segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Entrevista: Fabrício CAmpos - Artista 3D no Japão



Oi, gente!!!! Faz um tempão que o blog está parado, né?
Pois então, estamos passando por reestruturações estéticas lol, por isso demos um tempinho aqui.
    Mas hoje estou trazendo uma entrevista super legal para vocês, com um ex-aluno aqui da Ânima!
   Sim sim, o nome dele é Fabrício e ele está sabe onde? NO JAPÃO! Fazendo sabe o que? Sim!!!!!!! Trabalhando com animação!!!! Sonho de quase todos nossos alunos!
   Então fizemos uma série de perguntas pra ele... E aqui estão as respostas!


Nome: Fabrício Campos
Residência atual: Kawasaki-shi, Japão
Profissão: Artista 3D


Anima - Fabrício, fala um pouco de você, pra quem não te conhece saber um pouco da sua vida.
F - Sou um Artista 3D, natural de São Sebastião do Paraíso - MG,e tenho 33 anos. Tenho trabalhado com artes desde os 21 anos, inicialmente como ilustrador e hoje trabalho com computação gráfica.

A - Onde está trabalhando atualmente?
F - Na OLM Digital. (mais conhecida como Oriental Light and Magic, é um estúdio de animação Japonesa fundado em Junho de 1994 em Setagayaku - Tóquio. O estúdio é especializado em animes, seu desenho animado mais famoso é Pokémon, mas também tem grandes nomes copmo Berserk e Inazuma Eleven.


A - Qual projeto está desenvolvendo aí no Japão?
F - É "Snack World", uma nova série de animação 3D, o trailer pode ser visto pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=ber2lfvZelw e tem o site também: http://www.snack-world.jp/

A - Conta rapidinho sua trajetória de estudo até chegar onde chegou!
F - Meu primeiro trabalho na área, foi na Vitrais Ton Geuer, em Barão Geraldo (Campinas - SP), depois disso eu fiz muita coisa na área de publicidade e passei por alguns estúdios criativos em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. De volta a minha cidade em Minas Gerais, passei os últimos dois anos trabalhando como freelancer, e antes de vir pro Japão, tive a oportunidade de trabalhar em parceria com um estúdio canadense, em uma série de animação pra Netflix, que será lançada em 2017.
Vou deixar o link pra quem quiser dar uma olhada no meu portfólio:
https://fabriciocampos.artstation.com/


A - Quais cursos você fez que te ajudaram na carreira?
F - Os cursos de desenho e ilustração que fiz na Anima, me ajudaram muito, toda a base artística que tenho, sobre composição, proporção, veio daí. Antes disso, eu também fiz aulas de quadrinhos com o Marcelo (na época ele era vizinho da minha tia). Além disso, os cursos de computação gráfica que fiz, e que me deram o conhecimento técnico.

A - No seu trabalho, o que é mais importante saber fazer: cenário ou personagens? Ou as duas coisas?
F - O trabalho aqui é dividido, são duas equipes, uma equipe trabalha com personagens e a outra, trabalha com acessórios e cenários.
Eu particularmente gosto de fazer as duas coisas, mas aqui eu faço parte da equipe de cenários.

A - Você fez alguma faculdade?
F - Eu comecei o curso de história na faculdade mas não concluí, mesmo gostando muito de história, eu amava desenhar, então eu parei com a faculdade e fui fazer cursos de desenho. Foi uma decisão difícil na época mas hoje vejo que foi a escolha certa. Ainda assim, acho que uma faculdade pode ajudar muito, há alguns anos atrás, não haviam muitas opções de curso superior nessa área, hoje existem mais opções pra quem quer trabalhar na produção de games e animação.
 

A - Como está sendo morar no Japão?
F - Tem sido uma grande experiência, eu cresci assistindo animações japonesas, então é muito inspirador o fato de estar aqui. Vale destacar também, que os japoneses são extremamente educados, isso ajuda muito a ter uma boa impressão do país.

A - Qual a comida mais gostosa que você comeu aí e quais as coisas mais legais que não têm aqui no Brasil?
F - Eu gosto muito de karē (curry) e okonomiyaki. Os pães também, são muito bons! É fácil ganhar alguns quilos nos primeiros meses.
Algo que acho bem legal aqui, é o fato de ser um país super desenvolvido tecnologicamente e que ao mesmo tempo tem uma historia riquíssima, tive a oportunidade de visitar alguns museus e templos, e minha admiração por esse país só aumenta
A - Como você conseguiu ir trabalhar no Japão?
F - Eu sempre tive esse objetivo de trabalhar fora, eu passei boa parte de 2015, fazendo art tests para estúdios fora do Brasil. Sempre ficava ligado em ofertas de trabalho pelo LinkedIn. Eu encontrei a vaga de trabalho aqui, pela internet.Depois de enviar meu portfólio, eles agendaram uma entrevista por skype e pouco tempo depois da entrevista, recebi uma proposta de trabalho. Todo o processo demorou aproximadamente 5 meses.


