgação)
Fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2015/08/o-pequeno-principe-vale-por-tributo-mas-se-perde-ao-recriar-classico.html

O grande trunfo de Osbourne foi contar a história (um tanto comprida para o padrão de animações) usando dois tipos de animação: a mais moderna para os nossos dias, uma computação gráfica em 3D plástico, emulando um Toy Story mais lúgubre, condizente com a atmosfera do filme nas cenas da mãe, e um pouco mais colorido quando a menina contracena com o velho aviador; e a parte feita à mão em stop-motion (desenhos sequenciados quadro-a-quadro) para contar a história do livro, usando papel rasgado, papel maché, o jeito mais divertido e que torna a visualização um deleite para os olhos dos fãs de obras de animação. Impossível não se emocionar com as nuvens feitas em papel, os cenários e as expressões do Príncipe e da Raposa.

Cena da animação 'O pequeno príncipe', apresentada em Cannes nesta sexta-feira (22); é a primeira vez em que o livro de Saint-Exupéry ganha versão neste formato (Foto: Divulgação)
Fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2015/08/o-pequeno-principe-vale-por-tributo-mas-se-perde-ao-recriar-classico.html

O filme conta nos Estados Unidos com um elenco estelar digno da obra: Jeff Bridges, James Franco, Rachel McAdams e Benicio Del Toro dão vozes bem marcantes sob a trilha absurdamente fantástica e emotiva de Danny Elfman (o parceiro de Tim Burton nas composições e eterno vocalista do Oingo Boingo). Destaque para a maravilhosa Marion Cotillard, que dá sua suave voz à Rosa em Francês e em Inglês.  A versão dublada em português (que vi com minha filha, com Marcos Caruso e Larissa Manuela) não deixa a desejar.


Marion Cotillard. Fonte: http://www.fashiongonerogue.com/wp-content/uploads/2015/05/Marion-Cotillard-Dior-Haute-Couture-Blue-Dress-Cannes2.jpg

Apesar de alguns críticos apontarem alguns erros, compará-lo ao também maravilhoso "Up- Altas Aventuras" e reclamarem que o filme "se perde" no terceiro ato, as pontuações ainda mantém um nível alto e o sucesso de bilheteria prova o quanto a animação francesa pode nos oferecer (como O Mágico e As Bicicletas de Belleville já haviam mostrado).

Em meio a tantos lançamentos cinematográficos focados em super heróis uniformizados, futuros distópicos com adolescentes liderando rebeliões ou terrores sobrenaturais que não assustam nem uma velhinha beata, uma visita ao cinema para se deixar lembrar porque O Pequeno Príncipe é tão bom vem bem a calhar. Recomendadíssimo!


Sua cara quando começar a subir os créditos finais! Fonte: http://cdn.hitfix.com/photos/5885612/The-Little-Prince_article_story_large.jpg

PS: Recomendo também o filme live-action de 1974, com o grande Gene Wilder no papel da Raposa. Mais fiel ao livro, com uma linguagem um tanto arrastada para os dias atuais, mas com linda fotografia.


Fonte: http://mlb-s1-p.mlstatic.com/dvd-o-pequeno-principe-raro-stanley-donen-gene-wilder-14890-MLB20091665773_052014-F.jpg

Professor Emerson leandro Penerari

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