A - Quanto vc ganha? LOL esses alunos e essas perguntas embaraçosas!... enfim, não precisa falar se não quiser, só dá uma idéia pra eles. Como é o ritmo de trabalho, quantos dias você trabalha por semana, essas coisas...
F - Eu trabalho 5 dias por semana, de segunda a sexta. Pra quem já trabalhou com publicidade no Brasil, o ritmo de trabalho aqui é até tranquilo, principalmente pelo fato de ser tudo bem mais organizado. Sobre os salários, pelo pouco que sei, não existe muita diferença entre os salários aqui, por exemplo, uma pessoa que trabalha na linha de produção de uma fabrica e uma pessoa que trabalha em um escritório. O que varia mais é o custo de vida, dependendo da cidade, como eu estou na região de Tóquio, acredito que o custo de vida seja mais alto aqui. Ainda assim, no fim do mês sobra uma grana pra comprar uns jogos e action figures hehe.

A - Como funciona a produção de uma animação? Quais são as etapas e quais as partes em que você está envolvido diretamente?
F - A produção de uma animação é dividida em 3 etapas:
1º - Pré-produção - de onde vem a ideia, o conceito dos personagens, e o story board, por exemplo.
2º - Produção - Onde se criam os modelos 3D de personagens e cenários, rigging/setup, a animação, luz, renderização e os efeitos especiais (vfx). E nessa etapa que meu trabalho é feito.
3º - Pós produção - Nessa etapa, é feita a composição das imagens renderizadas, correção de cor e pronto, você tem um filme rs. Como eu não tenho nenhum contato com essa fase do trabalho, eu não tenho tanta informação, mas bem resumidamente, é isso.


Aeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee, muito obrigada, Fabrício!!!! Vamos ver agora se os alunos vão desistir ou se vão tentar entrar nesse mercado com mais afinco!
Sayonara, gente!!!! Até a próxima!

Gisela Pizzatto






sexta-feira, 8 de abril de 2016

Quadrinho de Campinas "O Peso da Água" entra em financiamento coletivo


O público leitor e fã de quadrinhos nacionais tem mais um motivo para se orgulhar. Trata-se da História em Quadrinhos no estilo Mangá (os quadrinhos tradicionais japoneses) "The Weight Of Water" (O Peso da Água, em português) que entrou em pré-venda por meio do site de financiamento coletivo Catarse (www.catarse.me), até o dia 28 de maio.


Em apenas um volume, conta a história da sereia Seele, filha de Netuno, deus dos mares. Enquanto passa seus dias nadando em águas turvas e densas, Seele contempla a lua, considerando sua vida um tanto monótona. Mas sua vida está prestes a mudar quando ela recebe a visita inesperada da Bruxa do Mar que pede a ela que se lembre de seu passado, onde estão as respostas para o seu destino. Será que tudo o que Seele sempre acreditou não passou de uma ilusão? A resposta talvez seja mais profunda do que as águas onde habita a sereia.



The Weight Of Water foi totalmente ilustrado pela artista e professora Gisela Pizzatto, que trabalha com Mangá há mais de 15 anos. Já publicou na Itália e no Brasil e em 2013 ganhou o prêmio de melhor livro em língua irlandesa para jovens com a Graphic Novel Grainné Mháol. A editoração, reticulação, letreiramento e pós produção é feito pelo Studio Magenta, uma iniciativa da Ânima Academia de Arte (uma escola  de arte de Campinas - SP da qual Gisela faz parte) para unir artistas, professores e alunos com o objetivo de desenvolver ilustrações e quadrinhos autorais e comerciais. O Peso da Água será impresso no formato 17 x 23,5 cm, leitura ocidental e 36 páginas em preto e branco com acabamento em retícula, como o estilo Mangá pede. O quadrinho visa contar uma boa história de fantasia sobre como as pessoas lidam com seus desejos e escolhas.



O nome The Weight of Water foi mantido em inglês, tanto para manter outra característica dos quadrinhos japoneses quanto a divulgação aos fãs no exterior, e para tanto o projeto no Catarse terá versões do quadrinho em inglês e também em italiano.





O projeto também dispões de "recompensas", isso é, para aqueles que apoiarem o financiamento com um valor acima do usado para pagar apenas a produção do Mangá, serão disponibilizados marcadores de páginas, pôsteres em tamanhos A4 e A3, esboços e artes originais em preto e branco ou coloridas com a temática do Mangá produzidos pela artista Gisela Pizzatto.



A previsão de entrega do quadrinho é agosto de 2016. Mas é importante que o financiamento seja bem-sucedido até o final de maio para viabilizar o projeto. O quadrinho está pronto, faltando apenas a parte gráfica e parte das recompensas serem produzidas.


Como Financiar?

Para quem não conhece a plataforma de financiamento coletivo Catarse, siga essas instruções: 
Entre na página www.catarse.me/opesodaagua
Faça um login (crie uma conta ou entre através do Facebook)
Clique em “Apoiar este projeto” e escolha uma opção na parte direita da página (cópia digital em pdf, cópia impressa ou cópia impressa com brindes extras). O pagamento pode ser feito com cartão de crédito ou boleto bancário. As colaborações começam no valor de R$10,00.

Com a colaboração de todos, temos certeza de que o quadrinho nacional terá mais um reforço de peso com o lançamento de The Weight Of Water. E os desejos sereia da Seelie virão à tona com o projeto alçando vôos cada vez maiores. Contamos com sua ajuda e participação!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Aprovados no Vestibular 2016

A Ânima gostaria de parabenizar a todos os seus alunos que tiveram sucesso no vestibular 2016, nas universidades Unicamp, USP, UFPR, Unesp, PUCC, Belas Artes e Unip!



Nossas aulas de Linguagem Arquitetônica Para Vestibular: aprendizado para toda a sua carreira!

Nos orgulhamos muito de ter ajudado todos os alunos que passaram nos cursos de Arquitetura, Design, Artes Plásticas e outros com provas de aptidão artística, bem como ter incentivado os demais que optaram em seguir em outras áreas relevantes.


Parabéns aos nosso alunos:

André Lopes (foto)

Bárbara Bacan Domingues

Carolina Chaves Manzano

Elisa Zocca

Gustavo Nogueira Luna

Julia Martins Fontes Custodio

Laura Gimenes Palácios

Marina Sabadini

Milena Gil Lujan

Miriam de Camargo Andrade Antonicelli

Tadeu de Lima Siqueira

Tiago Chaves

Veronika Walzberg

Se você, nosso aluno, passou em algum vestibular e não viu seu nome aqui, perdoe-nos pela falha! É só nos avisar e logo será incluído essa lista!

terça-feira, 1 de março de 2016

Aniversário da Ânima #9



Hoje, 1 de Março, dentre tantas outras coisas foi aniversário da minha filhota mais velha!
Quem me conhece sabe a dedicação e o amor que tenho pelo meu trabalho, o prazer que é ensinar e levar arte para as pessoas e para este mundo nosso, tão carente de tudo isso: beleza e conhecimento.


Poucas pessoas sabem o que é ser empresário neste país e pouquíssimas sabem o que é ter uma escola de arte. As dificuldades, os percalços, a falta de reconhecimento e de importância que nos dão.


Mesmo assim, a Ânima segue em frente, procurando sempre dar o melhor de seus professores, puxar o melhor de seus alunos, oferecer o melhor conteúdo e infra-estrutura.
Hoje recebemos mensagens lindíssimas, agradecendo pela inspiração que damos e dos caminhos novos que abrimos.
Delícia é saber que também inspiramos, que o aprendizado é uma via de mão dupla, porque enquanto aprendemos nós, somos também capazes de ensinar!


Delícia é ver nossos ex-alunos retornarem cheios de trabalhos novos, realizações e ainda mais sonhos a realizar!


É esse nosso único e exclusivo objetivo naquilo que fazemos: inspirar. Acreditamos que a Arte pode sim mudar vidas e atitudes, conhecemos cada aluno para poder dar a eles o melhor e exatamente aquilo que precisam. Sabemos que muitos caminhos conseguimos mudar, dar forma, ajudar a se formarem. Cada um tem uma história bonita e diferente, às vezes sofrida, às vezes nem tanto. Mas cada um que passou pela escola e foi capaz de sentir nossa vontade criadora sentiu-se um pouquinho mudado, um pouquinho diferente. Às vezes um poucão!


Agradeço diariamente, apesar de tudo tudo tudo (dores de cabeça, contabilidade - que eu odeio -, correria...) a dádiva que me foi dada de trabalhar naquilo que eu mais amo e trabalhar com pessoas especiais.


Sim sim sim! A Ânima não é ninguém sem as pessoas que fazem dela e fizeram dela o que ela é hoje. Todos muito importantes, cada um no seu tempo, cada um que deixou sua marca.

Agradeço meus queridos e amados professores pela luta diária de ensinar algo tão pouco reconhecido neste nosso País, por darem o melhor sempre! Vocês são especiais e adoramos contar com vocês! Hoje os parabéns vão para vocês também!


Agradecemos também aos nossos alunos e ex-alunos, vocês fazem a Ânima crescer todo dia! Com dicas, correções, elogios e participações especiais de todos os níveis! Amamos que vocês estejam com a gente! Sejam sempre bem-vindos!
A Ânima ainda tem muito que crescer e mudar, mas esta é a beleza do caminho. Espero que vocês estejam sempre conosco, de um jeito ou de outro, e que nossa caminhada seja ainda mais cheia de arte!

Meus agradecimentos especiais vão para aqueles que fazem e fizeram meu dia-a-dia muito mais feliz:

Emerson Penerari
André Seo
Marcelo Ferreira
Bruno Büll
Layla Dinnouti
Laís Bicudo
Athila Fabbio
Tiago Oliveira
Adriana Justi
Stela Belle
Marta Montagnana
Halima Alves
Israel Maia
Ivinny Soldera
Carol Zieglitz
Maurilio DNA
Gabi Sala

E meu muito obrigado especial ao Coordenador, faz-tudo, mestre de cerimônias, mago dos vídeos, técnico de informática, otimista incorrigível e senhor de todas as armas: Fabio Vieira!




Gisela Pizzatto, professora de Mangá e diretora da Ânima junto com o Merso e com o Seo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Conan, o Bárbaro: Uma Obra de Arte em Cultura Pop!

Saudações, seguidores dos caminhos da arte! Após um hiato bem longo empunho minha pena para vos escrever. Resolvi falar aqui sobre um dos meus personagens favoritos de todos os tempos, então o assunto será longo, mas repleto de informações e até considerações bem pessoais. Esse ano completam-se 80 anos da morte de um dos maiores escritores de ficção da história. Robert Ervin Howard, criador de CONAN DA CIMÉRIA.




O escritor Robert Ervin Howard: fonte: http://vidabeta.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Robert_E_Howard_foto.jpg

Quando se fala sobre Conan, quem não conhece o personagem imagina o estereótipo do Bárbaro desenvolvido na cultura do século XX: um sujeito (de ambos os sexos) forte, de inteligência limitada, impetuoso, com pouca educação, às vezes com um bom coração ou um código de honra. As Edas escandinavas, os livros de J. R. R. Tolkien e de C. S. Lewis, personagens dos quadrinhos, filmes de fantasia, inclusive o próprio filme debutante do personagem, Conan, o Bárbaro atestaram essa falsa verdade na memória da maioria. Mas basta um estudo mais elaborado na história humana e na mente do criador do cimério, Robert E. Howard, para entendermos que os Bárbaros, incluindo Conan, tem muito o que nos ensinar.

Lembrando que a palavra Bárbaro quer dizer "não grego", ou seja, uma expressão para definir os 'nobres selvagens' que viviam ao redor das cidades gregas, e povos desenvolvidos (como celtas e persas) também receberam essa alcunha.

O Criador

Howard era um jovem escritor texano nascido em 1906 que começou a escrever profissionalmente muito cedo. Seus contos e poesias foram publicados primeiramente nos "pulps" (livretos em papel ruim, tamanho de bolso e a preços bem acessíveis), consumidos por jovens e pessoas de renda mais baixa principalmente pelos temas apresentados, ramificados de Jules Verne, H. G. Wells, Edgar A. Poe e Mary Shelley, que ainda não haviam atingido o status de Literatura Clássica.


Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cd/REH_Fence_Photo.PNG

Dentre as dezenas de criações de Howard, estão contos de ficção histórica, faroeste, espionagem, boxe, ficção científica e o gênero que praticamente ajudou a criar, o "Sword & Sorcery" (Espada e Feitiçaria). Em 1933, apesar de seu estilo recluso, muito ligado à família, um tanto quanto esquisito (andava nas ruas recitando falas, gestos e vozes de seus personagens, seu aspecto físico lembrava o de um boxeador) ele era o único escritor de Cross Plains a ter um agente literário, o que gerou interesse em muitos aspirantes, como sua futura namorada, Novalyne Price, que iniciou um relacionamento com Robert apenas interessada em publicar suas histórias e depois realmente passou a amá-lo. Infelizmente, Howard suicidou-se em 1936, aos 30 anos, quando descobriu que sua mãe doente entrara em estado terminal.  Hoje em dia seus contos são relançados frequentemente em edições luxuosas e papel de qualidade, já que agora são considerados como clássicos do gênero, e sua casa se tornou o Museu Howard, local que reúne escritores, aspirantes e fãs de histórias de fantasia.



Novalyne Price. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Novalyne_Price_Ellis#/media/File:Novalyne_Price_2.PNG

Após criar diversos personages, o pulp Weird Tales aguardava uma nova aventura do Rei Kull, um atlante que usurpara o reino fictício da Valúsia, mas Robert estava em viagem e concebeu uma nova criação: Conan, o Bárbaro. A princípio, outro rei de terras bárbaras que usurpou o trono de uma metrópole no conto reescrito "A Fênix na Espada". Mas seu interesse em história e arqueologia fez com que desenvolvesse a ambientação de toda a sua Era Hiboriana, um mundo tão complexo e detalhado quanto a Terra-Média e Nárnia, que seriam lançados anos depois. Howard era amigo de outros escritores americanos do gênero, como Clark Ashton-Smith e Howard P. Lovecraft, que trocavam por carta informações e influências, o que enriqueceu mais ainda os contos dos três.


Conan em Weird Tales: bem diferente do estereótipo que se tornaria. Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bc/Weird_Tales_May_1934.jpg

A Era Hiboriana

A Era Hiboriana foi um período aqui mesmo na Terra, que se passa entre o fim da Atlântida e o início da nossa civilização atual, que os estudiosos da obra Howardiana situam entre 32.000 AC até 10.000 AC. Toda a política, religiosidade, mitologia, etnia, línguas e tradições foram criadas por Howard pensando no que se tinha na época áurea da Grécia enquanto grande potência. É possível encontrar povos semelhantes aos egípcios, escandinavos, orientais, africanos, todos em regiões muito próximas das que estão na história moderna, em um continente gigantesco ainda em desenvolvimento pós-Pangeia.




Aí reside grande parte do encanto de Conan: não é apenas um cara forte matando inimigos e acumulando tesouros. O próprio mundo em que vive é um lugar repleto de cultura,maravilhas, informações e tem vida própria na escrita de seu idealizador. É possível encontrar referências a todas as principais civilizações europeias, africanas e asiáticas, com intrigas políticas/religiosas que remetem a clássicos de escritores como Maquiavel, Shakespeare, Tolstói e Blake.

Um resumo bem direto para quem quiser entender Conan e a Era Hiboriana: Após o evento cataclísmico que submergiu Atlântida, a mais antiga potência mundial, a humanidade sobrevivente foi levada novamente a um estado quase pré-histórico. Após poucos milênios ela atingiu um grau de desenvolvimento superior que avançou consideravelmente (em alguns aspectos, lembra o período Helênico, mas algumas regiões atingiram um grau praticamente Renascentista). Nesse período surgiu Conan, que nasceu na Ciméria (onde hoje se situa a Dinamarca) e, diferentemente de seus conterrâneos territorialistas, ainda adolescente se tornou um nômade e conheceu praticamente todas as regiões do continente hiboriano. Primeiro buscou grandes cidades para agir como um ladrão e mercenário, depois se tornou pirata, aventureiro, lutou em diversas batalhas importantes na formação política do território, enfrentou criaturas sobrenaturais, povos belicosos, monstros carnais e espirituais até se tornar general do império mais importante de sua geração, Aquilônia, e usurpar o trono do rei. Ou seja, um jovem poliglota, conhecedor de diversas culturas, armas, táticas de guerra, abordagem náutica, estratégia militar, não seria um idiota truculento e inexpressivo. Conan é um personagem inteligente, audaz que, mesmo discordando das atitudes dos ditos "civilizados", acredita que a beleza da vida está nas pequenas coisas e não possui sonhos de grandeza até se tornar rei quase que por acidente.

*Uma breve correção do irmão de espadas Edgard Rupel: "o auge da era hiboriana é baseado na alta idade media francesa, não no império grego, já que consideramos a Aquilonia como o ápice da civilização hiboriana.  E a Cimeria não ficava onde hoje é a Dinamarca, mas sim onde estão hoje as ilhas britânicas (há um mapa de howard mesmo que mostra isso)."

Sem dúvida um roteiro interessantíssimo que gerou interesse de muitos leitores que quiseram dar continuidade às poucas e influentes histórias de Howard para o cimério. O que gerou um interesse bem maior pelo personagem no final dos anos 60 e influenciou uma série de gêneros na Cultura Pop.

Cultura de Massa

O Legado de Conan e outras criações de Howard ficou esquecido por algumas décadas, mas na segunda metade dos anos 60 um fã e escritor conseguiu os direitos para continuar contos inacabados do texano e até criar outras histórias dentro da Era Hiboriana. Seu nome era L. Sprague de Camp e, ao lado do também escritor Lin carter, renovou o interesse pelo gênero Espada e Feitiçaria.


L. Sprague de Camp. Fonte: http://pe2.0932.ru/images1/sprague-de-camp-3.jpg

Com certeza é impossível desvincular esse sucesso da arte magistral do ilustrador Frank Frazetta. O ítalo-americano criou a arte das capas dos livros com os contos relançados de Howard e, somando-se à cultura da literatura fantástica estabelecida por Tolkien, o surgimento do Hard Rock e do Rock Progressivo, com visual e letras falando sobre o assunto, as gangues de motociclistas aderindo ao visual "couro e rebites de metal" e pronto: havia uma explosão de admiradores de Robert Howard 30 anos após a sua morte!


O Conan de Frazetta. Fonte: http://sequentialartistsworkshop.org/wordpress/wp-content/uploads/2015/09/1tacfrank_frazetta_warrior.jpg

Narrativas Gráficas

Em 1970, Roy Thomas, um fã de quadrinhos que começou a trabalhar com seu hobby (ele veio da chamada "Segunda Leva" de roteiristas, desenhistas e editores de quadrinhos, ou seja, quem entrou porque era fã. Os pioneiros do ramo criaram o 'mercado' que conhecemos e não tinham em quem se influenciar diretamente), e leu os relançamentos das histórias de Conan. Rapidamente contatou De Camp e ofereceu aos seus patrões da Marvel Comics o projeto de iniciar uma revista do Bárbaro. Aproveitando o hype, eles toparam e, com Roy Thomas nos roteiros e o jovem (porém fenomenal) Barry Windsor-Smith nos desenhos, nascia uma longeva revista que colocou ainda mais holofotes sobre o cimério: Conan - The Barbarian! Thomas escreveu as histórias do cimério por décadas, e desenvolveu um estilo poético único para seus recordatórios e diálogos. Adaptando textos de Howard, Sprague e Carter, além de histórias criadas por ele mesmo, estão entre as mais belas narrativas de quadrinhos até hoje.


Página de HQ de Conan, por Roy Thomas e Barry Smith. Fonte: https://marswillsendnomore.files.wordpress.com/2013/10/conan-the-barbarian-13-015.jpg

Smith é dono de um traço extremamente minucioso e não dava conta de entregar suas páginas no prazo, o que levou a editora a substituí-lo pelo veterano John Buscema (chamado por Stan Lee de "o Michelangelo dos Quadrinhos"), que caracterizou um Conan bem mais musculoso e maduro e ajudou a estabilizar a figura do Bárbaro na Cultura Pop. Buscema chegou a afirmar várias vezes que seus personagens favoritos eram Conan e o Surfista Prateado. O sucesso rendeu o lançamento de uma revista mais voltada para o público adulto, no final dos anos 70, em preto-e-branco chamada The Savage Sword of Conan. Em formato maior, com mais violência e algumas cenas de nudez, foi novamente um sucesso e garantiu o interesse dos produtores de cinema a investirem no personagem e, mais tarde, no gênero Espada e Feitiçaria como um todo.

Revistas como a francesa Metal Hurlant e a inglesa 2000AD (com seu personagem celta Sláine) lançavam histórias de guerreiros, e até uma versão bem-humorada do bárbaro (Groo, o Errante, de Sergio Aragonés) foi criado e se tornou sucesso!


John Buscema (lápis) e Alfredo Alcala (nanquim) em Savage Sword of Conan. Fonte: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/07/a1/25/07a125e5d37ebacd9bf1f82eb34ec3d9.jpg

Espadas nas Telonas

Em 1982 estreia nas telonas Conan - O Bárbaro, com nomes de peso por trás das câmeras como o produtor Dino de Laurentis, o diretor John Milius e o roteirista Oliver Stone, com um cast de atores perfeito para seus papéis: o fisiculturista novato nas telas Arnold Schwarzenegger (que, se suas poucas falas e pouca expressividade na época não fizeram jus ao espírito inquieto do personagem, seu carisma e aparência física o tornaram a epítome do Bárbaro cinematográfico), a dançarina Sandahl Bergman (All That Jazz, Xanadu) como a guerreira Valeria e James Earl Jones (a voz de Darth Vader) como o mago líder de uma seita Thulsa Doom. O filme é uma obra de arte: mesmo com orçamento bem mediano, foram construídos cenários convincentes, e o roteiro explora temas relevantes como o poder da religião, da amizade, do amor. Em meio a uma Era Hiboriana um tanto mais atrasada que a visão de seu criador e com um bocado de truculência por parte do protagonista (se tornou um marco o momento em que Conan, após ser escravizado e se tornar gladiador, é indagado por seu senhor: "O que é o melhor na vida?". Sua resposta, simples como uma canção viking, é: "esmagar seus inimigos. Vê-los tombando à sua frente. E ouvir os lamentos de suas mulheres!" . Grrr, Hulk Esmaga!


Cartaz do primeiro filme do cimério. Fonte: https://bsmoviereview.files.wordpress.com/2014/04/conan1982-poster.jpg


Pouco depois Richard Fleischer fez um segundo filme, Conan - O Destruidor, mas o clima foi bem mais de aventura e, se não fosse pelas cenas violentas e sensualidade, seria uma aventura digna dos filmes da Disney. Em 2011 um novo filme do cimério chegou às telas estrelado por Jason Momoa, mas embora tenha um visual exuberante, uma Era Hiboriana convincente e um ator que cumpriu bem o seu papel, o roteiro e a direção deixaram o filme um tanto bobo para os dias atuais.


Jason Momoa como Conan: http://cdn.collider.com/wp-content/uploads/conan-the-barbarian-movie-poster-hi-res-02.jpg

Jogando como um Guerreiro

A infinita criatividade de se criar um mundo cheio de locais novos a ser explorado já tem mais de 40 anos. Passando pelos jogos de tabuleiro que usavam estratégia de batalhas medievais, o RPG Dungeons &Dragons (mais informações nessa minha postagem: http://blogdaanima.blogspot.com.br/2014/07/rpg-parte-2-quarenta-anos-de-dungeons.html ) surgiu após o interesse popular pelo gênero Espada e Feitiçaria. Embora mais influenciado pela obra de Tolkien do que de Howard, o sucesso do D&D foi fundamental para que se criassem jogos do personagem (ou inspirados nele), como Hero Quest, Gurps Conan, Conan - The Role Playing Game, Age of Conan e Conan: Exiles (o novo video-game da Funcom)


Meu jogo favorito do bárbaro. Fonte: https://cf.geekdo-images.com/images/pic508813.jpg

Trilha Sonora Bárbara

Para quem é fã de uma aventura épica na literatura, nos quadrinhos, nas telonas ou nos jogos, nada melhor do que uma boa trilha sonora épica de fundo. Então é claro que Howard acabou inspirando compositores de diversas áreas, principalmente nas áreas cinematográficas (a trilha do filme de 1982 é do mestre Basil Poledouris, mas é possível encontrar influências dela em outros compositores como Howard Shore e Randy Edelman) bem como dos roqueiros cabeludos vestindo botas de couro (temos desde o tecladista de rock progressivo Rick Wakeman em seus discos solo como bandas de Hard Rock e Heavy Metal como Manowar, Manilla Road, Bathory, Cirith Ungol, Ironsword, Rhapsody e Majesty) lançando discos e músicas com a temática howardiana. Anote os nomes e não se esqueça de ouvir com atenção essas músicas em sua próxima leitura épica!


Manowar em 1982. Esse visual te lembra alguém? Fonte: http://www.asburyrecords.com/public/cover/13442_2.jpg

Pessoalmente conheci Conan no começo dos anos 80 com as histórias publicadas na extinta revista em formatinho Heróis da Tv. Após o lançamento da Espada Selvagem de Conan, em preto-e-branco e formato maior, passei a admirar ainda mais o cimério. Os filmes estavam entre os meus preferidos e, claro, só fui entender muita coisa da imensa criatividade de Robert Howard após crescer e reler as histórias. Uma pequena biografia do autor e de alguns dos artistas das HQs saiu na primeira edição da Espada Selvagem em cores, então conheci melhor Robert Howard. Suas obras literárias eu conheci aos 18 anos em uma série de livros de bolso lançada pela editora Unicórnio Azul.

Dentre os contos originais de Howard, destaco entre meus favoritos:

A Filha do Gigante de Gelo: um jovem Conan se perde em um deserto glacial após uma batalha e persegue uma mulher maravilhosa para os penhascos sem saber que se trata de uma visão da filha do deus nórdico Ymir.

A Torre do Elefante: em sua primeira incursão em uma metrópole cheia de ladrões, todos temem um mago que reside em uma alta torre coberta de jóias. Conan impetuosamente resolve escalar a torre e o que descobre lá dentro transcende a sabedoria humana.

Pregos Vermelhos: agora mais experiente, Conan e Valeria se encontram em uma cidadela onde dois povos lutam pela posse do lugar.

O Deus na Urna (ou "Tigela"): uma monstruosa criatura habita um salão onde Conan pretende se infiltrar para roubar tesouros e segredos, uma história cheia de suspense no melhor estilo Poe, que foi publicada após a morte de seu autor.

A Rainha da Costa Negra: o cimério, com vinte e poucos anos e em fuga de uma cidade portuária, foge em um navio que é atacado pela pirata Bêlit. Os dois vivem um romance intenso que mudará para sempre suas vidas.

Embora Conan ainda seja extremamente relevante na Europa (em países como Espanha, Itália, Portugal e Alemanha é comum encontrar fanzines e artistas dedicados exclusivamente ao personagem), no Brasil o auge de Conan, de seu autor e do gênero foi nas décadas de 1970 a 1990, mas tivemos bons lançamentos com obras do mestre após esse período. A revista Conan, da editora Dark Horse, escrita por Kurt Busiek e ilustrada por Cary Nord, rendeu um bom público e agradou os críticos. Hoje em dia é possível encontrar dois volumes com os melhores contos lançados pela ed. Conrad e o livro com a única novela de Conan escrita por seu autor, A Hora do Dragão, com título de capa "Conan - O Bárbaro", aproveitando a onda do filme de 2011 com tradução excelente de Alexandre Callari. Outro personagem importante de Howard, o puritano Solomon Kane, ganhou recentemente um filme com James Purefoy no papel do guerreiro religioso do século XVII e um livro da editora Generale também traduzido por Callari.

Para entender melhor a mente conturbada e genial de Robert, sugiro uma assistida no belo drama The Whole Wide World (em português, "Um Amor do Tamanho do Mundo"), de 1996 baseado no livro One Who Walked Alone, de Novalyne Price, sobre o seu romance com Robert E. Howard. Ótimas atuações de Renée Zellwegger e Vincent D'Onofrio.


Fofura sem fim! Fonte: http://moviefiles.alphacoders.com/860/poster-8607.jpg

É isso aí. Quem quiser entrar nesse universo tão extenso que é a mente de Howard, agora tem motivos de sobra. E eu garanto que tem muuuuuita coisa para falar que o espaço e o tempo não me permitiram. Portanto, aventure-se. Será uma jornada prazerosa que durará anos e uma admiração ímpar por um dos grandes visionários de um gênero literário do século XX mesmo 80 anos após a sua partida.

Professor Emerson Leandro Penerari






quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Ânima Entrevista - Camila Picheco

Nesta semana entrevistamos a ilustradora Camila Picheco. Camila Picheco é ilustradora e artista visual, residente em Montreal, Canadá. Já realizou inúmeros trabalhos para editoras e clientes como: Nestlé, Revista Glamour, Vrak Tv (Canadá) e outros.

Trabalha com ilustrações de livros, revista e também com a criação de animações curtas para start ups.


Fale um pouco de você, quantos anos tem, onde mora...
Camila: Meu nome é Camila Picheco, tenho 30 anos e sou de Campinas, morei 3 anos e meio em Montreal Canada e voltei esse ano pra esperar meu visto permanente e aproveitar pra estudar e trabalhar com arte no meu país.

Como você foi parar no Canada e que trabalho você faz por lá?
Camila: Eu fui pra lá por vários motivos, por exemplo a língua francesa sempre me atraiu muito então queria aprender a falar de verdade, eu já falava bem inglês então isso me ajudou a arrumar emprego e fazer amizades desde o começo, sabendo as duas línguas me ajudou muito mais. Buscava também a oportunidade de morar fora, de sair da zona de conforto e conhecer gente e lugares novos. Queria muito morar fora e Montreal pois é uma cidade com várias empresas de animação e games como a Ubisoft e também várias boas escolas e faculdades de arte e animação. 


Caramba, fiz muita coisa, hehe tinha que dar um jeito de me virar, então fiz tatuagem de hena no bairro turístico, fiz um estágio em um estúdio de design, onde eu trabalhava com a arquiteta na criação dos rafs e plantas pra mostrar pro cliente, trabalhei como animadora 2D freelancer, ao mesmo tempo trabalhava como garçonete, trabalhei como barista, expûs em cafés e restaurantes, feiras de arte também. Trabalhei com estamparia pra uma amiga brasileira que conheci na feira de arte. 

O trabalho mais legal foi pro web série do canal de TV Vrak Tv, que é tipo um canal adolescente franco-canadense e eles utilizaram minhas pinturas na decoração do quarto de uma das protagonistas que é artista e em Abril comecei à trabalhar com um livro infantil - « Vanessa e sua bola rosa e roxa » e logo será lançado, tô muito ansiosa e feliz pra ver pronto.


Fale um pouco sobre sua carreira. Como começou, onde fez faculdade, cursos etc?
Camila: Eu amo desenhar desde criança, mas com 15/16 anos comecei à me dedicar mesmo e fiz curso de mangá com a professora Gisela Pizzato, depois fiz ilustração com o Emerson Penerari. Com 18 entrei na Puc Campinas fiz Artes Visuais e ao mesmo tempo trabalhava na IBM, me formei em 2007/8 e trabalhei em pequenas agências de publicidade como designer e animadora de flash mas percebi que não era bem isso que eu queria, queria mesmo desenhar e ilustrar mas infelizmente não é tão fácil no começo, finalmente em 2009 peguei a capa de um livro da editora Seoman e ilustrações para a revista Nestlé com você. Voltei pra IBM, mas continuei sempre estudando, fiz workshops e cursos em Sao Paulo, aqui, de animação, de ilustração de moda, juntei uma grana e finalmente em 2011 juntou as trouxas e fui para o Canadá. :)


Quais são suas inspirações? Alguns artistas que gosta...
Camila: Eu cresci lendo gibi da Monica e adolescente eu era louca por mangás, animes, e revistas femininas  meu pai vende gibis usados então eu tava sempre lendo alguma coisa, mas nunca escrevi ou fiz quadrinhos, eu gostava mesmo era de ilustrar, comecei a me interessar mais por moda no final da faculdade, conheci e me apaixonei trabalho da Fernanda Guedes, que é elegante e feminino mas é bem gráfico e tem uma pegada de quadrinho europeu, na mesma época conheci o trabalho da Marguerite Sauvage e Glen Hanson e depois Barbara Tarr. Minha maior inspirações é a Alexandra Compain-Tissier, conheci o trabalho dela no Illustration Now e pirei nas ilustrações dela, desde que eu vi seu trabalho dela em 2010 eu me apaixonei pela aquarela, depois dela pra mim em inspiração vem o Chidy Wayne.

É difícil para uma brasileira trabalhar com arte no Canadá?
Camila: É difícil pra todo mundo, até pra um canadense trabalhar com arte no Canadá… é difícil como em todo o lugar do mundo, depende muito de você, do seu esforço e da sua vontade, mas a verdade é que independente de onde você seja o que eles buscam é uma pessoa que se destaque, que faça um bom trabalho com seriedade e profissionalismo, independente da nacionalidade.


Arte tem várias vantagens pra um imigrante que em outras áreas como direito, história etc pois você não precisa tanto saber sobre as leis de certo país, da história etc, desenho é algo global e muito mais visual do que qualquer outra coisa. Uma coisa que eu recomendo pra todo mundo que quer ser freelancer aqui ou em qualquer lugar é não ficar parado ser que nem a Madonna, se reinventar, faço sempre muitos cursos e deixe sempre seu portfolio organizado e atualizado, muitos trabalhos as pessoas que me encontraram pelo linkedin e behance, outras eu bati na porta mesmo.

Porque escolheu trabalhar com aquarela?
Camila: A aquarela veio naturalmente no meu trabalho, sempre gostei muito de lápis de cor e acrílica e sempre escutei que a aquarela era muito difícil, uma técnica chata etc… acho que da maneira que eu comecei com ela, sem pretensão, mais pra colorir meus sketches e ilustrações me ajudou a não ter medo dela. 



Comecei à gostar realmente da aquarela quando fui à Paris em 2010 e levei só um potinho com 6 cores e um pincel com reservatório de água, lá comprei meu primeiro moleskine de aquarela e é até hoje um dos meus favoritos. A aquarela te permite isso, essa praticidade, se eu tivesse uma caixa de 12 lápis de cor não conseguiria fazer a mesma quantidade de cores e também dá medo de perder os lápis na viagem, a aquarela não, tá tudo lá prático e compacto e você pode fazer coisas muito legais com um pincel só e com poucas cores. 

Existem várias maneiras de pintar, e a verdade é que aquarela é realmente uma técnica não tão intuitiva quanto as outras, quando você precisa mais de um guia mesmo pra fazer ela funcionar bem.


Você vai dar um workshop de Aquarela para Ilustração aqui na Ânima neste mês. O que os inscritos podem esperar?
Camila: Eu estou muito animada e ansiosa pra poder passar pras pessoas o meu amor pelas cores e pela aquarela, minha pintura é mais voltada pra ilustração e gosto de dar liberdade pra pessoa descobrir o que dá certo com ela, o que eu quero é guiar e mostrar como a aquarela pode ser gostosa e simples, com um pouco de água e cor a gente pode fazer muito coisa. 

Você confere mais trabalhos da Camila em: https://www.behance.net/cpicheco